10 de set. de 2026

Resistir, denunciar, combater e enfrentar ...este é o grande desafio de todos e todas. O Mundo da bola e de uma Sociedade mais justa e igual merecem

                                                                                          acervo pessoal -AB

        Posentão...

        Em meados de 2020, participei de um edital de seleção à participação de um grupo de estudos e pesquisas (GEED) vinculado ao Museu da UFRGS, composto por servidores técnicos administrativos, docentes, discentes da UFRGS e membros do Observatório da Discriminação Racial no Futebol interessados na temática.

        Os encontros resultaram imergir numa área até então, por mim desconhecida. Encontros, discussões, elaboração de relatórios, reflexões comandados por pesquisadores e pelo diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o incansável Marcelo Carvalho. Além dos relatórios anuais produzidos por muitas mãos e cabeças, a iniciativa das ações do GEED contribuiu ainda para a produção de um programa de rádio, apresentado na Rádio da Universidade, a partir de uma iniciativa do escritor e pesquisador Gustavo Bandeira, sempre buscando potencializar o trabalho do Observatório de alguma forma.

        Mas qual o papel do Observatório? Organizar as discussões e produzir conhecimentos acerca do tema, à sistematização de dados e à incidência qualificada sobre a discriminação no esporte.

        Fundado em 2015, apresenta o principal compromisso de oferecer visibilidade a um problema historicamente silenciado. A atuação a partir de um Banco de dados vivo, monitorando continuamente a mídia para identificar, registrar e analisar casos de discriminação racial, LGTfobia, machismo e xenofobia  no esporte. Assim o Observatório tem marcado sua atuação e consolidando-se como a principal referencia nacional e i nternacional para pesquisadores, imprensa e instituições esportivas.

        Assim, reforçando a tão relevante luta por um Brasil mais igual, justo, tolerante, sem preconceitos já reservei espaço no guarda roupa para as peças do Observatório. Já encomendou a sua? Corre lá...o número é limitado.

Obrigado, @marcelocarvalho -  https://observatorioracialfutebol.com.br/






28 de jul. de 2026

Mais um nome de grife aproximando-se do Armazém do seu Brasil - Elba Gamino

                                                                                       acervo pessoal
                                                            

        Posentão...

        A companheira e parceira Renata Lopes, jornalista titular e colaboradora do Armazém do seu Brasil apresentou-nos mais uma pensadora, poeta, articuladora cultural, profissional da Educação que chega com seu conhecimento empírico e teórico para compartilhar conosco suas vivências e seus saberes. 

        Estamos falando de Elba Gamino, que nos prometeu suas percepções e sentimentos sobre o cotidiano, da simplicidade e o fascinio pela sincronia da vida.

        Benvinda "escrevivente"...sinta-se em casa no Armazém.


 

26 de jul. de 2026

Rua Saudável - Se esta rua fosse minha? Lembranças da minha infancia

  

                                                                                                     acervo pessoal


                Posentão...

            Percorrendo diferentes espaços em Porto Alegre nos últimos 59 anos pude caminhar por ruas, avenidas, becos e vielas (como diz o samba...), percebendo diferentes transformações no cenário geográfico de casas e bairros. Da primeira infância até os 13 anos de idade, morei no bairro Medianeira, exatamente na rua Saudável, 180. A rua é era vizinha de vias com nomes de cidades, Natal, Cuiabá, Maceió, Teresina, bem próxima à uma grande avenida de Porto Alegre, Oscar Pereira que atravessa bairros, da Azenha à Glória, Embratel, Belem Velho, Rincão e vizinha ao Estádio Olímpico Monumental (o lendário campo do Gremio).

            Nosso lar era uma casa modesta, de madeira, de 3 cômodos, junto com outras 2 no pátio dos fundos. O proprietário das casas morava na casa da frente. Um banheiro coletivo, de ducha fria,  um tanque para todas as familias e algumas poucas cordas de varal. Alguém lembra do livro "O cortiço" do Aluisio Azevedo? Era mais ou menos assim...

            Na rua de trás, a Cuiabá, tinha uma tribo carnavalesca e uma escola de samba, a Unidos do Umbu. Na rua Maceió, de chão batido, também vizinha à rua Saudável, era a pista dos carrinhos de lomba da gurizada. Na Saudável, ainda, existia um bar no meio da quadra, onde adultos jogavam baralho, bebiam aperitivos e jogavam conversa fora. Hoje tem roda de samba aos domingos (O Bar do Bruno). No número 50 existia uma "Casa de tolerância", de senhoras de vida fácil (não sei, pra quem as tais facilidades? E na esquina da rua havia uma loja de peças de carro usadas, que tinha o nome de "Sucata". Aliás, o mesmo nome do time de várzea do bairro. As crianças da rua estudavam no colégio Medianeira, na rua Gomes Carneiro e os adultos iam e vinham no ônibus Intendente Azevedo, que cruzava a Oscar Pereira.

            Tempos bons que marcaram uma etapa da minha vida. Guardo muitas lembranças e há 40 dias, passei por lá e fiquei impactado com o estado das casas, que à época pareciam bairros americanos com a beleza de suas construções. Infelizmente, o tempo e os moradores que herdaram seus imóveis "maltrataram" o território. Mesmo que não tenham sido atingidos pelas águas do Guaiba, parecem que foram pelo descaso das moradias. E o campo do Gremio? Um verdadeiro cemitério sem túmulos...tamanha a tristeza.

        E parafraseando Mário Lago, "Se essa rua fosse minha...Eu mandava, eu mandava ladrilhar....Com pedrinhas...com pedrinhas de brilhantes..."

        Por fim, reconheço que tive uma "INFANCIA SAUDÁVEL" por conta da minha rua, de mesmo nome. 

                       Edison Luis (Edinho Silva)


Em tempo: Oportunamente, escreverei as percepções e sentimentos que tive nos outros bairros onde morei.






6 de jun. de 2026

Vim para vencer - Betinho Barros PRESENTE...Bora descer da arquibancada

                                                          acervo pessoal - Armazém do seu Brasil
                                          


        Posentão...

        Felizmente, consegui  dizer pessoalmente à inesquecível Maria Helena Montier que seu canto na quadra de ensaios dos Imperadores do Samba, na av. Carlos Barbosa, era a cantiga de ninar e embalava meus sonhos em 1975. Bom demais.

        Anos depois, com a mudança de endereço para a avenida Érico Veríssimo, defronte à Zero Hora, a euforia e animação mudou de endereço. Infelizmente, "narizes torcidos" dos vizinhos liderados pelo padre motivou outra mudança de endereço. Desta vez, vizinha ao estádio do "Colorado", na avenida Padre Cacique onde permanece até os dias de hoje celebra intensamente as festividades e encontros da Cultura Popular.  

        O tempo foi passando e meu irmão Claudinho me apresentou uma familia, Jorge Mauricio, Glorinha, Mário Assanchy e Marco Adeolá (mais tarde chegou a Marina Dandara). Time robusto que ao lado de amigos e amigas mantinham a Ala da esquina, revigorada nos últimos tempos pelo primogênito Mário e dona Lisi. A camiseta da imagem no Carnaval de 97 foi um presente da familia. Aliás, esteve presente na defesa de Mestrado da Vitória Santana, filha de um outro "vermelho e branco", Luiz Fernando Silva.

        Caso fosse nominar todas as relações bacanas que fiz a partir dos "Leões vermelho e branco" possivelmente, cometeria o grande pecado de esquecer algum. Já vibrei com muitos ensaios, celebrei a vida em muitas ocasiões, já comi churrasco, já sugeri coisas, debati, critiquei e aplaudi. Fiz de tudo um pouco na minha requintada bolha de reflexões.

        Aprendi muito sobre o Carnaval com o Alan Carlos da Silva, com Vinicius Brito ...cantarolei algumas vezes, o "Povo meu" do querido Wilson Ney. E há 2 ou 3 anos vibrei muito com a chegada dos Lanceiros, grupo de compositores de Pelotas, nos espaços da Escola.

        Um dia, não lembro muito bem  quando foi? Conversava de forma empolgada sobre Carnaval com alguns colegas de trabalho, quando um colega recem chegado me perguntou: "Edison, tu gostas de Escolas de samba?" Respondi que sim...A resposta dele foi a seguinte: "cresci numa escola de samba, eu, minhas irmãs e meus pais". Respondi, de pronto..."Bah...que legal!! vais me ensinar  alguma coisa...sou muito curioso." falei. Sabe o que ouvi como resposta?? Com o maior prazer, sou o Átila, filho do Roberto Barros - o Betinho dos Imperadores. Já ouviu falar algo sobre ele?? Quem não...respondi.

        Agora, no meio da semana, a Escola divulgou seu tema enredo para 2027 - Betinho Barros - Eu vim para vencer!! Putz!!! Garantia de quadra cheia em todas as atividades. Diria até que faltará fantasias e alegorias para o desfile, tamanha unanimidade do carnavalesco.

        Então o que nos resta fazer?? Descer da arquibancada e sambar no Imperador 0\0\0\0\0\0\0\0\0\0\0               

                       Edinho Silva


https://www.instagram.com/p/DZJd7q2RTak/


17 de mai. de 2026

Jaime Eduardo - um baita cara...que cruzou minha vida

 

                                           A imagem registra um trio que mora em meu peito


            Posentão...

            Semanalmente, recebia uma ligação de um grande amigo que a Vida me apresentou - Jaime Eduardo Andrade. Todo domingo pela manhã aguardava ansioso o telefonema do Jaiminho para trocarmos dicas culturais e boas risadas da vida alheia. Tempo bom demais...

            Na imagem acima, ELE posa feliz nas arquibancadas do Grêmio ao lado da irmã Cinthia e da mãe Maria Helena. Se é difícil descrever as boas lembranças, sem emocionar-se? Um pouco...descrever a sintonia e os laços de afetos que o pessoal aqui de casa nutria pelo Jaiminho? Nada difícil. Como falei anteriormente, o Jaime era meu parceiro de boas resenhas, troca de dicas sobre música do Brasil, fofocas entre amigos, muita gargalhada em nome de bom humor e deboche alheio, xingamentos e opiniões divergentes sobre qualquer assunto e um abraço afetuoso que rolava na direção de minha familia.

            Algumas pessoas que me conhecem, afirmam que sou duro e não costumo chorar...Enganam-se, pois já chorei muito nesta vida. E a ausência de meus pais, minha vó querida, as parentes de Bagé e de Porto Alegre, assim como amigos como o Jaime, o Paulo Rosa, a Eugênia, o Tiaraju "parente", o nego Lom e muitos outros e outras que me falham a memória, possuem o mesmo peso. 

            Em determinados períodos do ano, destes tempos agitados que vivemos, confessadamente nos fragilizamos  e permitimos que a tristeza nos absorva. A lembrança das melhores memórias nos oferecem boas risadas e uma saudade que aperta "um pouco bastante"...

            Sei ...lá!! Haja...força.                                      



Tem Samba quente no céu...né mesmo Nego Lom??

                                                                                                    acervo pessoal


            Posentão...

            A imagem registra um momento especial de minha caminhada de vida. De um lado, meu amado irmão, Claudinho, de outro "euzinho" e no meio, nosso querido Manoel Jeronimo Fraga da Rosa, o "nego LOM", da Vila Floresta e do Samba Quente.

            A expressão de alegria do Claudinho traduzia bastante nossos sentimentos de afetos e carinhos que sempre tivemos entre o trio. Conheci o "nego Lom" no meu primeiro emprego, onde pudemos trocar muita resenhas, risadas, passes no campo da Sede Campestre e nas quadras de Futsal de Porto Alegre. O cara além de amar Futebol, sacudia as pernas quando o assunto era SAMBA. Colorado de quatro costados, tinha no convívio de "flautas e divergencias" futebolísticas muito assunto.

            Carnavalesco e sambista, destacava-se na liderança do grupo formado pelos irmão e amigos foi uma das pessoas que me aproximou deste ritmo tão legal que é o SAMBA. Potencializou minha aproximação ao Carnaval quando me apresentou à Vila do Iapi, na AMOVI. Costumava frequentar as quadras da Praiana, dos Bambas, dos Imperadores, do Umbú...mas, foi na Vila do Trem tricolor, onde o Lom era ritmista que o contato foi mais intenso.

            As festas de samba que esquentavam bares e restaurantes do Centro da Cidade também eram espaços de reencontros e novos encontros de amigos e amigas ao ritmo de muito samba e batucada. Lá pelos idos do final dos anos 90 em diante muitas pessoas que apreciavam uma boa noite de samba aguardavam a chegada da sexta-feira com muita ansiedade para conferir de perto o versátil repertório do Grupo Samba Quente. E assim foi no Restaurante Panela de barro, na Vigário José Inácio, no El Bodegon, na Riachuelo, no Fada Lanches, na rua Leonardo Truda ou no Cia do Sabor, na rua dos Andradas...O Centro Histórico de Porto Alegre esquentava mesmo.

            Infelizmente, a Vida tem ciclos e apresenta-se com uma velocidade espantosa. Se hoje estamos sorrindo, amanhã, também posso partir como diz o famoso samba que o Zeca Pagodinho canta. E assim, fica guardada na memória bons tempos de vivências inesquecíveis em bares, rodas de samba como as do Império da Zona Norte aos sábados de tarde, em eventos "sambísticos" de amigos. A presença física do Manoel Jeronimo, um filho de Xangô dos bons, e de seus irmãos e irmãs ficarão para sempre na memória.

            Nunca tive dúvida de que, a tia "Jura" sua querida mãe, está em algum lugar de um outro plano cercada dos filhos e das filhas sambando e gargalhando como era comum no lar da rua Monte Flor, 17, na Vila Floresta.

            Sem muitas lágrimas, apenas uma baita saudade...      

            

 

29 de abr. de 2026

Da Série "Desfazendo mitos e celebrando a Cultura Popular" - O Carnaval e suas jóias preciosas - Parte 1


                                                                                        acervo da Escola

Posentão...

Há alguns anos ouço vozes apressadas e injustas até, carregadas de preconceitos e desconhecimentos sobre Arte, Cultura, História, Brasilidades e coisas do NOSSO BRASIL. O Carnaval é assim...tem este compromisso com nossa gente e nossa arte. Instrumento de conhecimentos, cidadanias, educação e Cultura. 

Quem diz que a festa brasileira identificada como Carnaval resume-se apenas aos tambores e  instrumentos percussivos das baterias, aos corpos desnudos e ritmos envolventes desconhece COMPLETAMENTE o valor da História de nosso chão e de  nossa gente.

Os temas enredos e tudo que cerca os desfiles de Escolas de samba  são, sem dúvida alguma, a mais relevante e ilustrativa forma de expressão artística, estética, histórica. O que isto representa?? Tudo. Nos processos de descobertas e redescobertas de nomes do Brasil, de todos os tempos. Conhecer nossas origens é um dever de todo e de toda brasileira. Assim, se percorrermos temas enredos de todo o Brasil, perceberemos agradáveis surpresas em relação à proposta de reflexão. Aprender um pouco de nossa história com ritmos é algo "impagável". Sei disso...há uns 40 anos...mais ou menos. 

No Carnaval Carioca, por exemplo, a agremiação de samba Unidos de Viradouro, trouxe para a "Marques de Sapucai", como é c onhecido o sambódromo de Porto Alegre, um tema fantástico: Rosa Maria Egipcíaca - a negra autora do primeiro livro no Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=fIY_l2xzdLc

https://www.youtube.com/watch?v=t6jNdzLYw4M