12 de jun de 2017

A "comunicação no samba e no Carnaval de Porto Alegre" - Programa Nação - Fragmento 1



                                                                                                          Acervo de imagens do SETOR 1 -


       A partir desta postagem (Fragmento 1), abordarei inúmeros temas que fizeram parte da resenha "iluminada" e da roda de samba do Programa Nação, da TVE/RS, que foi ao ar no dia 09/06/2017 - sexta-feira.
          O programa foi capitaneado pela jornalista e apresentadora Fernanda Carvalho que com talento e percepção conseguiu transmitir toda a serenidade que os entrevistados necessitavam. Como mote principal conversaríamos sobre o SAMBA de Porto Alegre. Um pouco de tudo, da composição autoral, aos sambistas do passado, da nova geração, os redutos e locais próprios de fazer samba, seus diferentes espaços, as ferramentas de divulgação e resistencia, modelos de gestão, samba e "Academia", manifestações populares, entre outras coisas. Tudo "ritmado" por uma boa roda de samba. A produção e edição (com sensibilidade e maestria) ficou a cargo da jornalista Vera Cardozo e seu time de técnicos. 
         Os convidados do Armazém do seu Brasil eram o Nego Lom (Samba quente - representando a maior movimentação de samba no Centro da Cidade nos anos 80 e 90), o griô do samba Izolino Nascimento e o inquieto, provocador e "cheio de graça" como dizem os mais próximos, Carlinhos Delgado e seu cavaco. A banda principal "Os BRASILEIROS" formada pelo violonista Rogério Sete Cordas e nas percussões a "dupla de doidos do bem" Jovani do Oxalá e Carlos Henrique Buiu. Muitas pessoas perguntaram por onde andava o quarto componente, o músico e arranjador Silvinho Xavier?   Infelizmente, compromissos profissionais o afastaram da gravação. O mesmo ocorreu com algumas convidadas (Maria Helena Montier, Renata Pires e Maria do Carmo). 
       O local da gravação não poderia ser outro pela beleza e acolhimento que recebemos. Estou falando do Quintal Tia Acácia (Comendador Caminha, 310 - Parque Moinhos de Vento) dos parceiros Alessandro Silva e Mário Machado.
            Iniciei nossa conversa relembrando o Folhetim do Zaire, um simpático fanzine distribuído num bar da extinta Galeria Pio XII, no Centro de Porto Alegre. A responsabilidade da edição e distribuição era do saudoso Moura do cavaco, conhecido e folclórico sambista e cavaquinista de nossa Cidade.
E como era a tal ferramenta de comunicação? Um pouco diferente dos atuais blogs que oferecem informações sobre samba e Carnaval de forma mais ágil, num formato mais jornalístico. Atualmente, circulam mais de um com destaque para o "Setor 1", do Israel Ávila, por sua trajetória e por reconhecimento fora do RS, inclusive. No passado existiram outros dois: o Samblog e o BATICUMBUM (da Alice Mendes e da Thais Freitas). Este último me oportunizou a honraria de ser um colunista diferente por lá. Através de minha coluna "Na arquibancada" - expressava a opinião de um folião, torcedor e pesquisador da Cultura Popular sob uma ótica diferente.
             Com todo o respeito que os blogs merecem a FORÇA MAIOR do "Folhetim do Zaire" estava na forma de expressão aplicada. Através de uma linguagem direta, sem rodeios, o fanzine divulga o trabalho de grupos e artistas, denunciava situações, ironizava e tornava exposto "o vacilão" da ocasião. Tudo acontecendo de uma forma muito franca. Possivelmente, esta era uma das razões que levava seus leitores acotovelarem-se na busca do exemplar inédito.
            O Armazém do seu Brasil busca difundir, provocar reflexão, divertir seus leitores, mantendo a proximidade com o povo do samba. Obviamente, sem a coragem e ousadia que a proposta do FOLHETIM do ZAIRE oferecia.
Então...acredito que conseguimos através do Programa Nação, reverenciar um tempo, uma pessoa, um veículo de comunicação e toda uma geração de sambistas de Porto Alegre. 
         Valeu, MOURA do cavaco. De onde estiveres possa ter ouvido o negão Izolino, o Lom, o Carlinhos e os Brasileiros entoarem sambas na tua direção e de tantos outros que já passaram.

Edinho Silva

Em tempo: Tenho um exemplar (presente de um amigo) datado de dezembro de 1995. Neste número o editor registra o aniversário do Bedeu (04 de dezembro) e uma estória do Djalma do Pandeiro (imperdível). 

28 de mar de 2017

Busque Ser: a vida só faz sentido se for sentida - por Bruno Fontana


              
 
              
               O título por si só traz um significado tremendo - para mim. Dois primeiros verbos que juntos trazem uma ideia de dinamismo com profundidade. Aquilo que buscamos nos faz mantermo-nos em movimento, então buscar pode ser encarado como sinônimo de vida, pois a vida é movimento. Nascemos, crescemos e partimos.
                Parece estranho olharmos para isso com simplicidade e naturalismo, afinal, todos nós passamos por esse processo – assustador - querendo ou não e meu amigo, sinto informar, mas logo mais tu não estarás aqui também. Lembra-se dos teus 15 anos? Parece que foi ontem? Daqui 30, 40, 50 anos vai ser a mesma sensação de tempo. Tudo que passou se interioriza dentro da gente como se fosse um tempo muito menor, e sabe por quê? Nosso cérebro não lida muito bem com o “cronológico”, ele não identifica muito bem tempo, nem objeto material, ele identifica melhor eventos específicos conforme seu grau de emoção. Daí vem outra razão para lembrarmos muito mais do que nos gerou emoções fortes do que aquilo que não ocupou esse espaço. Então eu te pergunto, vale mais a pena ter ou sentir? Vamos lá, analisando a lógica: se sentir te faz lembrar mais, registrar mais e, portanto, mais sensação de vida (tempo e intensidade), se subentende que sentir é viver mais e melhor por consequência. Inclusive bons sentimentos geram hormônios mais positivos para nosso corpo.
            Trocamos inúmeras vezes nosso dinheiro por objetos que não nos trazem registros importantes, que satisfazem um desejo passageiro e superficial, que não iremos lembrar e comemorar um dia pela conquista e que na maioria esquecemos até que temos. Quanta vida jogamos fora com isso? Quantas lembranças poderíamos colecionar e lá no fim, no “acerto de contas”, olharmos para trás e dizermos: é, lembro de bastante coisa,  viajei, experimentei, amei, apaixonei, vivi o mais intensamente possível.
              Convido-te a viajar dentro de si, nas tuas emoções, nos teus sentimentos, reestruturar aquilo que te remete valor. Esse convite é extensivo a todos aqueles que através da tua felicidade e reconstrução vão estar sendo beneficiados, pelo fato de conviverem com alguém melhor, mais apto a influenciar positivamente seu arredor e contribuir para que haja um meio mais amoroso e de significado. Afinal, viver só faz sentido se for sentido coletivamente, pois sentir é relacionar-se com algo ou alguém, nenhum sentimento surge sem um objeto gerador. Portanto, o sentimento do outro também te diz respeito, também é do teu interesse e ambos contribuem um com o outro. Em um meio onde nós façamos nos detalhes da vida a vida dos outros melhor, estaremos afirmando nosso papel de colaboradores para um sistema mais vivo, com toda complexidade que a palavra ‘viver’ nos traz.

17 de mar de 2017

Feliz Aniversário "nego Rick" - Sir Ricardinho Richter

                                        Acervo pessoal da Polyka e do Nelson - pais do Rick


           Posentão...

         Nesta época o malandro já apresentava formas de um bebê feliz, simpático e com muita energia. Esta provada pelos chutes que dava na barriga da "mamis" Polyka. Confesso que, não conversei muito com o moço enquanto esteve no ventre da mãe. Era tanta gente a bater papo e trocar informações que, evitava sufocá-lo.
         No dia em que esta imagem foi captada estávamos confraternizando no tal Chá de Fraldas, onde além de receber muitos afagos que pessoas queridas a Polyka se fortalecia para a chegada do moço. Reuniram-se parentes, amigos, dindos e dindas, avós (de babeiros) e muita gente bacana. O clima era de festa total.
         Na decoração, onde predominava a cor verde em diferentes tons, também marcava a presença de simpáticos leões espalhados pelo ambiente. A comida estava bem gostosa e a bebida gelada. Lembro que, neste dia as pessoas presentes escreveram bilhetes e recados para serem lidos daqui há algum tempo. Confesso que, não lembro muito bem o que escrevi...Mas acredito, que tenha sido palavras de afeto e carinho para evitar quaisquer desapontamento futuro. Sacumé, "Avós e pessoas muito próximas NÃO PODEM E NÃO DEVEM DESAPONTAR CRIANÇAS". Nunca. Como dizia a musiquinha chata de uma emissora de tv local..."Maltratar as criancinhas é coisa que não se faz!!!".          Tá e os adultos, podem ser maltrados?? Não. Ninguém deve ser maltratado, mas nós (OS GRANDES) somos mais forjados. Suportamos mais os golpes da vida.
Enfim, como a memória anda fraca e não lembro o que escrevi para a "pessoinha" mais simpática que conheci em 2016, preciso CONFESSAR PUBLICAMENTE..
            Rezei muito para que fosses uma criança cheia de saúde, bom humor e vivacidade. E chegaste assim, CHEIO DE LUMINOSIDADE e doçura no olhar.
           Continuarei rezando para que AMANHÃ e depois te transforme numa pessoa tolerante, justa, afetiva, solidária, sensível e de boa índole. E que o Mundo possa fazer sua parte, contigo e com os pequenos que crescem assim como tu.
         E EU?? Choro, de alegria ao escrever mais uma postagem no meu "filhote" e bloco de notas chamado Armazém do seu Brasil, para que o cinza das nuvens possa dar espaço à esperança (igual ao verde da tua festa antecipada).
        Vovô TE AMA MUITO e continuará a mostrar para o Universo a foto 3x4 que, carrego na minha carteira (vazia, mas cheia de imagens de pessoas que amo!!).

Edinho Silva



15 de fev de 2017

Aline Preuss - Uma voz de gente GRANDE

                                    Carlinhos Presidente, Edinho Silva e Aline Preuss - acervo pessoal da artista


                  Com todo respeito que merecem todas as cantoras do RS preciso destacar a grata surpresa de comprovar o que diziam o Silvinho Xavier (do violão de sete cordas), o Carlinhos Presidente e o swing man Adriano Trindade: "Edinho, tu ainda não conheces o trabalho da Aline Preuss??". Confere, diziam ELES. "Canta muito!", dizia o Silvio. O Carlinhos completava: "Educada, gentil, talentosa e simpática". O Adriano dizia: "Eu nem falo...Sou suspeito demais para opinar sobre uma grande expressão musical canoense. Meu chão."
                Enfim, a oportunidade chegou. Na ocasião do show do Carlinhos Presidente, que contou com minha parceria (Armazém do seu Brasil) no Quintal Tia Acácia, no último dia 14/02/2017, quando ainda tivemos a presença no palco do jovem promissor Pedro Chaves e do Adriano Trindade, dividindo os microfones com o anfitrião Carlinhos e seu time de luxo: Fábio Cabelinho, Silvinho Xavier, Wainer e Zandoná ao longo da noite.
                Pontualmente, às 20h15min, na companhia do seu parceiro, marido e "assessor de imprensa" o simpático Cesar, a Aline Preuss chegou de forma tímida e educada no espaço de samba localizado no Parcão e se acomodou diante do palco. O anfitrião Carlinhos anunciou sua presença e registrou a alegria de recebe-la em ocasião tão especial. O show foi transcorrendo e lá pelas tantas, a compositora, cantora e sambista Aline foi chamada para dar o "seu recado". Uma rápida conversa com os músicos foi o suficiente para soltar sua voz, apresentando algumas faixas de seu disco "Por um grande amor", produzidos pelos talentosos Didi Ferraz e Adriano Trindade.  Cantou duas suas e prosseguiu com um samba que ficou famoso na voz de Roberto Ribeiro. Os presentes no espaço, já encantados, seguiram junto na cantoria.
               E o disco da moça, é bom?? Ih...farei como o Adriano. "Sou um pouco suspeito para opinar, pois já ouvi 4 vezes no dia seguinte". Por que? Simples. O trabalho "é fino e bem lapidado". Com a participação de músicos consagrados como Marcos Farias, Pedrinho Figueiredo e outros tantos "bacanas" traz sambas como o que abre o disco "É bom ver o samba nascer (Adriano Trindade) tem um arranjo de grife, um embalo gostoso e a letra fala de Angola, de Guiné, de Salvador da fé das pessoas e um solo de flauta e piano de cair o queixo. Uma outra faixa bem legal do disco é a sexta "Bilhete de Carnaval" (Aline Preuss/Cesar Motta) que fala de uma carta com aroma e letras que se perdem de uma relação ocasionada por um amor de Carnaval, numa bonita estória de arlequim apressado e uma colombina abandonada. Interpretação numa mistura de Vanessa (mulher do Claus), Roberta Sá e Mariana Aydar. E tem muitas outras no cd que valem um tempo dedicado.
               Ao final da apresentação da Aline, empunhou o microfone, agradeceu a acolhida de todas as pessoas, o convite do Carlinhos,  do dono da casa, minha e cumprimentou um a um dos músicos da banda de apoio. Reforçando a imagem de simpatia anunciada em outros tempos. Não sei se ELA aprovará, mas será presença certa na programação da nova fase do Armazém do seu Brasil - 2017.
               Meus cumprimentos pela performance e pelo trabalho.
 
                             Edinho Silva

19 de jan de 2017

É POSSÍVEL TRANSFORMAR O PENSAMENTO DE TODOS OS DIAS NUM GRANDE ESPORTE DE AVENTURA INTERNO ? - Por Bruno Fontana


                                           Imagem extraída: http://businessluxo.com.br/2015/12/08/intermarine-62/

Acredito – veja bem, uma opinião meramente pessoal – que é quase impossível, se não for, manter nossos pensamentos “radicais” num sentido positivo diariamente. Seria como concordar que não há frustrações que nos abalem, nem momentos que fiquemos para baixo, chateados, desolados. Mas, se me perguntarem se é possível usar esses estímulos desagradáveis, e fundamentais, para retornar a nossa “adrenalina positiva” eu diria que é aí que se identifica a inteligência emocional de cada um. A raiva, tristeza, e todos os sentimentos rotulados como negativos possuem um grande potencial impulsionador, são fortes, geradores de muita energia, portanto quando bem aproveitados nos trazem frutos positivos.

            Mas, como pensar positivamente quando se está com uma bagagem emocional dolorosa? Difícil, né? Ainda mais quando nossos pais e adultos que nos cercavam quando éramos crianças nos davam total preferência em tudo, por que, “tadinhos”, fazer chorar é desamor. Lágrimas de muito aprendizado, necessárias para a expertise, autonomia, resiliência que nos faltam hoje para vermos que momentos ruins são passageiros e logo vem a melhor saída, de cabeça e coração tranquilos. Ainda somos aquela criança, no íntimo, quando algo negativo acontece e agimos imaturamente, a diferença é que já superamos a perda daquele chocolate que a mãe não deu, somos maduros demais para chorarmos pelos chocolates.

Mas o que é ser maduro? Ter mais de 30 anos, um carro, uma casa, uma família, um emprego que pague bem? Viver uma vida “radical” no mundo dos pensamentos não tem nada a ver com esses títulos e questões externas – conforto e conquista material são bons, mas não determinam nada. Podemos muito bem comprar uma bicicleta e nos sentirmos gratos e alegres como se fosse um carro do ano com teto solar, depende do valor que depositamos no fato, não é? Posso pegar a minha mulher, colocar uma cadeira nessa bicicleta e pedalar por aí com ela na garupa, sentindo o vento, e rir muito mais do que com o vento do teto solar – ainda fico com umas coxas interessantes. Ah, e peço pra ela me levar também, aliás, na descida não vale – juro que não é nas coxas dela que eu penso.

Diz a cultura do capitalismo desenfreado que uma pessoa feliz precisa TER muito. Isso mexe inconscientemente com aquilo que valorizamos, com o que achamos precisar para sermos felizes. Inclusive, sermos vem de SER, não de TER. E todo marketing é voltado para o emocional, o que comprova que tá dentro dos nossos valores “o problema” que nos é condicionado.

Tudo perpassa pela significação, o que depositamos naquilo, qual a importância que damos para o fato, o objeto ou pessoa. Por isso, sob essa ótica, eu facilmente diria que para que vivamos intensamente, precisamos reencontrar aquela alegria de brincar, semelhante a da criança que ganhou uma bola de R$10,00 e ficou eufórica como se custasse 10 mil, ou que ficou imensamente feliz por ganhar a primeira bolacha da vida e saboreou com propriedade de quem sabe o que é ser feliz e está tentando dar essa aula para nós: adultos que não prestam atenção.

Precisamos tomar consciência de que o objeto não tem valor, o valor vem da gente, nós que depositamos isso, portanto, somos responsáveis pela ressignificação também. Afinal, se formos ficar muito felizes apenas com eventos raros e caros que acontecem na vida, passaremos a maior parte dela esperando e pouco tempo comemorando, concorda? Toda escolha é uma exclusão, seja inteligente ao analisar o que quer excluir e o que quer adotar. Tudo isso vai atingir direta e indiretamente teus pensamentos diários e a construção da única pessoa que tu vai ter que conviver eternamente: tu mesma.

10 de jan de 2017

Era só mais um Silva - por Rafael Silva

No final da década 90, Edgar Scandurra (conhecido como guitarrista da banda Ira) deu uma entrevista para a MTV onde dizia algo como “No Brasil, a cada 20 anos a gente descobre que coisas muito boas foram feitas na música a 20 anos atrás”. Essa frase ficou marcada na minha memória, apesar de eu não ter encontrado qualquer referencia a ela na internet.  Tenho pensado bastante nela recentemente acompanhando amigos discutindo qual o tipo de samba mais “verdadeiro”, mais “legítimo” ou como o samba e o pagode de hoje na maioria das vezes “empobrece” a música. Será que realmente temos dificuldade em reconhecer mudanças musicais potentes quando as vemos surgir? Será que há uma tendência entre os críticos de reagir negativamente aos trabalhos que propõe releituras e não seguem as tradições à risca?

        Olhando em perspectiva, toda a história do samba foi marcada por essa tensão entre inovação e conservação. O que se entendia por samba, partido alto, choro e outros termos relacionados no fim do século XIX e começo do XX não é o mesmo que se entende hoje. Os próprios padrões rítmicos que hoje tomamos como característicos do samba “tradicional” (que o musicólogo Carlos Sandroni chamou de paradigma do Estácio em seu clássico livro Feitiço Decente) foram uma inovação em relação aos sambas gravados até a década de 30, mais ou menos. A bossa nova foi a variação dos anos 50-60, o pagode dos anos 80 e 90 e, finalmente, o pagode contemporâneo são desdobramentos dessa tensão. Todas essas variações seguem vivas nas mãos de grupos de músicos e apreciadores. O surgimento delas não significou o fim ou o apagamento delas exceto por curtos períodos (como aquele que fez João Nogueira criar o Clube do Samba). Essa tendência ao surgimento de movimentos inovadores não é exclusividade do samba e nem é novidade.

         A máxima do filósofo grego Heráclito (535 a.C. - 475 a.C.) que afirma que “A única constante é a mudança”. soa bastante reconfortante e motivadora quando a pensamos em uma perspectiva geral (a família, o trabalho, etc.), mas é curioso refletir sobre como mudanças musicais são conflituosas e como esses conflitos são constantes na história da música. A música está presente em absolutamente todas as comunidades humanas que se tem notícia e eu diria que uma coisa é certa: sempre haverão pessoas dispostas a realizar mudanças naquilo que se entende por musicalmente tradicional e sempre haverá pessoas resistindo a essas mudanças. Desse conflito, pode sair uma nova tradição que venha desbancar a antiga em popularidade e/ou legitimidade, podem surgir outras tradições que se distanciam da original ou mesmo essas mudanças podem não repercutir, mas não há indícios confiáveis de que esse tipo de conflito um dia acabará. E desde o momento em que as práticas musicais foram se desprendendo dos rituais cotidianos essas mudanças são cada vez mais constantes.

            Antigamente, a música cumpria um papel muito mais ritual e mais conectado simbolicamente com o cotidiano das pessoas. Haviam as danças para festejar as colheitas, as canções para o menino que entrava na puberdade, as músicas de rituais religiosos, etc. Ainda que sempre tenha havido pessoas criando música (compondo, improvisando, arranjando, fazendo variações), o repertório compartilhado por uma comunidade precisava de algumas gerações para sofrer mudanças substanciais. Isso já não acontece mais nas culturas urbanas contemporâneas por uma série de razões que não dou conta aqui de explorar. O próprio samba dito rural no Rio de Janeiro (o que se praticava na casa das tias baianas) estava muito mais ligado à religiosidade (jongo, candomblé e outros) do que os sambas urbanos, então esse movimento não nos é estranho.

          O que importa ter em mente é que tudo que é “de raiz” hoje foi algo subversivo um dia e que essa subversão foi combatida por algum grupo, como foi Donga e Pixinguinha ao serem acusados de compor choros fortemente influenciados pelo jazz no fim da década de 20, a bossa nova que tomou boas pauladas de muitos críticos por sua batida simplificada e com letras que beiravam a infantilidade e o pagode que fez significativas alterações na formação instrumental dos grupos e no vocabulário harmônico e melódico “descaracterizando o samba”. Em suma, trata-se de grupos brigando para ver quem tem mais legitimidade para falar o que se deve e o que não se deve fazer em música e o que se deve e não se deve ouvir como música. Mais do que isso, como, para cada tipo de música corresponde um tipo de sociabilidade, um modo de se vestir e se portar (você identifica um pagodeiro, um rapper e/ou um roqueiro quando os vê na rua, não é?), no fim das contas, talvez esse conflito constante não tenha uma relação tão direta com música. Talvez esse conflito fale mais sobre pessoas querendo controlar as outras do que qualquer outra coisa. Talvez?? Quem sabe?

26 de dez de 2016

Bruno Fontana - o novo colunista do Armazém do seu Brasil em 2017

 


Fonte da imagem:
acervo pessoal do novo colunista

Qual o preço de sermos o melhor que podemos ser? Que venha um novo ciclo, mais consciente.
                Chega fim de ano muitos de nós paramos pra pensar, analisar aquilo que passou, com todo simbolismo que esse período traz: o fim de um ciclo e o início de outro. Passamos por isso durante toda a vida, mas por que às vezes é tão igual, sem grandes novidades positivas?
               Sonhamos com um novo início, novas oportunidades, novas experiências e conseguimos só prever coisas boas, que o próximo ano traga consigo maravilhas e seja melhor que o anterior. Bom, sonhar é maravilhoso, e arrisco dizer que sonhar é uma fagulha que transcende a alma, sonhar saudável, sonhar possível e “impossível”, sonhar é o que nos leva para onde entendemos nos fazer mais felizes, mais plenos. Sonhar é viver na mais pura essência que a palavra “viver” pode representar. Mas, por vezes não conquistamos nossos sonhos no tal “ano novo” e nos frustramos, chega novembro e bate aquele peso que a pergunta “conquistei o que queria no início deste ano?” traz. Mas, logo ali já é ano novo, de novo, e vêm mais sonhos, mais metas, mais entusiasmo por estar se encerrando esse ciclo que não deu certo e iniciando outro que vai dar: “agora vai! Agora vai ser diferente! Esse é meu ano!”.  Como um ano diferente vai ser responsável por trazer sucesso para pessoas que são as mesmas, que não aprenderam? Os anos, o tempo, apenas existem. Não assumem a responsabilidade de levar sucesso pra alguém.
            A mente humana é extremamente criativa positivamente para aquilo que não viveu: “se eu tivesse feito isso ou aquilo, hoje teria sucesso”. Calma, outros caminhos também teriam suas dificuldades, que não conseguimos conceber pelo fato de não termos sofrido com elas, então nos resta praguejar as pedras do nosso caminho e sonhar com a grama verde do vizinho, sem saber das dificuldades para deixá-la assim.
             Mas, então, como é que eu saio desse “ciclo vicioso”? Não é fácil, adianto. Porém, qual é o preço que vale teu sucesso? Qual o preço que vale tua felicidade, paz de espírito por ter feito o que pôde? Pra que consigamos começar a ter sucesso precisamos mudar a nós mesmos. Olha... Que clichê, não é mesmo? Pode ser, contudo, as frases e dicas mais impactantes do mundo sempre estiveram acessíveis a nós, e o que fazemos com isso? Refletimos com profundidade? Nos melhoramos ou só postamos no Facebook? Exemplo: “conhece-te a ti mesmo” (Sócrates) ou “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” (O Pequeno Príncipe). Aposto que tu já leste em algum lugar essas duas frases, mas parou pra vivê-las? Absorveu o que dizem?
            Convido-te a ler e refletir sobre elas, todos os dias, e te garanto que em alguns momentos tu terás compreensões diferentes, pois à medida que cresce a tua maturidade de entender, cresce a tua capacidade de agir e motivar-se.  Desejo, do fundo da minha essência e minha alma, que neste início de ciclo que é o ano de 2017, nós melhoremos a capacidade de nos conhecermos, vencendo nossos pontos mais fracos e potencializando os fortes, e sejamos conscientes de que somos responsáveis pela nossa própria realidade.
            Que sejamos o melhor que podemos ser dentro das nossas limitações e potencialidades. É com muito amor que escrevo essa breve passagem, e que a semente que aqui contém, floresça gigante dentro de todos nós.

                                   Bruno Fontana - massoterapeuta, acadêmico de Educação Fisica, terapeuta vibracional e corporal

Posentão...        Na última semana de dezembro de 2016, gostaria de apresentar o mais novo colunista do Armazém do seu Brasil - Bruno Fontana. Chega na conta das parcerias da filhota Karol e que, gradativamente foi estreitando  as relações com nossa família. Conversando, compartilhando vivências e construindo "coisas" para um Mundo mais leve, mais justo e mais igual. Opiniões que convergem para o que pensamos por aqui no Armazém do seu Brasil.
       Então quinzenalmente teremos textos sobre comportamento, sentimentos, sociedade contemporânea, energias alternativas e outras coisitas.
Vamos??
Abraços,

Edinho Silva