Personagens do Armazém

João Olivério do Brasiltio João do Brasil

Nascido em 10 de setembro de 1950, no bairro do Areal da Baronesa, na cidade gaúcha de Pelotas – a capital da cultura, do doce refinado e do xavante Brasil. Sambista “de responsa”, autodidata e multi-instrumentista, bom de bola e de dança, o mulato tio João do Brasil também é identificado como destacado intérprete de consagrados sambistas brasileiros (Monarco, Cartola, Paulinho da Viola, Lupicinio Rodrigues, Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho, entre outros). Costuma afirmar que, além de sua mulher e os filhos, o futebol, o samba e a eletricidade, seus amigos representam suas grandes paixões na vida. O futebol e as disputadíssimas peladas iniciaram na adolescência. Chegava da escola, bebia um copo de batida de banana e comia um pão com mortadela às pressas e rumava para o campinho para encontrar os amigos das peladas e do futebol. Sua iniciação no samba, deu-se, igualmente na infância, quando ganhou seu primeiro cavaquinho, cor de cerejeira, presente do padrinho – tio Benedito. Este parente costumava levá-lo às rodas de samba da Cidade para “beber direto na fonte”, como costumava afirmar. Autodidata, o pequeno João ficava  atento aos acordes dos mais velhos. E dessa forma foi produzindo, ainda na escola seus sambas e melodias.
Outra paixão do jovem era o tema Eletricidade. Falar nos fenômenos da Física, nas magias, segredos e transformações que o assunto poderia proporcionar entusiasmava muito o menino. Mexer em fios e ferramentas era com ele mesmo.
Os amigos surgiram ao longo da vida e por conta disso acabou compondo o espaço conhecido como Armazém do seu Brasil. Suas histórias e sua gente. Quando o amor e a paixão entrou de vez na vida do mulato João do Brasil?? Quando a jovem baiana, tímida e encantadora Sebastiana – Tianinha, cruzou seu caminho. Foi amor à primeira vista. No colégio ainda.
Após concluir seus estudos normais pediu ao pai o eletricista predial Carlos Antonio que o matriculasse num curso técnico do Senai/RS na área da eletricidade. Queria logo mexer em fios, em quadros elétricos e tudo que envolvesse energia elétrica. Nos finais de semana, dividia seu tempo com a namorada Tianinha e o time de futebol dos amigos. Habilidoso, ponta esquerda do Porto Futebol Clube foi por muito tempo goleador dos campeonatos amadores da cidade e “verdadeiro terror” do campo do Tamandaré. Durante as tardes de sábado, sua felicidade era completa., pois estava entre amigos, junto da namorada e seu cavaco, dando dribles desconcertantes nos adversários e saboreando costela gorda e  lingüiça assada.
Já adulto o eletrotécnico e acadêmico de Engenharia ingressou através de concurso público na CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica. Como seria transferido para o interior do Estado tomou a decisão de “pedir a namorada” em casamento. Conseguiu ser nomeado para sua cidade natal onde pôde ficar perto dos amigos de infância, dos familiares e do seu clube do coração – o Brasil, de Pelotas. Sua esposa, Tianinha dividia os cuidados de casa(filhos e marido) e sua qualificação profissional na área da Gastronomia.
Ao voltar para Porto Alegre, a família João do Brasil reencontrou os amigos, a outra  metade da familia e as coisas boas da Capital. A família unida caía no samba durante os ensaios da Escola do bairro. Seu João era responsável pela harmonia, Tianinha coreografava a Ala das Mulatas (depois de ter sido  por muito tempo, porta-bandeira) e os “filhotes” divertiam-se entre a bateria.
A franqueza nas relações, disciplina no trabalho, seriedade e bom humor na vida, fidelidade aos amigos, afeto e zelo aos familiares, amor à mulher e aos filhos, solidariedade aos necessitados são traços marcantes do seu João do Brasil. Atualmente, o pai de 4 filhos, avô de 5 netos, apaixonado pela mulher e pelo samba é o feliz proprietário do Armazém do seu Brasil.


Sebastiana Rodrigues do BrasilTianinha

Nascida na simpática cidade baiana de Vitória da Conquista, no dia 05 de maio de 1948. Filha de Francisco Leal Rodrigues, oficial do Exército Brasileiro e Maria Nair Carvalho Rodrigues, enfermeira de profissão e ofício. Com a transferência do pai, de Recife para Porto Alegre chegou no RS em idade escolar (na adolescência).  Neste período conheceu o jovem João do Brasil, seu amado marido e pai de seus filhos.
Com ele conheceu o samba, as tradições gaúchas e o churrasco, os movimentos sociais locais, as energias do Carnaval e os muitos amigos que se aproximaram do Armazém. Foi desfilando na Escola de samba do bairro e sambando no Carnaval que, pôde soltar suas emoções e empunhar o pavilhão da entidade. A “Pérola negra” como era chamada pelo João do Brasil, herdou alguns dotes de sua vó materna – vovó Maria. Entre eles a simpatia e paixão pela religião afro-brasileira (filha de Oxum) dominava com desenvoltura a culinária brasileira.. Logo que voltou de Pelotas na companhia da familia buscou aperfeiçoamento profissional no SENAC/RS nas áreas de Gastronomia e Confeitaria. Após graduada a cozinheira profissional era mão de obra disputada no mercado dos restaurantes, pois além de ousada e talentosa, primava pelo bom gosto e agilidade na produção dos pratos.
Parceira fiel do maridão João do Brasil na educação dos filhos, nas partidas de futebol, no desfile da escola de samba, no orçamento doméstico, a baiana Tianinha nunca negou às crianças da vizinhança uma benzedura ou “um conforto de mãe”.
Esta é um pouco da história da negra baiana Tianinha – mulher feliz, corajosa, solidária, alto astral e de bem com a vida. 

José Maria OliveiraZECA do surdo

Nascido no bairro carioca de Irajá, em 12 de novembro de 1952, o atlético, polêmico e namorador Zeca do surdo veio para o Sul bastante jovem. Exatamente, aos 20 anos de idade quando foi transferido pelo Exército Brasileiro, mais exatamente na 7a. Cia de Guarda do V Comando Militar do Sul, na mesma turma do João do Brasil e do Carlito Trovão, seus parceiros de batucadas na caserna. Gostava bastante do Exército e só afastou depois que descobriu o igualmente, desafiador e interessante universo da Brigada Militar. Ativo e inquieto, como gostava de muita ação, abriu mão da tranqüila carreira militar em troca do  trabalho disciplinado dos brigadianos. Foi para a reserva na condição de major, após ter circulado por vários setores da Instituição, onde fez grandes amizades.
Não constituiu família formal, nem esposa, nem filhos e costuma afirmar que “os pequenos não podem ser resultado de caprichos de adultos, nem experimentos nas relações emocionais. Ter filho é coisa séria, mermão”. “Sou mesmo é garoto propaganda da Jontex”, brinca ELE, referindo-se aos preservativos. Bom de dança, galanteador, gentil e músico de respeito torna-se difícil não ser desejado por muitas mulheres.  Mantém até hoje sua solteirice. Dizem as más línguas que possui uma embaixada em vários países, não tem uma mulher, mas muitas espalhadas.
Outro traço bem pessoal é sua peculiar franqueza nas falas. Costuma vangloriar-se afirmando que “por onde passa, não perde a oportunidade de propor reflexões sobre a vida, o mundo e as pessoas”.
Torcedor fanático do América carioca, nega-se a torcer pelo Grêmio ou pelo Inter, pois entende ser muito simples a paixão ou por um ou pelo outro. Se fosse torcer para um time na cidade torceria pelo Cruzeirinho. Só para incomodar colorados e gremistas.
Além das atividades esportivas (suas lutas e treinos de pugilismo) outros prazeres do Zeca, assim como samba são o convívio com os amigos do Armazém, “suas amigas” e a gastronomia. Adora preparar uma feijoadinha campeira que aprendeu com sua amiga Morena do Armazém. Segundo ELE, o prato tolera todos os ingredientes. “É como uma noite de amor, dentro da panela ou em quatro paredes, vale tudo” – costuma dizer.
Ainda na adolescência perdeu muita namorada por divergir ou contrapor qualquer assunto com os futuros sogros. Este exercício contribuiu para a construção de uma personalidade diferenciada e efervescente na busca de um mundo melhor.
Este é o Zeca do surdo, que escuta, que observa, chora e ri, porém, propõe sempre a reflexão. Sem acionar os punhos ou as luvas. “Discussão? Nada disso, o argumento rola só na categoria, mermão!!!”.

Maria Vitória dos SantosDona Morena

A mulatinha Vitória já requebrava os pequeninos quadris no berçário da Santa Casa em Cachoeira do Sul logo nas primeiras semanas de vida.
Assim cresceu a menina feliz, criada pela vó materna juntamente com os irmãos. Seus pais faleceram num acidente de automóvel quando voltavam de uma festa. Para vencer as marcas da catástrofe e das perdas, só a união dos filhos e o adocicado jeito de ser de dona Emília (a vó) foram capazes de influenciar na formação de pessoas amáveis como transformaram-se a família da Maria Vitória. Na sua adolescência mudaram-se para Porto Alegre onde teriam a companhia dos outros parentes. Na escola conheceu a grande amiga, Tianinha que a apresentou aos amigos, ao samba e à galera do Armazém.
O apelido Morena ganhou por influencia da cor de sua pele quando agitava as massas em meio ao samba nos ensaios da Escola. Enquanto João do Brasil coordenava a harmonia, sua mulher Tianinha empunhava o pavilhão, a amiga Maria Vitória, ou melhor, dona Morena transforma-se na eterna madrinha da bateria. Lá também conheceu o ritmista Zé Virgilio, pintor de paredes de “mão cheia”. Namoraram, casaram e tiveram 4 belos filhos. Infelizmente, mais um golpe na vida da carnavalesca. Seu amado marido foi baleado e morto em um assalto quando voltava para casa.
            Diante disso necessitou intensificar suas atividades como costureira, porém sua força e garra não atrapalharam suas funções como educadora popular e líder comunitária. Por muito tempo dedicou-se à família sem envolver-se com novos amores.
            Após muita insistência dos velhos amigos do Armazém do seu Brasil (João, Tianinha, Morena, Carlito, Zeca, Totonho e Cenira) retomou o gosto pela dança, pelo samba, sorrindo, namorando e participando das animadas rodas e funções da animada turma.
            O gingado, o sorriso e a simpatia da Morena continuam o mesmo dos velhos tempos.

Cláudio Carlos Neves da SilvaCarlito Trovão

Nasceu em 26 de abril outubro de 1951, na cidade de Rio Grande, RS. Importante ponta esquerda do Clarão da Lua, time de várzea do Mont Serrat, conhecido bairro de Porto Alegre, festejou por quase uma década muitos gols nas praças e parques públicos da Capital. Ainda muito jovem, aos 16 anos mudou-se com seus pais para a Capital.  Chegando aqui, foi logo adaptando-se as evoluções da Cidade grande. Aos 17 anos alistou-se nas Forças Armadas, ficando indeciso entre a Aeronáutica e o Exército Brasileiro. O destino o fez optar pelo verde oliva, onde acabou prestando serviço militar na 7a. Cia de Guarda do V Comando Militar do Sul, na mesma turma do João do Brasil e do carioca Zeca do Surdo.
Seu amor pelo futebol pode ser traduzido pelo Sport Club São José e seu amor pelo samba e Carnaval podem ser identificado com as cores da União da Vila do IAPI. Seu primeiro instrumento foi um violão recebido de presente de uma tia querida aos doze anos de idade. Observador atento dos sambistas mais antigos que animavam as rodas de samba do Cassino. Se aperfeiçoamento foi através de revistas do gênero e ensinamentos da turma do Cais do Porto. Aos poucos foi chegando aos seus ouvidos nomes consagrados como Noel Rosa, Élton Medeiros, Nelson Cavaquinho, Monarco, Cartola, Lupicinio Rodrigues e outros tantos nomes do samba. Guarda até os dias de hoje, seu primeiro instrumento, substituído por “um pinho mais ajustado” como costuma dizer.
Ao contrário de seu parceiro, Zeca do Surdo, Carlito Trovão é um sujeito bastante conservador e de uma paixão só. Desde que ficou viúvo, apenas namorou – “uma de cada vez”, segundo ELE. Nada de atropelos, uma de cada vez. Até hoje, não achou a outra metade da maçã.
Colaborou na condição de intérprete da escola do coração até chegar ao cargo máximo de diretor de harmonia musical e atualmente, “batuca” semanalmente com seus amigos do Armazém do Seu Brasil. 


Luiz Antonio da SilvaDr. Totonho

Na simpática cidade gaúcha de Osório, próxima à Terra de Areia onde nasceu Totonho, muitas pessoas apostavam no sucesso profissional e no futuro do menino pretinho vendedor de picolés, entregador de frutas, lavador de tratores, entre outras tarefas.
Desde muito cedo dividiu seu tempo livre entre estudos e trabalho. Tinha a certeza que os estudos lhe reservariam uma condição de vida bem legal no futuro e a labuta precoce ajudaria muito seus pais no sustento da família. Morador de uma modesta casa de dois cômodos (com os pais e um irmão mais novo, Luiz Carlos) tinha uma rotina de vida bastante regrada. Das muitas recordações do irmão lembra da fidelidade, do carinho e amizade que marcava o convívio.
A atração pelas leituras partiu do contato com a professora Marinha, da escola de ensino fundamental que apresentou a coleção de Monteiro Lobato e Olavo Bilac. Do gibi aos clássicos, tudo era legal na hora do lazer do pequeno  Totonho.
Já mocinho transferiu-se para a Capital em busca de melhores condições profissionais e novos desafios na vida. Por aqui fez de tudo. Inicialmente, o que conseguiu  na agitada cidade foi engraxar sapatos,  depois vendeu jornais, entregou frutas, lavou carros, mas em momento algum abandou seus estudos.
A faculdade de Direito também teve seu grau de dificuldade, obstáculos, risos e lágrimas  como nos versos do “Pequeno Burguês”, música consagrada na voz do Martinho da Vila, ela era particular e Totonho gastou muita grana na sua qualificação. E foi produzindo muito pão caseiro e geléias de frutas nas madrugadas (vendia aos colegas e professores), transportando e conduzindo os colegas nas festinhas, fazendo “bicos” no Fórum (pequenos serviços para os colegas bacharéis)  conseguiu concluir a primeira etapa (graduação em Direito). Mais experiente buscou parceiras, montou seu espaço de trabalho, especializou-se, conheceu clientes novos, perdeu sono, “engoliu livros” e mais livros, investiu no seu Mestrado numa renomada instituição de Ensino Superior Paulista, enfrentou em seguida o Doutorado e ingressou na docência acadêmica. Cheio de livros na cabeça e lotado de experiências de vida.
Atualmente, após tanta batalha consegue  manter seus clientes (juntamente com seus sócios no escritório), seus alunos na faculdade, a roda de samba com os velhos e fiéis amigos (galera do  Armazém), sua paixão pela leitura, cinema nacional e o contato com as flores ao lado de sua mulher amada, tia Cenira.
No grupo do Armazém é identificado como o agente cultural e de informação.

Cenira Cristal da SilvaTia Cenira

Nascida em 22 de janeiro de 1952, em Porto Alegre/RS, nas movimentadas ruas do Areal da Baronesa, na Cidade Baixa. Cozinheira de mão cheia e confeiteira de muitos doces no vasto currículo, Tia Cenira é também identificada com uma pessoa extremamente generosa e organizada. Habilidosa na máquina de costura, infalível em qualquer levantamento patrimonial e contábil (embora não tenha concluído sua graduação nas Ciências Contábeis). Um senso de humor apurado, um talento invejável nas danças de salão e parceira de todas as horas do maridão, dr. Totonho. Assim é tia Cenira.
Desde muito cedo, ainda na adolescência, agregava e fazia novos amigos com muita facilidade. E dessa forma conheceu na Escola a amiga Tianinha (sua fiel parceira das ações sociais desenvolvidas desde a adolescência). Herdou dos pais este perfil solidário dos pais e o apresentou ainda na infância. No recreio do colégio, por exemplo, dividia seu humilde lanche com os colegas que não tinham, durante as aulas seu material escolar era de todos também.
Durante as provas do vestibular na Faculdade Portoalegrense conheceu outra amiga do Armazém - a Morena, com quem trocou receitas e solidificou uma relação de amizade até os dias de hoje. Na ocasião apenas, Cenira foi aprovada, cursou 4 semestres e mudou de área completamente. Pegou a amiga Morena pelo braço e matricularam-se nos cursos do Senac/Porto Alegre nas qualificações de Gastronomia e Confeitaria. As amigas trocavam figurinhas. Cenira ensinava as receitas e Morena os passos de dança e assim animavam as rodas de samba da turma do Armazém. Quando os “meninos” não assavam churrascos, as  “meninas” assumiam o comando. As feijoadas completas e as massas tinham a preferência da galera. Assim as amigas Tianinha com seu tempero baiano, tia Cenira e Morena tomavam conta do pedaço.
E dê-lhe samba, dança, boas risadas e comidas apetitosas.


João José de Olivério do Brasil  Prettim

O filho mais novo do tio João do Brasil nasceu num dia ensolarado de junho de 1985. Brincalhão, boa praça, afetivo, detalhista, generoso, rabugento em dias nublados, trabalhador,  amigos dos amigos, bom de  cozinha e de bola, disciplinado, ousado, ansioso e sobretudo, colorado. Assim descrevemos um pouco do Zé Prettim, como é conhecido.
Desde criança, chutava seus brinquedos para todos os lados. Enquanto, seus amiguinhos, seus primos e vizinhos mais próximos puxavam carrinhos, o garoto ia chutando “mundo afora”. Num dos muitos Natais de sua infância ganhou de seu pai um lindo caminhãozinho, do tipo tombadeira. Não se agradou muito, pois queria uma bola de futebol. Enquanto não ganhava de seus padrinhos ia praticando cobranças de pênalti com tudo que encontrava pela frente. Chutava frutas, caixas, potes e bolas de todos os materiais e tamanhos. Uma paixão alucinada por futebol.
O garoto atingiu sua adolescência e foi conduzido por seu tio e padrinho à uma escolinha de futebol da Capital (do seu clube do coração). Pretendia seguir carreira defendendo o gol do seu clube colorado, copiando seus ídolos Manga, Schnneider, Taffarel entre outros. Depois de algumas tardes dividindo seus dias com estudos e bola, recebeu um convite para investir nos estudos. Inconformado, pediu a seu padrinho que o levasse para o tricolor da Carlos Barbosa. Lá foi muito bem recebido e pode por algum tempo, como todo garoto, sonhar com a seleção brasileira e com a camiseta vestida atualmente pelo Vítor.
Cansado de tudo isso e disposto a ganhar seu próprio dinheiro ainda na adolescência, largou o futebol e foi trabalhar com veículos. Isto mesmo, por algum tempo, foi o responsável pelos veículos que seu tio vendia. Na verdade, responsável pela lavagem e aspiração dos veículos. Seu forte era o silicone nos painéis e a graxa nos pneus dos carros. Mas isto era mero detalhe, afinal a grana vinha.
Trabalhava pela manhã e estudava no período da tarde, num colégio de padres e freiras da Zona Sul. Fez grandes amizades neste período, entre estas o inseparável Eduardo C. Molina, o levantador do time de vôlei do colégio. Priorizando sempre os estudos em relação a qualquer outra coisa, conseguiu entrar na Faculdade logo cedo. Começou a cursar Física, Engenharia, Informática, Educação Física, Relações Internacionais, Administração de Empresas (não concluindo nenhuma) e ao que parece, o próximo alvo é o curso de Ciências Jurídicas.
Depois de percorrer várias estações de trabalho acabou conhecendo e encantando-se pelo mundo do show bussines esportivo. Foi apresentado à Produtora de eventos esportivos e agenciadora de atletas do Voleibol Brasileiro – Estrela Azul. Na nova experiência profissional conseguiu viajar o Brasil inteiro, conhecendo gente e costumes de todos os lados e cantos verde-amarelos. Sua paixão pelo samba, herança de seus pais, ampliou-se após conhecer de perto as rodas de samba cariocas e baianas. Com isso só viu ampliado seu grupo de amigos. Atualmente, Prettim relaciona-se com muitas pessoas e costuma fazer amizades por onde passa. Na academia de ginástica, nos clubes que freqüenta, nas baladinhas, nos pagodes (e dê-lhe pandeiro), nas excursões universitárias e nos churrascos com os amigos. Namoradas? Que nada, solteirão convicto. Costuma dizer que as mulheres não o entendem e não possuem a paciência para a devida compreensão. Papo furado, afirmam alguns. Costuma aprontar poucas e boas no Carnaval de Salvador.
E assim como os demais integrantes da turma do Armazém do seu Brasil, seu velho e querido pai, também é cheio de histórias para contar.

José Luis dos Santos Saraiva - Zé Limoeiro

            Nascido em 01 de junho de 1950 no bairro Teresópolis, na cidade gaúcha de Porto Alegre – a capital do sorriso e do Laçador. Sambista "de responsa", autodidata e "pé de valsa" desde o berço. O mulato Zé Limoeiro, como é conhecido o educador físico, fisioterapeuta, ator e agitador cultural é identificado como um sujeito de TODAS AS RAÇAS e RELIGIÕES. Por que?? Simples. Na lista de amizades constam renomados nomes de membros de familias notáveis do país assim como anônimas pessoas do seu cotidiano. E a fé do "cara"?? Grudado nela, sempre acreditou na letra da música do baiano Gilberto Gil "...Anda com fé eu vou...que a fé não costuma faiá!!". Se tiver que ir até à Igreja da Nossa Senhora do Caravaggio a pé para pagar uma promessa pela saúde de um amigo ele vai. Se necessitar "gritar freneticamente" numa igreja evangélica para acarinhar um parente, vai também. E se precisar ir à uma terreira tomar um passe ou prestigiar uma festa de batuque de uma amiga do peito. Sai correndo e é o primeiro a chegar no local. E assim o moço vai levando a vida, com guias no pescoço, foto do Padre Reus na carteira, livros de Chico Xavier na bolsa, passagem comprada para o templo budista, em Três Coroas o cara tem. E o samba na vida dele, o que significa?? TUDO e mais um pouco. Ainda na maternidade sacudia os bracinhos quando ouvia um som de cavaco na rua. Desde muito cedo apegou-se as variações e ritmos brasileiros. Em casa com sua familia além dos clásscos de Martinho da Vila, Alcione, Jamelão, Clementina de Jesus, Beth Carvalho entre outros ouvia muita coisa boa desde cedo. E para dormir, ainda criança?? Ouvia cantigas de ninar?? Lógico que não. Caso seus pais não colocassem um samba enredo na vitrola bem pegado o meninão não dormia. E os estudos, o colégio?? Só para fazer amizades e participar da educação física, sua outra paixão. Mesmo com verdadeiro horror aos estudos, conseguiu ao longo da vida conhecer muita gente, muitos lugares e muitas culturas. Sua energia, carisma e simpatia garantiam a fidelidade das pessoas.
              E as paixões?? Costuma dizer que é um sujeito apaixonado pela vida. Por pessoas, por gente. Inquieto, viajante, ousado, amigo dos amigos, fiel dos parentes e generoso com as pessoas que o cercam. E o Carnaval e o samba na vida do Zé Limoeiro??Isto sim é paixão. Os movimentos para a folia de fevereiro começam cedo. Depois de desfilar por muito tempo no Carnaval da Cidade em postos como passista e mestre-sala, decidiu conhecer a folia dos outros Estados. Desprestigio para os gaúchos?? Nem pensar. Antes do desfile principal, na companhia dos amigos, o sujeito circula em todas as Escolas de samba e rodas de amigos. Toca algum instrumento?? Não. Compõe algum samba?? Não. Dança ou coreografa algum movimento?? Sim e muito. E onde entra a caipirinha?? Na cabeça como ELE costuma dizer. Seus pais diziam que ELE nasceu sambando e na mamadeira já reivindicava "caipira de limão".   
            Ministrando aulas de arte e cultura popular, especificamente ensinando ritmos brasileiros, circula com desenvoltura nos espaços mais chiques da Capital. Tal situação o motiva a ser vaidoso e soberbo?? Nem um pouco. É possível deixar um coquetel pela metade no Sheraton Hotel para comer uma costela magra (ou gorda??) na Banda da Saldanha, por exemplo. E a generosidade onde fica?? Em todas as situações. Amplia o raio de oportunidades oferecidas a todas as pessoas que estiverem motivadas a compartilhar afetos, atenções e coisas do genero. Um exemplo?? Lá vai...Vou contratado por um clube da alta sociedade portoalegrense para apresentar um show de dança brasileira. No pacote de contratação do show garantiu a participação de boa parte da bateria da escola de samba. Humildes passistas e cabrochas desfrutando o deleite de um lugar luxuoso em nome do espaço aberto pelo Zé Limoeiro. Isto mesmo!! Para ele o respeito e afeto é o mesmo, para os familiares do Roberto Carlos e para dona Maria, a cozinheira do bar da esquina. "Povo deve ser tratado da mesma maneira. SEMPRE!!"
            E a amizade com a turma do Armazém do seu Brasil. É difícil não simpatizar com as pessoas vinculadas ao Projeto?? Claro que não. "Furando" barreiras, compartilhando afagos e conhecimentos conheceu a turminha verde e amarela e NUNCA MAIS saiu de perto. Hoje, ainda solteiro, agita sua agenda circulando pelos cantos mais energético da Cidade. Ouviu um pandeiro e uma viola tocar?? Larga tudo e cai no samba.
Pois este cara, o mais novato no convivio da turma do tio João do Brasil, será o responsável pela CONFRARIA DO ZÉ LIMOEIRO - grupo especial de amigos do Armazém.
             E assim como a grande maioria dos integrantes potencializa a franqueza nas relações, disciplina no trabalho, seriedade e bom humor na vida, fidelidade aos amigos, afeto e zelo aos familiares. Né mesmo, seu Limoeiro..