acervo pessoal
Posentão...
Percorrendo diferentes espaços em Porto Alegre nos últimos 59 anos pude caminhar por ruas, avenidas, becos e vielas (como diz o samba...), percebendo diferentes transformações no cenário geográfico de casas e bairros. Da primeira infância até os 13 anos de idade, morei no bairro Medianeira, exatamente na rua Saudável, 180. A rua é era vizinha de vias com nomes de cidades, Natal, Cuiabá, Maceió, Teresina, bem próxima à uma grande avenida de Porto Alegre, Oscar Pereira que atravessa bairros, da Azenha à Glória, Embratel, Belem Velho, Rincão e vizinha ao Estádio Olímpico Monumental (o lendário campo do Gremio).
Nosso lar era uma casa modesta, de madeira, de 3 cômodos, junto com outras 2 no pátio dos fundos. O proprietário das casas morava na casa da frente. Um banheiro coletivo, de ducha fria, um tanque para todas as familias e algumas poucas cordas de varal. Alguém lembra do livro "O cortiço" do Aluisio Azevedo? Era mais ou menos assim...
Na rua de trás, a Cuiabá, tinha uma tribo carnavalesca e uma escola de samba, a Unidos do Umbu. Na rua Maceió, de chão batido, também vizinha à rua Saudável, era a pista dos carrinhos de lomba da gurizada. Na Saudável, ainda, existia um bar no meio da quadra, onde adultos jogavam baralho, bebiam aperitivos e jogavam conversa fora. Hoje tem roda de samba aos domingos (O Bar do Bruno). No número 50 existia uma "Casa de tolerância", de senhoras de vida fácil (não sei, pra quem as tais facilidades? E na esquina da rua havia uma loja de peças de carro usadas, que tinha o nome de "Sucata". Aliás, o mesmo nome do time de várzea do bairro. As crianças da rua estudavam no colégio Medianeira, na rua Gomes Carneiro e os adultos iam e vinham no ônibus Intendente Azevedo, que cruzava a Oscar Pereira.
Tempos bons que marcaram uma etapa da minha vida. Guardo muitas lembranças e há 40 dias, passei por lá e fiquei impactado com o estado das casas, que à época pareciam bairros americanos com a beleza de suas construções. Infelizmente, o tempo e os moradores que herdaram seus imóveis "maltrataram" o território. Mesmo que não tenham sido atingidos pelas águas do Guaiba, parecem que foram pelo descaso das moradias. E o campo do Gremio? Um verdadeiro cemitério sem túmulos...tamanha a tristeza.
E parafraseando Mário Lago, "Se essa rua fosse minha...Eu mandava, eu mandava ladrilhar....Com pedrinhas...com pedrinhas de brilhantes..."
Por fim, reconheço que tive uma "INFANCIA SAUDÁVEL" por conta da minha rua, de mesmo nome.
Edison Luis (Edinho Silva)
Em tempo: Oportunamente, escreverei as percepções e sentimentos que tive nos outros bairros onde morei.






