Posentão...
Esta entra na conta do Zeca do Surdo que nos ofereceu um relato de um colega "de caserna" enquanto esteve na ativa.
Era semana de preparativos das comilanças da Páscoa. O almoço na casa dos pais do Cidão era aquelas festas de familia onde muita gente se reuni. Vinhos, frutos do mar, sobremesas, "Ninhos e chocolates" escondidos, crianças felizes, muita animação e tudo de bom que encontros de familia podem promover.
O local escolhido para o "almoço festivo" foi a casa do seu Juvencio, o sogro do Cidão. Pátio amplo, vegetação, geladeiras para guarda de "lotes de bebidas", coisas afins. Combinaram de cada uma das familias trazer um prato para o encontro transformar-se em evento cooperativado e assim todos gastam menos.
O Cidão, sempre "ousado", sugeriu à turma um rateio para a compra de uma peça de salmão para testar uma receita nova de peixe assado em folhas de bananeira e enterrado em fogo de chão. Segundo ELE, o resultado seria um prato delicioso.
Os cunhados do Cidão, o exigente Claudinho e o Teixeira, reconhecido por seu rigor em relação aos cuidados com alimentação e aplicação do dinheiro alheio, estavam temerosos com a iniciativa do "Master chef" de youtube. Dona Célia, mãe dos moços, esposa do vô Juvencio, tomou a frente e assumiu a defesa da iniciativa do Cidão. Arrecadariam o dinheiro de todos e o cozinheiro iria ao Mercado Público comprar o peixe, providenciar as lenhas, as folhas de bananeira, fazer o buraco para o fogo. A missão era toda dele. Assim combinaram.
Depois de algum tempo, o Cidão chegou com a "bonita peça de salmão". Aliás, bela e cara peça de peixe. Ultrapassou as estimativas de gastos da turma. Mas como a vovó Célia estava de acordo, tudo certo.
O Chef foi para o fundo do pátio de pá em punho e cavou uma profunda cova. Acomodou as lenhas e ateou fogo. Temperou o salmão, enrolando num papel de alumínio e nas folhas de bananeiras, posicionou em meio às brasas, colocou mais lenha e ficou aguardando a carne assar.
Abriu a primeira garrafa de vinho, serviu numa taça e ficou ao redor do fogo. Zeloso e atento. Os demais parceiros estavam diante da televisão acompanhando uma rodada do Campeonato Espanhol. A vida da primeira garrafa foi curta. Abriu a segunda e colocou mais lenha no fogo do peixe.
Ao começar abrir a terceira, a turma do futebol se juntou para conferir o trabalho do Cidão e ajudá-lo a levar o "quitute" à mesa. A ação de afastar brasas ardentes é muito dura e com alguma dificuldade foi possível alcançar as folhas de bananeira e, consequentemente o "salmão", temperado com especiaria e muito limão siciliano.
Pra surpresa geral, quando o peixe foi avistado: UM CHOQUE. A bela e cara peça tinha se transformado num pedaço de fruto do mar, tostada pela ação exagerada que o volume de lenhas provocou no assado do Cidão. Não foi possível aproveitar nada.
O cunhado Claudinho, esbravejava e reivindicava seu dinheiro de volta. O outro, Teixeira, estava preocupado com o almoço. A sogra e mãe dona Célia, apaziguadora, tentava acalmar os animos dizendo que as filhas "apelariam para algumas latas" de sardinha, em harmonia com as saladas e a refeição estaria salva. O sogro, seu Juvencio, ficou mudo num canto. Confessou a uma de suas netas "seu tio Cidão, exagerou na dose...seu EU participar da discussão, darei umas pauladas e colocá-lo a correr daqui...Se dependesse da minha opinião, nem almoçava".
E o assador e "master chef" o que dizia?? Pouca coisa. Entre estas: "Eu sabia que não poderia misturar vinho chileno com nacional...poderia dar problemas!!!" Eu e o Zeca do Surdo, temos uma certeza: Três garrafas de qualquer nacionalidade amolecem as pernas de qualquer um.
E o "Sangue de boi" é que levou a culpa....rsrsrsrsrsrs
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