2 de dez de 2010

Presente de grego




Tianinha e seu João do Brasil, participaram da confraternização anual dos funcionários aposentados da CEEE. Chegando num clube da cidade, no coração da zona sul de Porto Alegre, reencontraram um colega e amigo do marido – o Pedrão Alicate. Por que  tinha  esse apelido? Porque “apertava” todo mundo, segundo os parceiros da Companhia. Tirar vantagem alheia era com ELE mesmo.
Pois,  segundo relato da Tianinha, o Pedrão foi à festa  da firma sozinho. Alegou à Januária, sua mulher que, um dos requisitos para acesso ao evento seria a presença dos funcionários sem acompanhantes. A recomendação era para irem sozinhos e sozinhas. O quase aposentado eletricitário, Pedro Borba, “aplicou esta na nega véia”. Vestiu uma roupa bacana e rumou para o evento.
O que Pedrão não imaginava era que, Tianinha a esposa do seu maior amigo na Companhia,  telefonara  para sua casa desfazendo o mal entendido. A presença  das esposas era facultativa e liberada. Tão logo recebeu a informação da parceira e amiga, dona Januária, telefonou para o marido Pedrão e cobrou explicações. Embaraçado, sem saber o que responder, afirmou que, em pouco tempo estaria em casa levando uma surpresa bem legal e apropriada “para a patroa” – como ELE mesmo costuma dizer. Pensava em levar um bom pedaço de carne de ovelha assada. Januária adorava.
Foi até churrasqueira, identificou-se ao churrasqueiro e solicitou um "naco bem bacana", aliás um nobre pedaço de carne, para levar à sua esposa. Enquanto era providenciado o embrulho, o Pedrão voltou a beber cervejas com os parceiros. 
Após receber o pacote do pessoal da cozinha sentiu forte dor(cólicas) na barriga, possivelmente, em função da churrascada da festa. Deixou o embrulho com os parceiros e dirigiu-se apressado ao banheiro, “despachar alguma coisa ruim” – segundo disse aos amigos. A demora lhe custou muito caro, pois seus companheiros e fiéis amigos  trocaram o conteúdo da encomenda. No lugares dos suculentos pedaços de churrasco, a galera colocou ossos juntos a um kilo de sal grosso para formar peso.
Pedrão ao sair do banheiro,  despediu-se dos amigos, embarcou no carro e partiu rapidamente para casa, encontrar a indignada mulher e entregar –lhe o “kit churrasco”.  Chegou em casa, ligeiramente alto e fazendo festa com o embrulho. Foi direto à cozinha. Chamou Januária e cheio de razão, falando firme e grosso, declarou “Pega o presente que trouxe para ti! Pensas que não lembro da minha querida?”.  A morena abriu um sorriso, apanhou um prato e os talheres e foi abrindo lentamente o embrulho para provar o tradicional churrasco do tio Moraes.
Ao abrir o pacote teve uma enorme surpresa. Um volume significativo de  ossos de carne bovina  e um kilo de sal grosso. Jogou TUDO pelos ares. Disse todos os palavrões que conhecia e foi passar uma temporada na casa de sua mãe. E o Pedrão? Nunca mais participou de confraternizações dos colegas da “Companhia” e assa todos os finais de semana o churrasco temperado na salmoura. Ficou com nojo de sal grosso e de brincadeiras de mau gosto. Aliás, completamente “anojado”.   

Quem não tem medo de dentista?


        Tio João nos conta uma historinha de pavor e medo vivido pelo mulato Luis Roberto - o “Betinho Tamborim”,  virtuoso percursionista e amigo do Armazém.
O moço quase morria de medo  ao imaginar-se sentado na cadeira de um dentista. Infelizmente, necessitou passar por este sofrimento.  Acordou numa manhã de inverno com uma terrível dor de dente e, mesmo contrariado, acatou a sugestão da sua mulher para utilizar os serviços de uma clínica conveniada com sua empresa. Após consulta a uma das dentistas credenciadas,  cirurgiã Carla Almeida, no belo e equipado gabinete odontológico da empresa, acabou combinando o tratamento ao qual  seria submetido. No dia marcado, lá estava  Betinho  suando  frio na recepção da clínica.
 Ao ser chamado pela dentista, dirigiu-se à cadeira transpirando muito e com uma sensação esquisita pelo corpo todo.  Compreensiva e tranqüila  a profissional recomendou calma e sugeriu ao paciente que assistisse a um filminho no dvd, enquanto ela procedia as ações em sua boca. A assistência de programas, seriados e filmes costumava tranqüilizar os pacientes mais agitados.  Com ELE não funcionou. Levantou da cadeira às pressas e solicitou uma outra data para continuarem o tratamento (estava muito nervoso naquela ocasião). A  calma do paciente sempre contribui para a evolução do tratamento, e a cirurgiã Carla entende essas coisas.
Alguns dias mais tarde, o mulato Betinho reaparece no consultório para uma  nova consulta. Dessa vez,  mais animado e falante, trazia consigo um DVD do show da Beth Carvalho, gravado na Lapa.  Alcançou à dentista o disco de samba e posicionou-se na cadeira. Naquela ocasião assistiu duas vezes o show, enquanto a cirurgiã tratava seu dente.  Enquanto a sambista cantava “Folhas secas, do grande Nelson Cavaquinho”, o Betinho chegava a fechar os olhinhos para não sentir dor.
Assim nosso amigo encarou com mais leveza o difícil momento das brocas e acessórios do dentista. Sempre ao som de Beth Carvalho, o moço encara qualquer parada. A dentista Carla, atreveu-se ao sugerir uma outra ou um outro sambista, Jorge Aragão ou Zeca Pagodinho, por exemplo, mas o danado era decisivo. Até tratamento de canal fazia, desde que tocasse a Beth Carvalho.