22 de ago de 2013

Vaidade? Pra que? Paulo Barros em Porto Alegre


                Quem não gostaria de ser o responsável pela abertura de um evento com a grandeza da Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas ou coisas do gênero? Eu conheço um sujeito que declinaria. Quem? O carioca de Nilópolis, artista e carnavalesco premiado Paulo Barros.
               Pode parecer uma coisa doida, mas o pouco tempo disponível para a preparação e apresentação, acrescido do rigor e das limitações impostas pela organização que impediu a utilização de qualquer elemento que “agredisse o campo de futebol” frustraram o audacioso e talentoso profissional do Carnaval no evento (Abertura da Copa das Confederações), em Brasilia. Tendo seus movimentos limitados e contando com voluntários bem intencionados, porém sem a paixão que cerca o povo do Carnaval foi bastante difícil celebrar os resultados como costuma fazer na Marques de Sapucaí.
               Mas afinal, se o artista frustrou-se com a oportunidade, decididamente não valeu a pena como satisfação pessoal? Nada disso, segundo o Paulo Barros, “foi muito bom o aprendizado, como amadurecimento”.  Apenas não quer participar mais de situações como estas.

               Pois, este moço, atual carnavalesco da Unidos da Tijuca cheio de vivências, histórias de gestão, de convívio com pessoas diferentes e objetivos comuns, pessoas comuns com objetivos semelhantes, boas doses de ousadia, criatividade e energia desembarca em Porto Alegre a convite da ABRH-RS para palestrar no Fórum de Gestão de Pessoas promovido pela entidade. Vai falar sobre o que mesmo? Sobre tudo, principalmente sobre o tema “Desconstruir é o segredo”.
             Então é isso, com ou sem alegorias, gravatas importadas, ternos de linho, jeans combinando com a camisa de malandro, com ou sem chapéu Panamá na cabeça, o mais importante é não ficar de fora desta função.
                  Eu e toda a galera do Armazém do seu Brasil estaremos por lá. Vamos??
                                  Edinho Silva
 

 Serviço:
A conferência será realizada no dia 12 de setembro, às 17h45, no Centro de Convenções da FIERGS (Av. Assis Brasil, nº 8787), em Porto Alegre/RS

O carnavalesco da escola de samba carioca Unidos da Tijuca, Paulo Barros abordará o tema Desconstruir é o segredo, durante palestra no Fórum de Gestão de Pessoas, da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS).
Para adquirir o pacote completo de palestras do evento, inscreva-se no site da Associação (http://www.abrhrs.com.br/eventos/inscricoes.ein

19 de ago de 2013

Santo errado

A terceira postagem do BATICUMBUM
 
Descendo da arquibancada...
 


                 A popularidade de São Jorge ou de Pae Ogum, como identificam os adeptos da religião afrobrasileira, foi reforçada nos últimos tempos pela novela global da autora da Glória Perez. Com trilha sonora sob o comando do versátil e talentoso Seu Jorge, a história baseada em núcleos distribuídos entre a Turquia e o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, colaborou para uma maior promoção do Santo Guerreiro em “Salve Jorge”.

                Minhas inquietações, em verdade, nem são as dezenas de camisetas e outras peças de vestuário que vejo pelas ruas nos últimos tempos. Particularmente, tenho duas. Uma comprada no Pelourinho e outra em Floripa. Minha bronca mesmo é com a banalidade em relação à figura do moço e a “idolatria Cult” que é feita ao santo guerreiro.

                  Circulando por inúmeras rodas de samba de Porto Alegre, é comum perceber imagens, acessórios e outras referências ao Ogum (seu cavalo, sua lança, capa, escudo e o dragão) apadrinhando o samba. Numa popularização sem limites. Há ainda joias nas joalherias, roupas nos camelôs, objetos nas floras, etc. Mas o que tenho com isso? Qual a razão da minha bronca? Simples.

                Por onde andam as homenagens aos outros orixás? Afinal, são 12 os orixás da religião afrobrasileira (Bará, Ogum, Iansã, Xangô, Odé e Otim, Ossanhe, Obá, Xapanã, Ibejis, Oxum, Iemanjá e Oxalá). Cada um com sua responsabilidade e seu dever em proteger seus filhos (vide Minha Fé – samba cantado pelo Zeca Pagodinho). No Carnaval de 2013, o “cara” foi homenageado por uma escola de samba de Manaus (GRES Andanças de Ciganos).

             Então, para fechar a conta, um último alerta: fique atento ao samba do Almir Guineto, Santo Errado, no trecho que diz ”...você tentou me derrubar, mas tenho o corpo fechado... pode até firmar o seu cavalo que você até deitou pro santo errado...”.

            Então, não entre na canoa furada do santo errado e nem na turma do modismo. Na real, descubra seu “santinho de cabeça”, dê a ele a moral merecida e o samba continua. Né, mesmo São Jerônimo??

Voltando para a arquibancada...e até a próxima semana. Beijos a todos.

A literatura caiu no samba

Primeiro artigo publicado na coluna "Na arquibancada" do BATICUMBUM, da Alice Mendes

Boa leitura...caros amigos:



 

             Desci da arquibancada para comentar sobre um tema legal: a ousadia na proposta de sambas enredos. Conceituados formadores de opinião, críticos de arte e afins são categóricos ao afirmar que o batuque dos tambores, o gingado das mulatas, a criatividade nas fantasias, o canto de todas as alas, sambas enredos com vida e originalidade, não representam a arte popular na dimensão como é defendida por aqueles que vivem, festejam ou celebram o Carnaval nosso de todos os anos.

Concordo que, em muitos casos e em edições passadas, as propostas de temas passaram por homenagens a cidades, fatos históricos ou temáticos que buscavam apoio financeiro de grande porte, afinal, custa muito dinheiro colocar a GRANDE ÓPERA na rua. Enfim, os motivos de minha empolgação são os temas propostos para 2014, um Brasil direto na cabeça, no coração e na alma.

Falar de literatura, de Luis Fernando Veríssimo (Imperadores do Samba), Moacyr Scliar (Bambas da Orgia), Mario Quintana (Vila Mapa), o Pequeno Príncipe (Praiana), da arte e da música, Elis Regina (Estado Maior da Restinga) e por que não comentar Política, sambando e apropriando-se da vida e obra de Luiz Carlos Prestes (Imperatriz Leopoldina).

Então tá feito o desafio aos dirigentes e gestores-mor das agremiações: enquanto carnavalesco e temista discutem as fantasias, as alegorias, os carros, os destaques, o samba, a harmonia musical a ser adotada, por que não estimular grupos de simpatizantes, carnavalescos, sambistas e passistas a criarem espaços de leitura nas Escolas de Samba?? Um bom momento para o estímulo à criação de espaços e oficinas literárias nos ambientes carnavalescos, não acham??

Certamente, tais ações colaborariam para estimularmos o hábito de leitura, uma melhor performance na avenida a partir do canto do samba-enredo e de fragmentos da obra do literário. Eu não tenho dúvidas disso.

Voltando para a arquibancada.... Beijos a todos, do Armazém do Seu Brasil

O peso da folia

A segunda postagem no BATICUMBUM...Sirvam-se

           Desci da arquibancada para falar sobre a figura de um rei Momo...
 
 
 
           Em 2010 escrevi para o site cultural “Levada do Samuka”, de autoria do publicitário, gremista ousado e cavaquinista Samuka Guedes um texto sobre os reis momos do Carnaval Brasileiro.

          A matéria apresentava um pouco da história do posto da nobreza momesca, do início da tradição em Porto Alegre, da polêmica escolha do Momo baiano em 2008 e seu peso, do papel do símbolo maior na festa popular do Brasil e algum comentário sobre a atual celebridade do Carnaval Portoalegrense.

           O início de tudo? Segundo o estudioso em samba e Carnaval Hiran Araújo, que aprofundou suas leituras na mitologia greco-romana, a figura do Rei Momo gordo baseia-se no contraste fartura da carne de domingo no Carnaval com o jejum na quaresma, e que pôde acompanhar a teoria da religião católica que adotava um Rei Momo magro como símbolo. Nas saturnálias romanas (festas em homenagem ao Deus Saturno), a figura do Rei existia e era escolhida entre o soldado mais belo que, depois, era sacrificado. Portanto, acompanhando seus estudos, o Rei Momo do Carnaval deveria ser magro.
          E aqui na Cidade Sorriso? Antes de 1960, não existia Rei Momo, Rainha, Princesas do Carnaval. Cada bloco tinha a sua própria “realeza”. Em Porto Alegre, na década de 30, o Rei Momo era um boneco que representava a figura do fanfarrão, que não trabalhava e vivia para festas. O boneco se tornou símbolo dos desfiles até virar gente. Anos depois, surgiram os “soberanos” Lelé e Macalé, que animavam os carnavais nos bairros da cidade. Mas o maior Rei Momo de todos os tempos na Capital foi Vicente Rao, o personagem da folia, o maior mito do Carnaval de Porto Alegre, que reinou durante 22 anos (entre 1950 a 1972). Alguns nomes mais contemporâneos como Silvio Lunardi (o Miudinho) e o Frotinha também deixaram suas marcas. 
          Atualmente, o guardião da coroa e de tudo que envolve o ziriguidum das festas de Momo é o simpático e incansável carnavalesco Fábio Verçoza, que divide suas atividades entre os muitos projetos sociais em que se envolve, assim como os diferentes e importantes “aglomerados” culturais de nossa cidade. Assim circula, por onde passa, com simpatia e generosidade compartilhando seus conhecimentos de cultura, de advogado, de professor, de artista e de inquieto agitador cultural, transferindo seu carinho e sua contribuição a qualquer grupo ou pessoa que dele se aproximar.
          A maior festa popular brasileira está muito representada. Eu GARANTO! Sabem por que? No meu entendimento, muito simples. Sobra humildade e gentileza no moço. Certo dia, quando o abordei na esquina da Independência com a Barros Cassal para falar de algumas ideias e projetos culturais, mesmo atrasado para um compromisso profissional na Secretaria da Cultura, disponibilizou um bom tempo para ouvir meu relato. E, assim, já testemunhei situações parecidas quando presenciei o Fábio conversando com a mesma empolgação sobre cultura e Carnaval com a baiana que acompanhava sua netinha no ensaio da Escola do coração, da mesma forma que conversava com um Gestor Público da Cidade.

          Então a receita tá lançada: Quer ser rei de alguma coisa? Siga os exemplos do Fábio Verçoza. Seja gordo, seja magro, famoso ou anônimo... O importante é manter a alegria, o respeito ao outro, alto astral e toda a vibração que tamborins, passistas, mestres-salas e tudo de belo que cerca a grande festa popular que é o Carnaval.

              Salve Majestade da Folia. Voltei para a arquibancada.