19 de ago de 2016

Dá-lhe Doutor Lúcio...A gente pode?? Claro, é só chegar mais perto da prateleira dos livros, né mesmo??



                  Foi numa festa sindical e social no Bar Opinião que, marcava o encontro de novos e reencontro de velhos amigos que fui apresentado ao Lúcio Antônio Machado Almeida, marido de uma colega de trabalho e companheira de atividades sindicais. Num espaço de música alta, de bebidas geladas e pouco tempo para conversas mais profundas ainda achávamos "brechas" para uma ligeira troca de idéias, entre um balde e outro de cervejas geladas. Companhia boa e papo bom. Nossas mulheres e outros amigos já preparavam a saída do lugar e nós, eu e o DOUTOR Lúcio, nem ligávamos para o relógio. Assim começava uma relação de afeto, parceria e admiração pelo trabalho de cada um de nós. Em nosso papo, em meio a goles, rolava de tudo: paixão clubística, literatura, música, resiliência, antropologia, receita de churrasco, justiça social, oportunidades e tolerância. Era muito assunto para pouco tempo.
                  Nos encontramos em outras oportunidades e sempre com o mesmo entusiasmo. Como se fôssemos velhos conhecidos. Num belo dia ao abrir um jornal de publicação local visualizei uma bela matéria sobre a trajetória vitoriosa do meu parceiro advogado e professor universitário. História muito bonita de um menino pobre de 13 anos que abandona a escola para trabalhar e ajudar no sustento da família. Filho de pescador e de uma doméstica, natural de Rio Grande, no sul do RS. Com uma infância marcada por ousadia e coragem para buscar seus sonhos na fase adulta. E as brincadeiras e brinquedos de infância? Buscava-os catando e vendendo latas de alumínio, vidros e ferro velho. Fez isso dos 8 aos 12 anos. Um ano mais tarde, a pedido do pai, empregou-se como empacotador de supermercado abandonando os estudos. Não os sonhos. Triste, tinha certeza de que um dia retomaria a busca de seus sonhos através dos livros.
                    Em busca de novas oportunidades, Lúcio migrou para Capital em busca de novas oportunidades. Fez de tudo. Da venda de lanches em bares populares, sorvetes pelas ruas e até a tarefa de vendedor ambulante. A oportunidade de trabalho como pedreiro na obra de uma escola numa vila periférica de Porto Alegre reavivou suas esperanças em resgatar suas esperanças em buscar através da educação o sucesso na carreira profissional. A biblioteca da escola tinham o papel reconfortante de devolver seus sonhos de menino. Sonhava em ser advogado.
Trabalhando como vigilante no Hospital São Lucas, da PUC/RS, carteira assinada e um pouco mais de dinheiro no bolso conseguiu retornar às salas de aula. Aos 21 anos, concluiu a sétima e a oitava séries pelo ensino supletivo. No ano seguinte, completou o ensino médio, também no supletivo. Em 1994, passou no vestibular de Matemática na Federal (UFRGS). Fez uma meia dúzia de anos do curso e acabou trocando para Filosofia. Não concluiu nenhuma. "Vida segue", como diz o samba do Serginho Meriti. 
                 Em 2001, foi aprovado em um concurso para ser monitor da Fase. Local onde foi possível relembrar parte de sua vida, através do contato com os adolescentes, muitos deles com histórias de vida muito parecidas com a sua. Dois anos depois,  Lúcio começou a investir no seu projeto de ingressar no mundo do Direito. Ingressou na PUC/RS, trabalhando à noite e pela manhã para estudar à tarde.
                Atualmente, atua como professor universitário e assessor legislativo na Câmara Municipal de Porto Alegre. Questionado sobre qual o segredo do sucesso? Responde de forma tranquila: "Não há muitos mistérios. Basta sonhar e tornar realidade seu sonho, através de conhecimento e respeito aos direitos dos teus próximos". Em verdade, embutida na resposta estão valores como a ética, tolerância, respeito às diferenças, inquietação à concentração de rendas, combate efetivo ao preconceito.
             E assim, repassando lições aos filhos, aos alunos, aos amigos e a todos que desejarem apropriar-se da oportunidade de crescimento através da reflexão e do conhecimento. Afinal, este não ocupa espaço. NUNCA.

             E assim prosseguiu na vida, entre códigos, apostilas, livros e mais livros. E hoje, o atualmente,  Doutor Lúcio Almeida, da federal, parou por aí?? Que nada... O cara me convidou para lançamento do seu livro, que acontecerá no dia 31 de agosto, às 19h, Livraria Bamboletras na Cidade Baixa. Nem seu qual o título, mas fala sobre cotas raciais e Rui Barbosa. É pouco?? Eu não acho.
            Reserva meu lugar, hein??
 
                                    Edinho Silva


fonte:  http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/06/catador-de-latinhas-na-infancia-advogado-esta-prestes-a-virar-doutor-em-direito-4773132.html#

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