24 de jul. de 2017

"Onde posso tocar meu cavaco?" - Fragmento 2


                                    imagem extraída: http://www2.sidneyrezende.com/noticia/252183+brinco+da+marquesa+promove+roda+de+samba+neste+sabado

                 Na segunda postagem alusiva ao Armazém do seu Brasil no Programa Nação, da TVE, apresento o Fragmento 2, falando um pouco sobre o que penso e o que conversamos sobre os espaços ocupados por rodas de samba e manifestações populares.
                Com a condução competente da apresentadora e jornalista Fernanda Carvalho, tivemos a oportunidade de "soltar o verbo" sobre onde acontece o samba em Porto Alegre nos dias de hoje. Na nossa roda contávamos com as presenças ilustres do nego Izolino, que nos anos de 1980, na companhia de seus parceiros do grupo Samba Autentico animavam as tardes dos sábados de Porto Alegre. A função tinha a assinatura de uma emissora de rádio da Cidade (Rádio Princesa) e na apresentação nomes conhecidos na cidade - Carlos Alberto Barcelos - o Roxo, Delmar Barbosa, Odir Ferreira, Adoniran e tantos outros. O local onde rolava o samba era a quadra de ensaios da Império da Zona Norte e os grupos presentes traziam nas suas formações experimentados sambistas: Pagode d1Kasa (dos irmãos Dornelles - Gilson, Gilmar e Gegé), Pagode do Dorinho (do Kléber, do Charuto e do Everton Dorneles), Grupo Bom Ambiente e tantos outros.
                Um outro presente na resenha e na nossa mesa do Programa era o Manoel Jeronimo - nego Lom do Samba Quente, que no final dos anos 90 "esquentou" o Centro de Porto Alegre com suas rodas de samba. Quem não lembra do El Bodegon, na Riachuelo? Ou do Panela de Barro, na Marechal Floriano?? Extensas filas formavam-se diante dos bares, semanalmente, às sexta-feiras. Bons tempos.
                O violonista dos "Brasileiros", Rogério Pereira (o Dédo Sete Cordas) também participou de vários grupos sambistas da Cidade e por algum tempo, participou de um chamado "Os quatro do Canto" que animavam um bar na Cidade Baixa (Recanto latino). Uma verdadeira "efervescência" na região. Os outros dois, o Jovani e o Carlos Buiu, mais jovens representavam os novos tempos de roda de samba.
               E o "cascudo", experiente e talentoso, Carlos Delgado, por onde andou?? Putz. Foram tantos os lugares, Carnavais e rodas de samba que o "moço" reúne recordações que marcaram a história do samba de Porto Alegre. Ainda no mês de maio o reencontrei cercado de velhos amigos numa roda de samba famosa pela trajetória e por um de seus idealizadores - o Mestre Irajá. Refiro-me ao movimento cultural de nome "Banda Itinerantes". Com camisetas nas cores amarela e preta, sambas clássicos e populares cantados na voz de homens e mulheres, jovens e velhos o samba corria solto, o braço e os dedos com as poesias de Guineto, Aragão, Nogueira, Candeia e outros tantos no Espaço Cultural do Afrosul ODOMODÊ.
                Resistindo e SAMBANDO mundo afora, também identifica-se iniciativas como as do Coletivo Instituto Brasilidades, Samba do Irajá e tantas outras de grupos e sambistas espalhados.
             Mas afinal, os espaços de samba em Porto Alegre são suficientes para reunir pessoas?? E as oportunidades é oferecidas a todos da mesma forma?? SINCERAMENTE?? Não. Os bares e botecos (nova febre na Cidade) já mantém sua seleta e "fechada" escalação de atrações. Numa "blindagem" muitas vezes injusta. Mas o que fazer?? Afinal, são "combinações" entre os proprietários dos locais e os músicos. Possivelmente, uma das poucas maneiras de propor uma reflexão deveria ser uma iniciativa do público. Como? Cobrando uma versatilidade na agenda dos bares. Em muitos casos, um mesmo grupo toca em diferentes locais na mesma noite. Quem perde com isso?? Nós, clientes. Ou tu acreditas mesmo que o mesmo pandeirista poderá tocar seu instrumento com a mesma disposição nas 3 casas agendadas?? LÓGICO que não. Alguém, sofrerá o "pênalti". ainda não sei se a primeira ou a última casa. Ou seria a do meio que, receberia uma apresentação rápida?? Sei lá...
              E as roda de samba ao ar livre?? Raros são os espaços que conseguem a proeza de reunir sambistas ao ar livre. Não vemos sambas nas praças ou nas calçadas. Os "coletivos" que insistem são espalhados na metade do caminho. A vida é curta mesmo. Ilustro com dois exemplos: o Pagode do Andaraí (no bairro Santo Antônio) e o "Samba do Cachorro" (no Centro Histórico). ambos reuniam semanalmente centenas de sambistas e simpatizantes para cantarolar, batucar, beber e reencontrar amigos. Com hora para iniciar e encerrar as atividades.
               Rogo que Porto Alegre retome sua alegria, seus batuques e suas concentrações populares.   

Carlito Delgado - Precisa apresentação??






















                                                                            acervo pessoal do "moço"
  
                  O Armazém do seu Brasil foi concebido para que pudesse compartilhar algumas estórias do mundo do samba em Porto Alegre. A "organização" das coisas iniciaram lá pelo ano de 2010. Em meio à proposta de cultura, informação e entretenimento surgiu a pretensiosa  ideia de prestar homenagens aos parceiros ligados à temática principal.
                  A lista do "povo" era enorme e optei em escrever sobre alguns para que outros tantos fossem atingidos no prestigio. Tarefa muitas vezes não muito fácil. Enfim, acho que as vezes tem funcionado bem.
                  O escolhido do mês de julho foi o Carlinhos Delgado. Alguém já ouviu falar neste nome?? Para os familiares e mais íntimos é conhecido pelo codinome  de "Limão". Pela acidez? Nem arrisco a perguntar. Para os  seguidores de suas redes sociais ELE surge como um líder motivacional, dos bons!!! É pragmático, bem humorado...e acima de tudo alto astral.
E EU como o conheci?? Há uns 20 anos mais ou menos, fomos apresentados por um amigo em comum para uma viagem à cidade de Pelotas, daquelas coisas que reúnem Futebol, amigos, cerveja e samba. Mesmo que não tenha atuado no campo ou mesmo vestido calção, camiseta e meião de futebol, o sujeito OCUPOU MUITOS ESPAÇOS ao longo da viagem. Ao lado do Adãozinho Cruz e dos demais sambistas o moço cantarolou o tempo todo. Não calou a boca NUNCA. Parecia ter engolido discos inteiros de Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Almir Guineto, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e tantos outros. 
                   Eram dois sambas, seguidos de tres goles e assim foi a inesquecível viagem (ida e volta, claro). Depois de afastados por algum tempo, recebi a notícia que o Carlinhos tinha mudado de domicílio indo morar no RJ, como fizeram muitos conhecidos meus. O cara era um verdadeiro embaixador gaúcho. Acolhia a todos, dava dicas de viagem, oferecia programas de turismos, coisas que sua generosidade apontava.
                Tem um grande amigo nosso, um certo violão de grife dos Pampas que me contou uma passagem de sua vida que ilustra o que digo. O parceiro sairia de Porto Alegre para desbravar o RJ, buscar novos espaços para mostrar seu violão e sua arte. o "Delgado" anunciou o seguinte: "Faz as malas e te joga". O outro gaúcho perguntou: "Onde ficarei lá no RJ". O Delgado respondeu: "Lá em casa, carai...Lugar onde dormir tem, menos no meu berço é claro!!!" Quem o conhece sabe que a resposta é muito própria.
                 Abaixo uma transcrição de uma postagem, onde o Delgado registra a gratidão por um cuidado técnico em relação à pessoa:  "Eu tô há dias com uma coisa na cabeça e não sei como expressar, durante estes meses que sucedem o diagnóstico sempre me vem à cabeça, o filme do tal do Patch Adams, e me sinto bem, nunca havia pensado tanto em como se sente uma pessoa nessa situação. E o que eu fico surpreso é que existe mais de um Patch, existe a Dra Christina Oppermann, pra mim ela nunca prometeu nada, só me disse uma frase que eu nunca mais esquecerei.: "Seu Carlos, vou tratar o Sr, vale a pena." Hoje ainda não temos o resultado final, nem preciso, pra mim já valeu tudo, ganhei, sem dúvidas eu ganhei. Uma pessoa que acredita na outra que trata, que ouve, que presta atenção no ser humano vale tudo. Dra, não existe palavra que dimensione a sua atitude, não me considero seu paciente, mesmo sem ter me parido a Sra é a segunda mulher que me deu a vida. Tratou o ser humano e não a doença. Obrigado, vencemos essa!
Carlos Delgado - 19 de julho às 23:51 · Porto Alegre ·
                 Entenderam o que quis dizer quando falei da generosidade, gratidão e alto astral do moço?? Acompanhe, ainda, mais uma pérola: "Hoje acordei muito contrariado e com a velha mania de questionar as coisas... Porque raios um Hospital chama HOSPITAL DO CÂNCER, não deveria ser HOSPITAL DE PESSOAS COM CÂNCER? Já vou avisando hoje a paciência foi dar uma banda lá nas ilhas Maldivas. Nem vem. Carlos Delgado - 7 de junho · Porto Alegre ...Este deve ser o tal Carlinhos Limão...
                 E as coisas da vida?? Como ELE trata?? Espia só ..."Houve um tempo que se eu não fizesse "os tema" eu ouvia: Espera teu Pai chegar pra tu ver só, nesse tempo eu era rebelde sem causa, queria fugir de casa, morar sozinho, mandar na minha vida. Mal sabia eu que anos depois eu teria tudo isso, só não teria mais aquela voz me dizendo: Faz antes do teu Pai chegar que eu deixo tu ir brincar na rua. A rua agora é toda minha, que saudade daquela voz, daquele cheiro, até das espanadas que levava. É saudade que deixou de ser dor e tornou-se contentamento, é saudade dum tempo que não volta mais. E mãe atirando filhos pelas janelas, afogando em rios ou simplesmente abandonando à própria sorte. A minha nunca me abandonou, nem mesmo nesses momentos mais doloridos que passei. Sei que aonde ela está o olhar dela é pra nós 4, não temos tudo que queremos é fato, mas temos tudo o que merecemos, mesmo em outro plano MÃE eu sinto tua presença. Te amo.
Feliz Dia das Mães! -
Carlos Delgado - 13 de maio 2017
             Em Junho/2017 tive o imenso prazer de compartilhar, na companhia de outros parceiros sambistas do RS, uma gravação de um Programa da TVE - NAÇÃO, em rede nacional. É mole?? O macaco Simão dos Pampas, pela agilidade no momento da piada diria..."É mole, mas sobe!!!" hahahahahahaah
               Dá-lhe, Carlinhos Delgado...em breve, te reencontro em alguma movimentada roda de samba com a sigla do Armazém. Fechado??
Abração,
 Edinho Silva 
 

 



21 de jul. de 2017

Quer ouvir um SOM DIFERENTE cheio de balanço?? Acompanha TEM

 

                              Imagem: Acervo pessoal do grupo
 
               Posentão...
 
              Tudo que origina-se da construção coletiva apresenta resultados mais resistentes e bem sucedidos. Em qualquer área: no campo social, no trabalho, na família, no clube, na religião, nas artes e em muita coisa. Outro dia, fui instigado a conhecer um pouco do resultado da reunião de músicos gaúchos e seus instrumentos "rebeldes". Por que a rebeldia?? Pela criatividade, força, sensibilidade, comprometimento e balanço puro de coisas populares.
              Assim descrevo um pouco a TEM - Trabalhos Espaciais Manuais - uma pequena orquestra de música popular que surgiu em Porto Alegre, no ano de 2013 e mantendo o sonho da gravação do primeiro primeiro álbum com algumas composições nascidas nesses quatro anos de vida de muito suor, danças, ritmos e pulsações.
             Através de um processo coletivo de apoio financeiro o grupo contará com a colaboração daqueles que "sacudiram seus esqueletos" nas festas animadas pelo TEM.  
             O projeto conta com a produção musical de Sergio Soffiatti, as fotografias levam a assinatura de Sofia Cortese, a edição de vídeo do Leonardo Stein e as colaborações mais que especiais de cinco artistas que fazem parte da nossa família de algum jeito: Lídia Brancher, Rafael Druzian, Gabriel Sacks, Vital Lordelo e Gustavo Pflugseder. Conta ainda com o apoio do Studio k9 Som, luz e Imagem!
             Hoje, 21/07/2017 - sexta-feira, no bar BATE (João Alfredo, Cidade Baixa/Porto Alegre) será possível conferir de perto a sonoridade da TEM através do formato Baile-Show, onde estilos como o samba, o funk e o rock'n'roll sao misturados com pitadas de jazz em uma atmosfera dançante, permeada por temas marcantes e solos catártico. Seria isto??
            Vai perder?? EU NÃO FICARIA de fora...se estivesse no seu lugar!!
 

11 de jul. de 2017

Falando sobre Carnaval - por Rachel Valença

             


         Rachel Valença (vestindo a roupa verde) ao lado da amiga, prestigiando a feijoada da Velha Guarda do Império Serrano


            Outro dia, por atrevimento, comentei uma postagem de um amigo carnavalesco sobre o atual momento de enfrentamento daqueles que cultuam a Cultura Popular no Brasil, carnavalescos e foliões,  o Poder Público e os "novos" Gestores Públicos espalhados pelas Capitais e Cidades Brasileiras. O comentário não continha nenhum conteúdo ofensivo e, tampouco, provocador. Apenas apontava questões de pertencimento, reflexão profunda e "juntar pessoas" para a defesa da nobre causa.
            Possivelmente, não tenha sido interpretado da melhor maneira, considerando a repercussão criada após as postagens de ambos os lados. Fato que, certamente agradou muito quem era o alvo inicial das críticas (no caso o Prefeito, avessa às coisas populares, e seus seguidores). Enfim...tem coisas na vida que EXIGEM UM RECUO ESTRATÉGICO de posicionamento. No meu caso específico e relembrando as falas do seu "Baixinho", meu pai, "Meu filho, quando não ajudas!! Não atrapalhe!! Mantenha tua boca com água e escute o vento...Costuma ser melhor para TODOS". Sábio o moço, não??
               Abaixo a transcrição autorizada de um texto da jornalista carioca Rachel Valença, amiga do saudoso Sérgio Peixoto e da turma do CETE. Se tiveres, um dia, oportunidade de visualizar o blog desativado (Baticumbum, da Alice Mendes e da Thais Freitas) na coluna "Na Arquibancada" eu já havia escrito algo que se aproximava do sentimento da simpática carnavalesca carioca. Acredito que, tinhamos as mesmas impressões mesmo em distantes domicílios. Obrigado, Rachel pela contribuição na luta pelo Carnaval do Brasil. 

              Vamos falar de Carnaval...

                Instalou-se nos últimos dias uma polêmica a respeito da redução da verba a ser repassada pela Prefeitura para as escolas de samba. Como todo mundo já escreveu sobre isso, não vou repetir aqui os mesmos argumentos que já foram apresentados a favor e contra as duas cidadelas em oposição. Mas leio, além dos excelentes artigos que defendem as posições de seus autores, os comentários dos leitores, nas redes sociais, concordando ou discordando deles. E me choca tremendamente o fato de as escolas de samba terem deixado de ter, nesta cidade, a popularidade de que desfrutaram um dia.
O desinteresse da sociedade pelas escolas de samba começa nas suas próprias quadras.
               Fiquem tranquilos: não vou falar do meu tempo. Este já ficou pra trás há muito. Mas quero falar da geração das minhas filhas, de seus amigos e colegas que enchiam nossa casa e que formaram um grupo animado que até hoje se encontra, assiste aos desfiles, desfila, se reúne o ano todo para ver desfiles e cantar samba. Não eram exceção: nos colégios, mesmo os da Zona Sul, todo mundo tinha um time de futebol e uma escola de samba do coração.                              Os sambas tocavam no rádio, muito, a toda hora, desde antes do Natal. As compras na Saara tinham a trilha sonora dos sambas-enredo. Os dirigentes de escolas de samba eram figuras interessantes que, reunidos em mesas-redondas na TVE e na TV Manchete logo após o Carnaval para comentar o resultado, nos mantinham acordados até muito tarde, ouvindo suas discussões cheias de humor, alfinetadas e autenticidade.
              Difícil imaginar que naquele momento um prefeito ousasse desmerecer o desfile das escolas: tenho a sensação de que a população se levantaria em defesa de algo que fazia parte de seu cotidiano. Hoje tudo ficou muito maior, mais bonito, mais organizado, mais “limpinho”. Mas será que é isso que as pessoas querem? A maioria da população elegeu um prefeito evangélico, um homem com postura bem clara e definida. Observo, sem surpresa, que a maioria da população está de acordo com uma definição de prioridades que coincide com o perfil do candidato.
             Sem que a maioria tenha se dado conta, o conjunto da sociedade já vinha se afastando das escolas de samba bem antes de Crivella.
Ao tentar reverter isto e protestar contra a medida, os dirigentes atuais convocam o povo a defender suas escolas de samba. Mas, pera aí: é agora que se lembram do povo? Do povo que não tem aparelho de fax em casa nem dinheiro para comprar ingressos para o desfile? Do povo que fica fora das festas suntuosas que a entidade representativa das escolas do Grupo Especial promove? Do povo que só tem acesso à Cidade do Samba na qualidade de trabalhador informal, e ainda sujeito a calote?
              O desinteresse da sociedade pelas escolas de samba começa nas suas próprias quadras, onde se ouve funk e outros ritmos similares, onde o ingresso é caro também, onde se vê todo tipo de injustiça, com pessoas que nunca frequentaram a escola recebendo sua fantasia, sua camisa, seu terno para desfilar enquanto do sambista se exige presença a todos os ensaios (e ainda assim pode ficar sem nada). O afastamento do povão vem de ser obrigado a ver pela TV a pista cheia de gente credenciada atrapalhando os sambistas, vem de ter a certeza de que o desfile a que assiste não custou nem a metade do dinheiro que a escola recebeu, que os ingressos do Setor 1, que deveriam ser para distribuição gratuita, foram vendidos.
           O que merece nossa reflexão é esse divórcio entre o povo do Rio de Janeiro e suas escolas de samba.
           Tudo que diz respeito às escolas de samba se tornou caro e difícil, nada é a preço popular: ganhar, faturar, lucrar são as únicas preocupações. Feijoada em quadra de escola de samba é programa para rico: ingresso, feijoada, mesa, cerveja, tudo caro. Final de samba enredo tem ingresso de preço mais alto, a mesa sobe de valor, tudo proibitivo. Os compositores, então, vão à ruína com os altos gastos que são obrigados a fazer.
            Por tudo isso, vamos ouvindo frases como: “Eu era compositor, mas desisti de compor porque a disputa está muito cara”. “Eu era ritmista, mas larguei porque era muita exigência”. “Eu desfilava, mas cansei de ouvir grito de diretor de harmonia”. “Eu ia muito à quadra, mas hoje não tenho mais grana para isso”. “Eu era passista, mas tive de deixar porque os ensaios terminavam tarde e eu trabalho cedo”. Ou simplesmente: “Eu assistia ao desfile todo ano, mas deixei de ir porque é muito roubado”. Quando ouço frases como essas, sinto uma dor no coração. Porque, sem que a maioria tenha se dado conta, o conjunto da sociedade já vinha se afastando das escolas de samba bem antes de Crivella pensar em ser prefeito. Ao reduzir em 50% a subvenção destinada às escolas, ele não as torna menos amadas. É duro reconhecer que nós é que, ao longo do tempo, fomos cometendo sucessivos erros que resultaram no afastamento da sociedade, a ponto de hoje pouca gente se indignar com a redução da verba.
             Mais do que esta disputa que de uma forma ou de outra se resolverá, o que merece nossa reflexão é esse divórcio entre o povo do Rio de Janeiro e suas escolas de samba, que a disputa foi capaz de evidenciar dolorosamente.
            
Rachel Valença. Carioca, historiadora, filóloga e jornalista. Mestre em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense. Coautora do livro "Serra, Serrinha, Serrano: o império do samba". Pesquisadora do projeto de elaboração do dossiê "Matrizes do samba no Rio de Janeiro", para registro do samba carioca como patrimônio cultural do Brasil. No Império Serrano há 40 anos, foi ritmista e vice-presidente da escola.
                            

12 de jun. de 2017

A "comunicação no samba e no Carnaval de Porto Alegre" - Programa Nação - Fragmento 1



                                     Acervo de imagens do SETOR 1 -


       A partir desta postagem (Fragmento 1), abordarei inúmeros temas que fizeram parte da resenha "iluminada" e da roda de samba do Programa Nação, da TVE/RS, que foi ao ar no dia 09/06/2017 - sexta-feira.
          O programa foi capitaneado pela jornalista e apresentadora Fernanda Carvalho que com talento e percepção conseguiu transmitir toda a serenidade que os entrevistados necessitavam. Como mote principal conversaríamos sobre o SAMBA de Porto Alegre. Um pouco de tudo, da composição autoral, aos sambistas do passado, da nova geração, os redutos e locais próprios de fazer samba, seus diferentes espaços, as ferramentas de divulgação e resistencia, modelos de gestão, samba e "Academia", manifestações populares, entre outras coisas. Tudo "ritmado" por uma boa roda de samba. A produção e edição (com sensibilidade e maestria) ficou a cargo da jornalista Vera Cardozo e seu time de técnicos. 
         Os convidados do Armazém do seu Brasil eram o Nego Lom (Samba quente - representando a maior movimentação de samba no Centro da Cidade nos anos 80 e 90), o griô do samba Izolino Nascimento e o inquieto, provocador e "cheio de graça" como dizem os mais próximos, Carlinhos Delgado e seu cavaco. A banda principal "Os BRASILEIROS" formada pelo violonista Rogério Sete Cordas e nas percussões a "dupla de doidos do bem" Jovani do Oxalá e Carlos Henrique Buiu. Muitas pessoas perguntaram por onde andava o quarto componente, o músico e arranjador Silvinho Xavier?   Infelizmente, compromissos profissionais o afastaram da gravação. O mesmo ocorreu com algumas convidadas (Maria Helena Montier, Renata Pires e Maria do Carmo). 
       O local da gravação não poderia ser outro pela beleza e acolhimento que recebemos. Estou falando do Quintal Tia Acácia (Comendador Caminha, 310 - Parque Moinhos de Vento) dos parceiros Alessandro Silva e Mário Machado.
            Iniciei nossa conversa relembrando o Folhetim do Zaire, um simpático fanzine distribuído num bar da extinta Galeria Pio XII, no Centro de Porto Alegre. A responsabilidade da edição e distribuição era do saudoso Moura do cavaco, conhecido e folclórico sambista e cavaquinista de nossa Cidade.
E como era a tal ferramenta de comunicação? Um pouco diferente dos atuais blogs que oferecem informações sobre samba e Carnaval de forma mais ágil, num formato mais jornalístico. Atualmente, circulam mais de um com destaque para o "Setor 1", do Israel Ávila, por sua trajetória e por reconhecimento fora do RS, inclusive. No passado existiram outros dois: o Samblog e o BATICUMBUM (da Alice Mendes e da Thais Freitas). Este último me oportunizou a honraria de ser um colunista diferente por lá. Através de minha coluna "Na arquibancada" - expressava a opinião de um folião, torcedor e pesquisador da Cultura Popular sob uma ótica diferente.
             Com todo o respeito que os blogs merecem a FORÇA MAIOR do "Folhetim do Zaire" estava na forma de expressão aplicada. Através de uma linguagem direta, sem rodeios, o fanzine divulga o trabalho de grupos e artistas, denunciava situações, ironizava e tornava exposto "o vacilão" da ocasião. Tudo acontecendo de uma forma muito franca. Possivelmente, esta era uma das razões que levava seus leitores acotovelarem-se na busca do exemplar inédito.
            O Armazém do seu Brasil busca difundir, provocar reflexão, divertir seus leitores, mantendo a proximidade com o povo do samba. Obviamente, sem a coragem e ousadia que a proposta do FOLHETIM do ZAIRE oferecia. Num segundo momento, surgiu uma outra publicação intitulada KAZUMBA, segundo um de seus colunistas, o radialista, atleta e "cuiqueiro" de mão cheia Carlão Oliveira o informativo era de grife também.
         Então...acredito que conseguimos através do Programa Nação, reverenciar um tempo, uma pessoa, um veículo de comunicação e toda uma geração de sambistas de Porto Alegre. 
         Valeu, MOURA do cavaco. De onde estiveres possa ter ouvido o negão Izolino, o Lom, o Carlinhos e os Brasileiros entoarem sambas na tua direção e de tantos outros que já passaram.

Edinho Silva

Em tempo: Tenho um exemplar (presente de um amigo) datado de dezembro de 1995. Neste número o editor registra o aniversário do Bedeu (04 de dezembro) e uma estória do Djalma do Pandeiro (imperdível). 

28 de mar. de 2017

Busque Ser: a vida só faz sentido se for sentida - por Bruno Fontana


              
 
              
               O título por si só traz um significado tremendo - para mim. Dois primeiros verbos que juntos trazem uma ideia de dinamismo com profundidade. Aquilo que buscamos nos faz mantermo-nos em movimento, então buscar pode ser encarado como sinônimo de vida, pois a vida é movimento. Nascemos, crescemos e partimos.
                Parece estranho olharmos para isso com simplicidade e naturalismo, afinal, todos nós passamos por esse processo – assustador - querendo ou não e meu amigo, sinto informar, mas logo mais tu não estarás aqui também. Lembra-se dos teus 15 anos? Parece que foi ontem? Daqui 30, 40, 50 anos vai ser a mesma sensação de tempo. Tudo que passou se interioriza dentro da gente como se fosse um tempo muito menor, e sabe por quê? Nosso cérebro não lida muito bem com o “cronológico”, ele não identifica muito bem tempo, nem objeto material, ele identifica melhor eventos específicos conforme seu grau de emoção. Daí vem outra razão para lembrarmos muito mais do que nos gerou emoções fortes do que aquilo que não ocupou esse espaço. Então eu te pergunto, vale mais a pena ter ou sentir? Vamos lá, analisando a lógica: se sentir te faz lembrar mais, registrar mais e, portanto, mais sensação de vida (tempo e intensidade), se subentende que sentir é viver mais e melhor por consequência. Inclusive bons sentimentos geram hormônios mais positivos para nosso corpo.
            Trocamos inúmeras vezes nosso dinheiro por objetos que não nos trazem registros importantes, que satisfazem um desejo passageiro e superficial, que não iremos lembrar e comemorar um dia pela conquista e que na maioria esquecemos até que temos. Quanta vida jogamos fora com isso? Quantas lembranças poderíamos colecionar e lá no fim, no “acerto de contas”, olharmos para trás e dizermos: é, lembro de bastante coisa,  viajei, experimentei, amei, apaixonei, vivi o mais intensamente possível.
              Convido-te a viajar dentro de si, nas tuas emoções, nos teus sentimentos, reestruturar aquilo que te remete valor. Esse convite é extensivo a todos aqueles que através da tua felicidade e reconstrução vão estar sendo beneficiados, pelo fato de conviverem com alguém melhor, mais apto a influenciar positivamente seu arredor e contribuir para que haja um meio mais amoroso e de significado. Afinal, viver só faz sentido se for sentido coletivamente, pois sentir é relacionar-se com algo ou alguém, nenhum sentimento surge sem um objeto gerador. Portanto, o sentimento do outro também te diz respeito, também é do teu interesse e ambos contribuem um com o outro. Em um meio onde nós façamos nos detalhes da vida a vida dos outros melhor, estaremos afirmando nosso papel de colaboradores para um sistema mais vivo, com toda complexidade que a palavra ‘viver’ nos traz.

17 de mar. de 2017

Feliz Aniversário "nego Rick" - Sir Ricardinho Richter

                                        Acervo pessoal da Polyka e do Nelson - pais do Rick


           Posentão...

         Nesta época o malandro já apresentava formas de um bebê feliz, simpático e com muita energia. Esta provada pelos chutes que dava na barriga da "mamis" Polyka. Confesso que, não conversei muito com o moço enquanto esteve no ventre da mãe. Era tanta gente a bater papo e trocar informações que, evitava sufocá-lo.
         No dia em que esta imagem foi captada estávamos confraternizando no tal Chá de Fraldas, onde além de receber muitos afagos que pessoas queridas a Polyka se fortalecia para a chegada do moço. Reuniram-se parentes, amigos, dindos e dindas, avós (de babeiros) e muita gente bacana. O clima era de festa total.
         Na decoração, onde predominava a cor verde em diferentes tons, também marcava a presença de simpáticos leões espalhados pelo ambiente. A comida estava bem gostosa e a bebida gelada. Lembro que, neste dia as pessoas presentes escreveram bilhetes e recados para serem lidos daqui há algum tempo. Confesso que, não lembro muito bem o que escrevi...Mas acredito, que tenha sido palavras de afeto e carinho para evitar quaisquer desapontamento futuro. Sacumé, "Avós e pessoas muito próximas NÃO PODEM E NÃO DEVEM DESAPONTAR CRIANÇAS". Nunca. Como dizia a musiquinha chata de uma emissora de tv local..."Maltratar as criancinhas é coisa que não se faz!!!".          Tá e os adultos, podem ser maltrados?? Não. Ninguém deve ser maltratado, mas nós (OS GRANDES) somos mais forjados. Suportamos mais os golpes da vida.
Enfim, como a memória anda fraca e não lembro o que escrevi para a "pessoinha" mais simpática que conheci em 2016, preciso CONFESSAR PUBLICAMENTE..
            Rezei muito para que fosses uma criança cheia de saúde, bom humor e vivacidade. E chegaste assim, CHEIO DE LUMINOSIDADE e doçura no olhar.
           Continuarei rezando para que AMANHÃ e depois te transforme numa pessoa tolerante, justa, afetiva, solidária, sensível e de boa índole. E que o Mundo possa fazer sua parte, contigo e com os pequenos que crescem assim como tu.
         E EU?? Choro, de alegria ao escrever mais uma postagem no meu "filhote" e bloco de notas chamado Armazém do seu Brasil, para que o cinza das nuvens possa dar espaço à esperança (igual ao verde da tua festa antecipada).
        Vovô TE AMA MUITO e continuará a mostrar para o Universo a foto 3x4 que, carrego na minha carteira (vazia, mas cheia de imagens de pessoas que amo!!).

Edinho Silva