26 de dez. de 2011

Soro bandido


Dezembro é mês de festas, reencontros, presentes, concertos musicais, afagos, confraternizações, belos pratos, espumantes e sorrisos nos  rostos.  Pelo menos deveria ser assim. No último dia 11/12/2011, depois de curtir com a família uma festa  bem legal numa área rural próxima à Porto Alegre preparava-me para um repouso e depois uma  visita a algum shopping da Cidade levar meus afilhados e as respectivas cartinhas ao bom Velhinho. No domingo, dia 12/12, também estava previsto  um programa de alto nível – Concerto de Natal  no Parcão com a Orquestra Sinfônica da PUC e show especial do Paulinho da Viola. Não consegui realizar nada de que havia planejado. Um cálculo renal que obstruiu o uretér  e provocou uma infecção urinária “das  brabas”. Cheio de febre alta, corri para um atendimento hospitalar no Mãe de Deus e após 38 horas de espera numa poltrona na sala de medicação, consegui  um leito. Realizados alguns procedimentos e ingerido uma severa dosagem de antibióticos a situação foi normalizando. Um fato novo e inesperado do processo foi uma “barbeiragem” do serviço de enfermagem do Hospital. Na condição de diabético que sou , cheguei com as taxas acima do aceitável. Inexplicavelmente, após um dos procedimentos me foi aplicado medicamentos com soro glicosado. Ou seja, numa das medições os números atingiram a marca de 450 de glicose. Um absurdo. Se o cálculo e a infecção não me derrubassem a galera do soro não perderia chance. Felizmente, tudo foi controlado. Mas confesso a vocês que preferia  ter comido uma TORTA DE MORANGO com chocolate acompanhada de uma coca-cola bem gelada e bem doce.
O coração fica agitado, mas seguramente com mais prazer.   
To de volta, hein??

Abraços a todos.

Edinho Silva

26 de nov. de 2011

Um assédio com estilo



             Nosso amigo Betão e seus 104 quilos, 1,98 de altura, braços de estivador e toda sua paciência de profissional de segurança pessoal rumou para uma conhecida loja de departamentos para comprar um terno novo para o casamento de seu irmão.
             Em meio a “araras” e cabides, Betão movimentava os variados modelos de camisas que combinassem com sua gravata e o restante da roupa escolhida. A indecisão era grande e enquanto não se resolvia, aproximou-se um senhor, cliente também, bem vestido e com boa fala mostrando-se  muito solícito e sorridente.  O Betão, fingindo não ser com ELE os sorrisos amarelados que vinham na sua direção, mudava de departamento, a todo instante. Aproximava-se das calças, lá vinha o titio a dar palpites. Rumava até os ternos, lá vinha o sorridente senhor.
                Já passava um bom tempo quando o Betão encontrou o modelo que lhe agradou. Entretanto, o preço era alto e distante das reservas do nosso amigo Betão. O simpático senhor não resistiu e aproximou-se falando, quase a seu ouvido: “Moreninho, escolhe a camisa que quiseres com a condição de usar o outro presente (cueca de seda, que trazia consigo) que reservei  para ti. E a prova será na minha casa. Vamos???” O Betão sem pensar muito sobre o assunto deu um empurrão no homem, arremessando-o sobre outras “araras” e composições de cabides próximos. Voaram roupas, galanteador ao chão. Maior fiasco.
             Furioso,  Betão saiu caminhando na direção da saída da loja e próximo à porta de acesso um atendente da loja solicitou sua opinião sobre os serviços  oferecidos. Na hora sem medir as palavras, Betão afirmou: “Falta de respeito total. Na próxima vez, que receber cantadas masculinas baratas vou “baixar o braço” geral. Vai sobrar até para o gerente, já pode avisar” – bradou o moço.
O Carlito Trovão disse que o amigo não é de brincadeira.

Calça nova

              




           A corrida às compras de Natal já iniciou e neste ritmo o Miranda, amigo do Zé Prettin,  percorria um  badalado shopping de Porto Alegre  na companhia  da sua noiva – a Isolda, a vistosa mulata, que mantinha a forma nos  requebros como  passista e oficineira de ritmos da Escola de samba da Zona Leste da cidade. O casal desfilava feliz quando cruzou seu caminho uma  bela mulher, toda sensual  e com uma calça justíssima. O Miranda conteve-se e conseguiu disfarçar  a mira de seus olhos.
Um pouco mais adiante, uma outra “musa” desfilou diante dos dois e dessa vez com uma calça mais justa ainda. Nesta ocasião o  Miranda  não conteve-se, virando descaradamente o rosto e fulminando a mulher. A Isolda enfurecida percebeu beliscou o braço do cara: “Pô, nego, qual é a tua??  Não me respeita??”. O cara de pau, prontamente, respondeu em tom ofendido e cheio de razão: “Pô, Isolda. Depois não reclama do Papai Noel. Estava prestando atenção no modelo da calça que iria te dar de Natal”. Logicamente que, a noiva não engoliu muito a tal justificativa. O Zé Prettin, comenta que o Mirandão já percorreu Porto Alegre inteira na busca da tal calça com detalhes metálicos nos bolsos para presentear Isolda.
Maldita hora que o pescoço do cara virou, né mesmo??

Agilidade na luta

O negão Clodoaldo tem três paixões na vida: o samba de Paulinho da Viola, namorada nova e lutas de boxe. Adorava ver o Mike Tyson nos ringues e a batucada do Paulinho no som do carro. E as novas namoradas?? Putz, ficava completamente balançado com as moças.
Certo dia, cheio de amor para dar, o negão Clodô – como seu público feminino o tratava – convidou a Bebete, sua vizinha bonitona do 404 para tomar um chopinho e dar uma esticadinha na noite. O casal trocava olhares há muito tempo, no elevador, nas reuniões de condomínio, no playground e em todos os cantinhos do prédio. Como era uma atração secreta e proibida deveria ser longe de casa e com a maior brevidade possível. Depois de algum tempo e de algumas estratégias, chegou a grande noite. Coincidentemente, na data em que um lutador de boxe desafiante enfrentaria a máquina de dar socos, chamado Mike.
O Clodô, cheio de segredos, sugeriu uns chopps, carícias, petiscos e direto para um local mais reservado, pois não queria perder a luta e a oportunidade de “amar” a vizinha. A moça, fogosa e faminta, abriu mão dos petiscos e pedindo uma pizza de 4 sabores (portuguesa, bacon, Califórnia e mafiosa) com uma generosa porção de batatas fritas cobertas de queijo parmesão. O rapaz precavido pegou leve, porém a Bebete mandou bala. Comeu muito, misturando TUDO que baixava na mesa. Faltando 60 minutos para o início da luta, sem alertá-la sobre o evento, o negão convidou a moça para rumar para o aconchego de um motel. No caminho, a bonitona queixou-se de dores na barriga, o Clodô não deu muita importância e pisou firme no acelerador do carro. Ao som de “Coração leviano, na voz do Paulinho da viola” o cara chegou na recepção do motel pedindo às pressas as chaves de um apartamento para que a companheira pudesse adiantar “os trabalhos” no vaso sanitário enquanto era preenchida a ficha cadastral.  No mesmo instante que a moça invadia o banheiro, o moço posicionava-se diante do televisor para assistir a luta. O mal cheiro que vinha do banheiro tomava conta do ambiente e era insuportável. O Clodô continuava fissurado na luta, afinal de contas, era o Mike Tyson.
Há poucos instantes de começar a luta, a Bebete chamou o Clodô. O papel higiênico chegara ao fim e a moça estava necessitada. Contrariado, porém solícito, o moço foi ao encontro da “querida”. O aroma que vinha do ambiente era insuportável, mas a situação era de utilidade pública mesmo. Ao retornar para a poltrona e continuar conferindo a luta, percebeu que a mesma já havia acabado. Para  quem não lembra, com o Tyson não tinha brincadeira. Era nocaute no primeiro round. Sem muita conversa.
Indignado e “desapontado”, pois o aroma doce de queijos e todos os insumos da pizza que haviam fermentado no aparelho digestivo da moça acrescidos da frustração de não ter assistido a luta simplesmente inibiu sua “euforia sexual”. A Bebete perguntava: “Vem, meu preto. Te aproxima da tua amada!!”. O Clodô furioso, retruca e esbraveja: ”Eu quero é ir embora deste lugar. Meus embalos foram comprometidos”. E assim, o amigo do Carlito Trovão desistiu completamente da vizinha do 404. Pra sempre!!!

7 de nov. de 2011

Comércio íntimo


          A mulata Margarida, professora da rede pública de ensino, resolveu aumentar sua renda revendendo moda íntima de alto padrão entre suas amigas. O negócio ia bem, mas precisava de um incremento maior e neste sentido seu companheiro, o  advogado  Inácio Dantas, funcionário do Tribunal de Contas foi convocado. No intervalo do almoço, iria mostrar às colegas de trabalho os caros produtos que sua mulher, a Margarida comercializava.  De segunda a sexta-feira, o moço era seriedade total, e nos finais de semana o moço era conhecido como Nanaio Tamborim, o percursionista do grupo de samba “Benditos do ritmo“.
         Pois, numa segunda-feira, pós-festa familiar, daquelas fortes, um pouco atrasado no horário o Nanaio apanhou a sacola das lingeries finas, sua pasta executiva e os sacos de lixos para depositar na lixeira do condomínio próxima à garagem. Perto das 12hs, reuniu as colegas e todos foram juntos ao estacionamento para conferir as calcinhas e soutiens importados que estavam guardados no porta-malas do carro. Deveriam estar, pensava ELE. Não estavam, pois haviam sido levadas pelo pessoal da coleta de lixo.
       Até  hoje, não se sabe se foi pressa, desatenção ou ressaca, mas o “percussionista” acabou jogando a sacola de grife no espaço reservado ao lixo do prédio e guardando no porta malas as sacolas de lixo. O Nanaio inverteu as encomendas e causou um rebuliço, seguido de um grande prejuízo. Levou uns 4 meses para reembolsar o fornecedor de calcinhas da Margarida e a moça abandonou as vendas domiciliares completamente. Nunca mais vendeu nada, garante tia Cenira. 

Um super herói da minha vida

            
          Dona Morena nos conta uma historinha vivenciada pela Karina Remelexo, a passista da escola de samba da Comunidade da Zona Sul de Porto Alegre. Num sábado de um verão escaldante a morena anunciou a seu companheiro, o Zézão, que iria participar de um chá de fraldas na casa de uma amiga no final da tarde. O evento contaria com a participação exclusiva de mulheres, nenhum homem poderia estar presente.
             Por manter uma relação de vanguarda, o casal Karina e Zézão, lidava bem com estas coisas. Ela iria para o chá de fraldas e ELE iria jogar futebol com os amigos e depois perto das 22h, estariam juntos para jantar e participar de uma roda de samba “bem pegada”, como costumavam dizer.
            O chá de fraldas na realidade, tratava-se de uma despedida de solteira, com espumantes, luzes coloridas, amigas desinibidas e muita euforia no ar. A preta Karina, chegou cedo no evento e posicionou-se bem próxima ao palco e era uma das mais entusiasmadas da festa que iniciaria às 18h. Exatamente, depois de 45 minutos de festa, ingressou no ambiente 3 homens musculosos, dançantes e fantasiados. Um bombeiro, índio e um super herói mascarado. Aos poucos, para delírio das amigas e convidadas da festa os artistas iam tirando suas roupas e exibindo seus corpos esculturais cobertos de óleos especiais. A Karina era só empolgação, esfregava as mãos nos corpos suados e já havia jogado para bem longe a culpa da “mentirinha ao marido”.
            O índio já havia jogado seu cocar longe, o bombeiro estava só de sunga e o super herói não tirava a máscara de jeito nenhum. A  Karina um pouco desconfiada, com aquele mistério  e inibição, aproximou-se do moço e olhando bem de pertinho, foi percebendo algo familiar no striper. O mais assediado da festa tinha alguma coisa que lembrava o Zézão, seu marido.  Depois de 90 minutos de pura sedução os moços foram retirando-se da sala mantendo o anonimato.
           Ao chegar em casa Karina encontrou o marido  tomando banho e logo perguntou ao Zézão como havia sido o jogo. Recebeu como resposta que a partida disputada foi bastante difícil, cheia de choques, gols e muitas emoções. Desconfiada, ELA rumou à área de serviço e vasculhou a bolsa esportiva e lá encontrou o par de tênis, o uniforme do futebol e uma estranha vestimenta de personagem infantil. Era uma fantasia de super herói (a mesma vista na despedida de solteira). Algum tempo depois, no intervalo da roda de samba, angustiada, Karina pergunta: “Zê, tu fazes isso há muito tempo? Todos os finais de semana, por exemplo??”.      O cara respirou fundo e respondeu imediatamente: “E você, minha linda, costuma frequentar locais animados por estes profissionais?”. Silêncio no ar. Depois de um beijo apaixonado o casal decidiu nunca mais falar no assunto e andar juntos por todos os cantos possíveis. Chá de fraldas? Jamais. E futebol? Só pela tv.                    Embora pessoas modernas não se pode correr riscos. 

6 de nov. de 2011

Batucando com os filhos

              
             
                    Registro  o novo trabalho do cantor Martinho da Vila  "Lambendo as Crias", recém-lançado em CD e DVD, quando o sambista reúne seus filhos para registrar composições inéditas e algumas já consagradas pelo público brasileiro. Dos oito filhos do cantor, cinco são músicos (Mart'nália, Juju Ferreira, Analimar Ventapane, Maíra Freitas e Tunico Ferreira). A concepção e produção do trabalho foi o ponto alto, pois as gravações aconteciam quando as agendas dos filhos estavam livres. E assim foi surgindo, uma maravilhosa “colcha de retalhos” com cheiro de família. O próximo e mais desafiador passo é reunir a turma e colocar o show na estrada – comenta o sambista de Vila Isabel.

 Estas emoções familiares foram vivenciadas  na festa de comemoração de um ano de existência da Batucada do Armazém, no dia 01/11/2011. O  cavaquinista do nosso movimento, o compositor e sambista Roberto Nascimento levou para a roda de samba seu filho Vitor Nascimento – o Vitinho, diretor de harmonia da União da Vila do Iapi e integrante do grupo musical Louca Sedução. E na noite da comemoração  a dupla e os demais integrantes do grupo foram responsáveis por bons momentos de sambas legais.
Por fim, parafraseando Martinho (no sucesso Casa de Bamba) “"Na minha casa todo mundo é bamba, todo mundo bebe, todo mundo samba", e lá também se lambe as crias.
Edinho Silva