13 de abr de 2011

Comigo é na base do beijo

Chegou a festa mais esperada do mundo do samba. Aniversário do Betão, o melhor cavaco do bairro Santana. Todos esperavam com muita ansiedade a data. Era euforia, muita gelada, churrascada e muito samba legal.
O bar reservado para festa já encontrava-se com um público bacana, equipamentos de som revisado, boa parte da banda já se encontrava no local - menos o aniversariante, Betão. Em cima da hora marcada, chega o moço, lentamente, numa mão o cavaco e na outra a amada, a mulata Marinara. Ambos elegantes e perfumados receberam muitos cumprimentos na chegada da festa. O que o Betão não esperava era o olhar indignado dos seus parceiros de banda que o aguardavam há bastante tempo para começar o samba.
Palco montado, músicos distribuídos nos banquinhos, instrumentos afinados, expectativa da galera e tudo pronto para o samba começar. Numa ação repentina, o cavaquinista Betão, pediu um tempo para seus parceiros iniciarem os primeiros acordes. Tinha algo muito importante a fazer naquele extao momento. Surpresos, os sambistas atenderam o pedido do aniversariante e não inciaram a música. Betão saiu lentamente do seu "posto" e foi na direção da namorada Marinara, fazendo juras de amor ao seu ouvido e roubando-lhe um beijo apaixonado. Alívio e gargalhada geral.
Se não estivesse de aniversário e se não fosse protagonista de um gesto tão doce como um gesto de amor, em pleno dia mundial do beijo estava FORA DA BARCA.
"O amor é lindo", comodiz dona Morena, do Armazém.   

Programa de índio na avenida


Carlito Trovão nos conta que num Carnaval dos anos 80, uma das tribos carnavalescas existentes em Porto Alegre, cometeu uma "senhora gafe" em plena avenida. É sabido que uma das exigencias do regulamento prevê uma performance(ou um rito) defronte aos jurados para a devida avaliação.
Durante 60 dias sob o comando do coreógrafo Lelei Mathias, 3 bravos e disciplinados querreiros ensaiaram uma ação junto ao pajé e ao chefe da tribo, os passos, os movimentos e os sons para impressionar os jurados e as autoridades. Ensaiavam muito, quase chegando à exaustão.
A performance consistia na proteção às oferendas e à fogueira feita pela autoridade espiritual da tribo defronte aos jurados. O pajé abaixava-se com os artigos que compunham a oferenda aos deuses e no mesmo instante, os 3 índios aproximavam-se correndo, com suas lanças e seus gritos de guerra, para cercar e proteger o evento. Tudo combinado, não haveria de ter erros.
No momento selecionado, cacique e pajé de cócoras, partem na direção deles 4 guerreiros e não 3, como previa os ensaios. O coreógrafo Lelei, levou à cabeça, as duas mãos.."Nossa!!! O que ESTES MALUCOS estão fazendo?". "Quem é o quarto índio qu grita mais que todos e parte na direção da oferenda??" - bradava o responsável técnico pela coreografia. Pois, não é que o quarto e mais desajustado índio, gritando mais alto que todos, cruzou os demais e a fogueira montada na avenida e foi direto ao cantinho da arquibancada?? Para surpresa geral, o moço arredou a tanga e as penas, sacou seu órgão genital e "MIJOU" geral, bem juntinho da arquibancada. A 50 metros de vossa excelência, prefeito Collares e sua primeira  dama.
Por sorte, a RBS não transmitia naquele tempo Carnaval. O Carlito não lembra muito bem como terminou a história e nem a colocação da tribo na pontuação geral. O que ELE desconfia que o moço não dormiu na "tenda".   

Segredo guardado a sete canecos


No último sábado, a nega Karol entrou apressada num grande supermercado de Porto Alegre para fazer as compras para o final de semana. Lilico, seu marido, iria buscá-la de carro ao final das compras. Dificilmente, fazia este agradinho, então não poderia perder a oportunidade. Era finalzinho de tarde e o mercado estava lotadão, dia de ofertas e final de mês, um caos. Karol, tentava acelerar as compras para não atrasar. "Carona, não escolhe horário nem itinerário", disse à amiga Babinha, que a acompanhava na maratona. Pensar no almoço dominical, na recepção aos amigos e no início da semana das crianças sem listinha de compras era muito dificíl mesmo.
"Voando as tranças, ou sacudindo o black", a preta driblava carrinhos e outros clientes para aproveitar o máximo de tempo nas compras (orçar preços, ver validade de produtos, condições de armazenamento, etc não é bolinho!).
Ao cruzar pelo bazar avistou um jogo de canecas de cristal para cervejas muito bonito. O Lilico iria adorar. Como os copos eram caros, só manuseou e deixou na prateleira. Era o último exemplar, mas a grana estava curta naquele dia. Ao chegar num setor próximo do supermercado, o das toalhas e objetos de banheiro, ouviu uma voz nos autofalantes do estabelecimento anunciar uma oferta relâmpago no Bazar. Era justamente, os canecos desejados pela Karol. Deu meia volta e partiu a toda velocidade na direção do único jogo de louças disponível no estabelecimento. Era a Karol de um lado e outras duas pessoas vindas de diferentes direções a disputar a "oferta". Todos em alta velocidade, anunciava-se um acidente. Não deu outra. Choque de carrinhos e o da nossa amiga, como foi o primeiro a chegar bateu com tanta força nos canecos que os jogou longe.
Logo em seguida, as outras duas pessoas foram afastando-se "de fininho", deixando a amiga do Zé Prettim com a embalagem e os cacos na mão. Chega gerente, segurança, repositor e um contingente nunca visto para averiguar o ocorrido. Com a insistência e insinuação de alguns funcionários do lugar em pleitear o ressarcimento do prejuízo(acrescida à vergonha da Karol), a consumidora decidiu pagar os danos. Enquanto isso, sua amiga Babinha só chorava, compulsivamente.
Parcelou no cartão de crédito a despesa, deixando as compras no carrinho, desistindo do abastecimento para o final de semana.
Algum tempo mais tarde, Lilico estacionou e foi ao encontro de sua mulher. De olhar triste e silencioso disse que, havia desistido das compras e sugerindo um almoço fora no domingo ou uma visita à sogra. Guardando com isso, o "segredo do ressarcimento" da louça chique.
Coitadinha da amiga do Zé Prettin, pois ansiosa em aproveitar a oferta e agradar o amado acabou participando de um acidente.