8 de dez de 2010

Sai desse corpo, coisa ruim



Devido à sua aproximação com a religião Afro Brasileira e todos os mistérios que cercam tal tema, Tianinha  costuma  colecionar algumas histórias contadas por suas amigas “mães de santo”. 

Esta aconteceu com a Mãe Darlene de Oxum, da Zona Sul de Porto Alegre. Carlos Augusto havia separado-se da mulher e retornara (temporariamente) à casados pais. Seu Dorval, o pai do moço, permitiu o abrigo, porém com algumas ressalvas em relação ao comportamento. Algumas regras foram estabelecidas, entre estas, a proibição de excessos etílicos. Nada de bebidas em demasia.
Nos primeiros dois meses tudo perfeito. Augusto chegava cedo em casa, respeitando a todos. Num final de semana, “baixou” na escola de samba  para assistir Neguinho da Beija-Flor e reencontrar alguns amigos. Excedeu-se um pouco e tomou todas. Sambou, cantou e bebeu muito.
No meio da madrugada, “lotado  de birita”  resolveu ir embora.  Ao chegar em casa, não conseguia enfiar a chave na fechadura, até que seu pai veio abrir. Inexplicavelmente, a voz de Augusto ficou rouca e grossa, irreconhecível. Seu pai, assustado,  chamou sua mulher para atender  o hóspede que chegava naquele estado. E a voz continuava  rouca e assustadora – “Sai pra lá, seus safados”! “Vocês vão se arrepender  Ele  agora é só meu”, dizia a suposta entidade.
Sua irmã, Sabrina, foi acordada no meio da noite para ir à casa da Mãe Darlene e poder enfrentar o tal “encosto”.  Ainda sonolenta, a senhora foi até o quarto de santo, recolheu algumas varas de marmelo, espadas de São Jorge e as guias.  Um pouco contrariada, acabou rumando para a casa  da família de Augusto, afinal não poderia deixar na mão a família amiga. Na companhia de Sabrina, Mãe Darlene chegou à casa de Augusto. Cumprimentou seus amigos, os pais do moço, e foi logo dirigindo-se à entidade que, teimava em falar grosso e desrespeitosamente. Olhando nos olhos da criatura, foi aproximando-se lentamente e falando palavras doces e gentis para que a mesma voltasse ao seu lugar de origem. Foi acariciando as costas do moço com uma mão e com a outra apanhou as varas de marmelo. Num gesto rápido e certeiro, desferiu uma meia dúzia de varadas pelas costas, pescoço e pernas. Após ser literalmente surrado pela Mãe Darlene, Augusto dizia: “Calma, Mãe Darlene, o coisa ruim já foi  embora” e a religiosa respondia: “Foi não, foi não, ESTAS ENTIDADES SÃO TEIMOSAS DEMAIS” e de-lhe varadas  e mais varadas.
Após 40 minutos de descarrego, as coisas voltaram ao normal e o pai do moço,  sr. Dorval, sugeriu um banho frio. Mãe Darlene, entretanto,  recomendou no outro dia um banho de ervas com sal grosso.      
No outro dia a Sabrina, irmã do moço, disse à Mãe Darlene  que, Augusto juntou suas coisas(logo cedo) e foi morar com colegas do trabalho.

Monarco é do povo e assim deve ser



foto: divulgação
Pois, no final do mês de novembro de 2010, nosso amigo Zeca do Surdo, pegou seu tamborim e  rumou para a  Usina do Gasômetro. Estacionou o “auto” na rua Riachuelo e se foi à roda de samba, onde estava Monarco. O evento foi organizado por um grupo de simpáticos e  jovens sambistas de Porto Alegre, um Instituto social e cultural. Imaginou que o espaço seria disputadíssimo. 
              Enganou-se. Num evento de grandeza cultural como esse não haviam 300 pessoas prestigiando a função. Zeca do surdo, não se conteve e interpelou um dos responsáveis: “Oh, mermão, não vi nenhuma divulgação de massa?”. “Soube que, Monarco estava na cidade porque minha prima é cunhada de Guaracy e telefonou-me na quinta-feira”. Desistiu de tocar na roda de samba e arrematou, indignado: “Música popular é para ser apreciada por todos – populares ou não”. Então meu jovem sambista, disse a um dos membros do Instituto promotor do evento “voces precisam é divulgar as coisas populares e não propondo a grupos restritos, como estou vendo aqui”.


Monarco na Usina do Gasômetro, há pouco tempo. Artista deste quilate é para não ter lugar na grama próxima ao toldo.

Monarco nascimento 17/08/1933
Nascido no subúrbio carioca de Cavalcanti, Hildemar Diniz – o Monarco da Velha Guarda da Portela como é conhecido - Desde criança teve contato com os sambistas da escola, integrando blocos e compondo sambas ainda na infância. Em 1950 passou a ser integrante da ala dos compositores da Portela, e se apresenta atualmente com a Velha Guarda. Também é diretor de harmonia da escola. Suas composições são gravadas constantemente por outros intérpretes de samba, como Beth Carvalho, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.

7 de dez de 2010

Dois motivos para sorrirmos

Tio João anda rindo a toa pela cidade. Os  motivos? São dois.
                 O Primeiro: A galera do Programa É Geral, da TVE (o único espaço televisivo gaúcho que apresenta samba o ano inteiro) que,  sob o comando do ousado e batalhador Rafael Cavalheiro o chamou para uma parceria do seu Armazém  e a produção dos futuros programas em novo formato. Muito samba clássico  e popular na voz de conhecidos sambistas de Porto Alegre, identificados com os movimentos populares da Cidade.

 É Geral
Vale a pena conferir. Todo sábado, 19h (inédito) e nas quartas-feiras, 23h45min (reprise).


                O segundo: A grata novidade no ar www.levadadosamuka.com.br , o site cultural de informações, dicas culturais e entretenimento  do nosso amigo e parceiraço Samuel Guedes – o Samuka do Andaraí. Acessa lá e confere a qualidade do lance.

A coisa tá russa pro lado da salada



        Zé Prettin nos conta que, dias desses na academia onde costuma “malhar” presenciou uma cena demasiadamente hilária. Os freqüentadores do espaço de cultura ao corpo precisavam recorrer a locais próximos para repor e energias e fazer um lanche após a malhação.
          Foi sugerido ao dono do estabelecimento, o professor Toninho, a montagem de uma mini lancheria  que servisse alimentos naturais. Mesmo relutando com a idéia o mesmo reservou um cantinho da Academia e estruturou-o com banquetas, refrigeradores, pias, preteleiras para louças e insumos. Até que, ficou bem bonito o tal “Cantinho natural”, onde eram servidos vitaminas, sucos e sanduiches.
          O maior problema enfrentado era encontrar alguém “lapidado” e eficiente para atender os clientes. Muita gente passou pelo teste e ninguém ficava. Até um dia o professor Toninho convidou sua prima Dona Wanda para explorar economicamente o espaço. Senhora  criativa, responsável e incansável. Ligeiramente, gananciosa, mas incansável.
          Trabalhava muito e os lucros começaram a aparecer. Zé Prettin e seus parceiros eram habituais consumidores dos quitutes. Vendia tanto lanche que, Dona Wanda decidiu  servir almoços ao meio dia. Num belo dia, logo pela manhã, “propagandeou” sua salada russa (beterraba, abacaxi, nozes e alcaparras) que, foi guardada na geladeira numa bacia plástica.
           No terceiro prato servido, dona Alda enfiou (literalmente) a cabeça no refrigerador e ao sair, fez um  movimento brusco batendo na gaveta onde estava a tal salada. Com as costas completamente, coloridas pela “cor viva” da beterraba que, cobriu boa parte do seu corpo a tão atenciosa atendente “liquidou” o almoço da galera. Era difícil quem não gargalhasse com o fato.
           Em solidariedade, Zé Prettin decidiu substituir seu habitual açaí com sanduiche de atum, por um peito de frango grelhado com frutas. Logicamente, sem a tal salada russa. 

Seu SAMBA, o primo do tio João do Brasil

Tio João convidou sua mulher Tianinha e toda sua galera, Zeca do Surdo, Dona Morena, seu filho Zé Prettin, Dr. Totonho, Tia Cenira  e todos os amigos do seu Armazém para conhecerem seu primo e melhor amigo, Jorge “Honorato” Vieira, popularmente conhecido como SEU SAMBA. Bah, no encontro rolou a maior batucada, regada a cerveja e saborosos petiscos.
Negro simpático, bom de percussão e de cantoria, acolhedor, bravo (quando provocado), tolerante na maioria da vezes, “Xavante” como todo desportista feliz pelotense – como costuma dizer, maluco por samba e das amizades sinceras, agitador dos desfiles da Bandalha, nos áureos da banda fervilhante na avenida Gal. Osório e incentivador das ações culturais democráticas. Este é o primo do tio João do Brasil, “SEU SAMBA”. 
Quer saber mais sobre o homem? Aparece na casa dele, ao lado da histórica Travessa dos Venezianos (o endereço tá abaixo da sua foto).