10 de abr. de 2012

Oportunidade sagrada de ficar calado

         Habitualmente, não costumo ingressar em polêmicas da internet. Mas o assunto era de interesse máximo nas rodas de bate papo no Armazém do seu Brasil. Qual era? O SAMBA NOSSO DE CADA DIA. Sim, isto mesmo, o assunto começou numa entrevista de revista de circulação nacional e invadiu o país. Ou pelo menos, os lares verdes e amarelos que apreciam um dos maiores patrimônios culturais brasileiros - O SAMBA.

     Pois, o atrevido, pretencioso e príncipe do le-le-le, Thyaguinho (ex-Exaltasamba), agora em carreira solo, declarou numa revista que "É uma métrica diferente. Eu até influencio outros artistas do meu meio. Eu me sinto honrado em poder ter mudado um pouco a história do samba". Diz o cara.

     É muita soberba do moço. Se foi mal interpretado? Pagou caro a vaidade. A roda de samba foi paralisada por alguns minutos para discutirmos as repercussões de tudo isso. O João do Brasil, abriu o notebook no meio da roda e mostrou a todos os interessados seu facebook e uma postagem da renomada jornalista, sambista, estudiosa e inquieta Vera Daisy Barcellos, nossa amiga de longa data. Nesta postagem, havia um texto de autoria doéMarcos Salles , também jornalista, roteirista, produtor, diretor de shows, CDs, DVDs e eventos e colunista do SITE PAPO DE SAMBA desde 2007. jCoisa bacana e generosa.

        Passado a sessão debate, a galera do Puro Astrhal e o Juliano Barcellos, cheios de luz e energia e "pegaram firmes no couro" e botaram o povo para sambar. Logo em seguida, como agradecimento, Tianinha e a Dona Morena, correram para servir um suculento prato de feijoada brasileira a cada vez mais amiga do Armazém do Brasil, a verde-rosa  VERA DAISY Barcellos.  

Acessa lá, na contribuição da moça: http://papodesamba.com.br/noticia.php?id=3411
Abraços a todos.

Edinho Silva

28 de mar. de 2012

Jorge Aragão x cervejas na conta alheia




                    Era inicio do mês de dezembro e o verão já se anunciava. Um grupo de amigos, funcionários públicos estaduais, entre eles o João do Brasil, organizaram uma excursão à cidade de Rio Grande para a disputa de uma partida de futebol e uma roda de samba.
Num total de 30 pessoas - alguns comportados, outros "moleques", uns sérios e outros desordeiros, enfim, gente do bem com espírito juvenil. Logo no primeiro desembarque, já em Rio Grande, para o devido reabastecimento das bebidas (afinal, comer para que??), o samba correu solto. Os integrantes da excursão, casais, solteiros e solteiras, sambavam e cantavam na maior euforia. Os adeptos a uma gelada, aproveitavam a parada para tomar mais algumas. Enfim, alegria geral.
                      O recatado Leonardo - o Leozinho Batucada, ligeiro como ele só, ao dirigir-se para o banheiro ouviu dois senhores bem vestidos conversando num dos corredores do restaurante/paradouro sobre a discografia do Jorge Aragão. O Leozinho ao voltar para a mesa da roda de samba e ávido por mais algumas geladas na conta alheia, puxou pelo braço o Carlinhos do cavaco, o gogó do grupo, e confidenciou o que havia ouvido dos senhores. Sim. Acreditem!! O danado queria sensibilizar os "doutores" a pagar mais algumas.
                       E não é que o Carlinhos entrou na dele. Arrancou com "Alvará", emendou com "Enredo do meu samba", "Coisinha do pai" e foi cantando, enquanto os senhores bacanas aproximavam-se do samba. E o esperto do Leozinho, arredou duas cadeiras e acolheu os "convidados especiais" pescados pelo esperto. Um deles, dr. Romeu, o mais animado, funcionário do Ministério da Fazenda aposentado, perguntou ao moço sobre a grata coincidência que presenciou. Um grupo de sambistas executar justamente o compositor que ELE e seu amigo mais gostavam. O esperto Leozinho não só reforçou a coincidência, como disse que o grupo inteiro AMAVA o Jorge Aragão. O dr. Romeu chamou o garçon e bancou cerveja. Ouvia um samba, pedia uma meia dúzia. Ouvia outro, seu parceiro bancava outra meia dúzia. Assim a continuidade da excursão foi retardada, os amigos felizes, o Leozinho completamente embriagado e o Carlinhos até hoje, nunca mais cantou qualquer música do Jorge Aragão. Por que?? O tio João do Brasil, desafia - " Experimenta cantar o mesmo artista por duas horas ininterruptas?? Nem pagando, né??
                    Pois, o Carlinhos do cavaco, tocou inúmeras vezes a "Ave Maria", pedindo baixinho para dupla de convidados irem embora e o chato do Leozinho parar de pedir cerveja na conta alheia. 

27 de mar. de 2012

Jornal de vizinho

                 Ricardinho adora uma leitura pode ser uma boa revista, um livro da moda ou um jornal do dia. Bah!! Um jornal fresquinho é com ELE mesmo. E se for de graça então?  Nem se fala. Pois, o moço, pagodeiro de quatro pandeiros, começava sua semana de samba na quinta-feira. Direto até domingo. Nas sextas-feiras  e nos sábados voltava para casa ao nascer do dia, com um pãozinho debaixo do braço e cheio de geladas na cabeça.
                    Pois, numa destas noitadas de final de semana, o Ricardinho “bem turbinadinho”  ao chegar em casa avistou o jornal do vizinho na porta. Acho que, não comentei sobre isso - O moço não gostava muito de gastar nas tais leituras . Respirou fundo e passou a mão no jornal do vizinho, o mais rabugento do prédio, diga-se de passagem. Como era muito cedo (6h da manhã) o cara de pau, nem titubeou. Passou a mão no jornal do vizinho assinante.
                 Entrou no seu apartamento, tomou um cafezinho e foi deitar-se. O sono demorou algo mais de uma hora. A campanhia tocou forte. O Ricardinho nem moveu-se da cama, abriu um olho e o outro manteve fechado. Lá pelas 8h, novos toques na campanhia. Era o vizinho. Às 9h30min, mais toques e desta vez, insistentes e furiosos. Resolveu atender e abrir a porta. Cheio de sono, bafo de cerveja, de cuecas samba canção e cara de poucos amigos.
                  O vizinho com uma expressão mais furiosa ainda, com cara de poucos amigos foi incisivo: “Não quero nada com o senhor, nem sua amizade, seu sorriso, seu cumprimento APENAS MEU JORNAL  DE VOLTA !!! SE NÃO QUER DEVOLVER PELO MENOS EMPRESTA, PÔ!!! Pois, não é que o vizinho tinha espiado pelo olho mágico o Ricardinho “descuidando” seu jornal??
                Completamente, desconcertado devolveu e evita até hoje reunião de condomínio quando descobre que o seu Anacleto, o aposentado ranzinza está presente. Pelo menos, o Zé Prettin nunca o viu por lá.

13 de fev. de 2012

O caminhão passou, mas deixou algumas frases...


             
     “Bom filho à casa torna”, “Deus ajuda a quem madruga”, “Quem corre por que quer não cansa”, “Pau que nasce torto, nunca se endireita” são alguns ditos populares que me intrigam. O primeiro deles por exemplo, restringe qualquer saudade que o filho desgarrado possa ter em relação à família. Se o bom pode voltar, por que o “não tão bom” fica proibido de retornar para o lar?? E a vida dos guardas noturnos, os policiais, profissionais da saúde plantonistas, os djs, taxistas de madrugadão, o tiozinho do cachorro quente não serão abençoados pelo CRIADOR?? E quem corre porque quer cansa sim. Pergunte aos vencedores da última São Silvestre?? Ou a algum jogador de futebol ou piloto de automobilismo?? E o pau que nasce torto, não tem salvação?? Tem sim. 
             Com o progresso, ousadia e criatividade da nova escola de design de móveis qualquer  “pau torto” ou madeira velha transforma-se em móvel da moda. Né mesmo?? Então “VIVA” os ditos populares e nossa ânsia em fragmentá-los e buscar os contrapontos. Afinal, a vida deve ser vista, olhada, observada e analisada sempre com dois olhares. Por que?? Porque tem que ser assim. Se as flores nascem em meio às pedras, trapezistas descem do trapézio, incorporam-se de palhaços, vendem algodão doce e dão autógrafos ao final do espetáculo. Por que não fazer uma saborosa limonada com um único limão que está quase azedando??

Edinho Silva

Telefone celular de todos os dias

        O Valmirão, surdo mestre da bateria do Unidos da Lomba Grande, é um sujeito cheio de ritmos, porém extremamente atrapalhado com suas coisas pessoais. Pois, o cara decidiu trocar seu telefone celular e de operadora. Toda a galera circulava com novos modelos cheios de cores e recursos, musiquinhas diferentes, etc. Era inconcebível que o  “cara do surdo, da bateria do Mestre Sereno” não tivesse um também. Entrou na loja de uma das muitas operadoras da Cidade e foi seduzido a comprar um aparelho bacana e aderir a um novo Plano de conta de telefonia móvel. Tinha um de cartão da V...., com conta controlada e queria trocar para um da CL...O , mais bonitinho. Só tinha um problema. Os aparelhos disponíveis eram de conta, pelo menos era o que dizia a vendedora. O ritmista Valmirão lembrou que sua mãe possuía um aparelho móvel da mesma operadora CL...O,  e poderia aproveitar os 1250 minutos de aparelho para aparelho que a vendedora  oferecera. O moço mantinha um vínculo forte com sua “mamis”, falava mais com a velhinha do que com as namoradas.
               Fechado negócio. Transferiu a agenda velha para o novo aparelho e tocou a vida. Quando sua mãe, dona Cristal, ligava ele pedia para que, desligasse e deixasse por sua conta a ligação (Afinal, falar 1250 minutos por mês era uma barbada, né mesmo??). Fez isso inúmeras vezes e as conversas com a progenitora não tinham fim. Na última semana do mês, em meio a uma das tantas conversas com a mãe, o moço resolveu perguntar: “Oh, mãe, me responda uma coisa?? Tu usa a operadora CL...O há muito tempo?? Resposta imediata: “Usei sim, mas faz tempo. Seus serviços começaram a ficar ruim, tive que mudar” – afirmou a velhinha. Por uns minutos, o Nêgo Valmir ficou mudo. “Quer dizer que falava contigo, todo esse tempo no telefone residencial??” – perguntou ELE. “Sim” – respondeu sem entender nada, a nobre senhora.
            Não preciso dizer quanto custou a fatura de telefone do cara no mês seguinte. O Carlito Trovão afirma que, o Valmirão pegou uma raiva de telefone celular até hoje. 

Praia legal

                    
              









           Decididos a curtir o sol e o mar das terras catarinenses, Beto Cavaco reuniu os colegas da Faculdade, os protetores solares, as roupas de banho e partiu em busca de alguns dias de férias no litoral. Chamou para a aventura sua namorada Carina e os amigos Julinho, Carlão, Zé Prettim, Heleninha, Verona, Michele, o Léo, a Lila, a Marcinha e o Tonico. Em 2 carros rumaram para a Praia da Guarda do Embaú. O Prettim tinha intermediado a locação da casa de um amigo de seu chefe. Não era comum a residência ser alugada, pois a família do bem sucedido advogado da empresa, dr. Claudio Moreira, costumava veranear todos os anos. Como a relação entre seu José - chefe do Beto Cavaco e o dr. Cláudio era muito forte, a concessão foi realizada. A casa era uma beleza e por 7 dias seria o endereço da turma. E o Beto?? Era queridinho do chefe, então levou.
          Super equipada, com a geladeira cheia a casa foi disponibilizada para os jovens. A farra foi geral, muita música, azarão, carne assada e bebidas geladas. O churrasco e a bebedeira era diária. Parte da turma, entre eles o Zé Prettim e sua namorada Lila, deveriam retornar mais cedo do final da temporada. Ficariam na casa para a saideira: o Carlão, Beto Cavaco, Marcinha e a Michele. Na maior euforia no penúltimo dia, o quarteto armou uma festa de arromba na casa alugada. Ao acordar na madrugada, o Beto e o Carlão, um pouco ressacados foram diretos à geladeira beber algo refrescante que não fosse cerveja ou algum destilado. Depararam com embalagens de sucos naturais pertencentes a um dos filhos do dono da casa. Com comportamento hiperativo, o garoto costumava consumir os sucos misturados a medicamentos calmantes. Enfim, mexer naquilo que não nos pertencem tem um preço, né mesmo??.
         Os malucos depois de consumirem quase 2 litros de suco alheio(lotado de calmantes), adormeceram por 48 horas ininterruptas. Perdendo completamente a noção de relógios e calendários. E com isso, a completa responsabilidade em relação ao compromisso firmado para levantarem acampamento.  Nem é preciso anunciar que o Beto não frequentou mais aquela praia, aquele grupo e, tampouco, a lista preferida do seu José, seu chefe na empresa.  

27 de dez. de 2011

Um lombo diferente




           Na tarde que antecedia as comemorações do Revellion, o nego Claudinho chegou na casa da sogra todo animado com uma garrafa de uisque importado (comprou de um colega que viajou ao Paraguai), um livro de receitas e um punhado de temperos e especiarias direto do Mercado Público. O cara estava disposto a surpreender a todos na ceia do Ano Novo. Durante a vida toda, seu talento de "grand chef" limitava-se a preparar miojos e ovos fritos. Apenas isso. Agora a situação se modificara, pois com o novo livro e muita boa vontade tudo seria diferente. 
        Sem alertar muito e sem detalhar o que faria, pediu permissão para utilizar a cozinha e não ser importunado durante o preparo do prato. Como não havia providenciado os insumos, abriu a geladeira e foi logo pegando a primeira peça de carne que avistou - um belo lombo suíno. Assim começava a ser definido, o grande prato da noite: Lombo escocês com ervas finas. O nome e a receita constava na página 73, do livro de receitas internacionais, recentemente comprado.
                      As festas na casa do seu Orlandinho, o sogro, instrutor de defesa pessoal da Academia de Polícia, tinham uma característica cooperativada. Os convivas traziam um prato e o anfitrião oferecia as bebidas. O tradicional lombo de porco era preparado pela Dona Neusinha, sua mulher e sogra do Claudinho, pois seu tempero era famoso entre os amigos e familiares.  Naquele ano, sensível aos apelos do genro, sem contar ao marido, abriu mão da preparação do prato. "Tudo contigo, Claudinho. Não vá me desapontar, hein??" - anunciou a simpática senhora. "Prometo blindar a cozinha e impedir que alguém chegue perto" - finalizou.
            Livro aberto, forma untada, farofa pronta, carne sobre a bancada, temperos socados, um primeiro banho de uisque no bicho (a receita original previa gotas de conhaque, mas como o moço havia aberto a garrafa para experimentar o scott), cobertura na cabeça, avental e mãos à obra. Era meio copo de uisque no lombo suino, um copo com gelo no lombo do Claudinho e assim foi até o forno pré-aquecido ser utilizado para o devido assado.
             Após quase duas horas de cozimento e de muito cuidado por parte do zeloso Chef que, abria a cada 15 minutos o forno e banhava um pouco mais o lombinho com o molho especial e o uisque, foi concluído o prato. Bastava talvez, algum pequeno detalhe. O grande final,como diriam os entendidos do assunto. Logicamente, que o moço ficou bebericando o destilado sistematicamente. 
           Ao retirar do forno o lombo, muito bem temperado, porém ligeiramente endurecido(!), o Claudinho imaginou impôs um último toque pessoal. Olhou para a garrafa do Grand's e avistou um último copo da bebida. Sim, era Grand's numa garrafa de Grant's. Cobriu a carne com a bebida e tascou fogo buscando FLAMBAR o prato, conforme havia assistido num programa de televisão. A sugestão não constava na receita, mas o genro queria somar pontos com o sogrão. E o resultado?? Carne dura, tostada e queimada, uma cozinha enfumaçada e imunda, uma garrafa vazia, o livro com as páginas manchadas e o Claudinho falando um dialeto que até hoje ninguém entende. Para evitar a maior confusão, Dona Neusinha buscou socorro com a Tianinha e a Dona Morena que juntas prepararam às pressas outro tipo de carne suina para agradar o marido da amiga e salvar a pele do quase cozinheiro Claudinho. Enquanto as amigas preparavam o quitute, mãe e filha - Neusinha e Tinica, davam um banho de mangueira nos fundos da casa do seu Orlandinho. O agitado e bom garfo, policial campeão de luta livre.