acervo pessoal
Posentão...
O moço da foto a meu lado é o Carlos Volnei Cunha Neves, nome completo e "quase" o CPF como diria o intérprete Sandro Ferraz. No dia de ontem, 26 de abril, completou 60 anos...aliás, informação bastante interessante...tem uma turma bacana nascida em 1966, assim como eu que nasceu neste ano e completa 60 anos de idade.
Seguramente, a comemoração deve ter sido cercada de muito samba raiz, partido alto, sambas enredos dos Bambas da Orgia, agremiação de Carnaval do coração do moço, cerveja gelada e muita animação. Não tenho dúvidas...Apesar que, carregar uma expressão facial séria, por vezes "cara de brabão" é um sujeito legal.
A parceria iniciada há 40 anos, aproximadamente, nos trouxe muitas coisas legais. Ao lado do Manoel Jerônimo - o nego Lom, da Vila Floresta, apresentou-me muitas pessoas, espaços e narrativas sobre o Carnaval e o samba de Porto Alegre. Foi a convite dele que conheci a "Figueira", do Morro Santana, a quadra de ensaios do COPACABANA, a sereia da zona leste, muita gente legal do universo sambista também.
Um grupo capitaneado pelo Edson, seu ex-sogro, que estava à frente do Grupo Ponto final que ensaiava e divertia-se no coração da BONJA. Aliás, uma das primeiras vezes que desci do T1 e fui participar dos inesquecíveis encontros que ocorriam na casa do pai da Cristina, da Carmem e do querido "Jaca".
O tempo passou e prosseguimos fortalecendo os vínculos, ou nas quadras de futsal (como mostra a foto), nas rodas de samba, ELE músico e cantor e, EU, na "humilde" com o olhar atento, buscando aprender cada dia um pouco deste assunto tão potente que é samba e Carnaval. Apresentou ainda, o Dedo Pereira, um dos confirmados do Armazém do seu Brasil, e a familia efervescente e sambista da rua Cabral - a familia Dornelles. Sim, dos irmãos Gilmar, Gegé e do Gilson. Aliás, é importante registrar que o sempre elegante e boa praça Gilson, do Pagode d' Kasa, foi o atleta que contrariava a patrulha da estética. Era um dos boleiros, mais gordo e habilidoso que conheci. E o Gilmar e suas resenhas? Nem é bom começar a falar...sairia algumas publicações.
Voltando ao Volnei...meu parceiro que sempre me recebia no Banco onde nos conhecemos, com água mireral gelada e café quente. Lógico, que meia hora de resenhas, fofocagens e opiniões sobre o samba, Carnaval e as pessoas deste meio. Bons momentos de convívio.
O tempo passou mais um pouco e o convidei para me ajudar a reunir alguns amigos seus para montar um time de sambistas para animar meus saraus em nome do Armazém. Assim nasceu a Batucada do Armazém. E o time? Bah!! Seleção...No violão sete cordas, Dedo Pereira, no cavaco, Roberto Nascimento, no surdo, Gilmar Dornelles, no pandeiro, Fábio Ananias e no rebolo, o Volnei Neves.
A coisa ficou forte...muito boa, aliás...Minha empolgação era tanta que, até deu vida a um dos meus personagens do Armazém. O seu Carlito Trovão, um nego véio morador do Mont Serrat, jogador do Clarão da Lua e aquelas coisas legais. Comentei com ele, mostrei a imagem, as narrativas, o perfil, o lugar que o Carlito ocupava. Não lembro se deu muita importancia (ou a importancia que eu desejava...). A vida é assim...desafios o tempo inteiro de convivencias, aceitação ao contraditório.
O tempo avançou e fomos nos distanciando. Costumamos dizer a VIDA é muito apressada, voa e quase não temos tempo de reencontros. Particularmente, NÃO ACREDITO. Precisamos sim, priorizar talvez, classificar o que mais importa, no corre diário...afinal, não vivemos uma sociedade de maratonistas.
Ontem, na celebração de seu aniversário, gostaria de ter comparecido e oferecer um abraço apertado por conta de muitas lembranças boas que tivemos ao longo da Vida. Mas confesso, minha terapia, infelizmente, não deu conta de determinados fantasmas pessoais. Ressentimentos e trato com a vida real podem ser fatores adversos à evolução das pessoas. Reconheço. Nós dois, e o Volnei, sabemos do que estou me referindo.
No momento da Vida em que já estava um pouco mais esperto nos assuntos que circulam no Carnaval e no SAMBA, já que um gremista pouco fala sobre futebol com um colorado, nossos interesses talvez tenham tomado outra direção. Desconfio que seja isso, afinal, nos 35 anos que nos separaram (da parceria iniciada no BRDE), poucas vezes o seu Carlos Volnei foi ao meu encontro. Alguns diriam que, preciso respeitar o jeito das pessoas. Infelizmente, não consigo muito. Acredito na força da contrapartida das coisas. Afetos e amizades devem ser como a BR 101...um caminho vai e outro volta. Simples.
Desejo com toda força que possas celebrar mais 50 anos, no mínimo, fazendo as coisas que gosta, curtindo familiares e pessoas próximas, bebendo e comendo comida boa, usando bons perfumes e, se for ao som do Fundo de Quintal, melhor ainda.
Felicidades, meu amigo.
Edinho Silva






