6 de nov de 2017

A arte "suavizando" a dureza de nossas vidas - Por Ramon Alejandro, do Ateliê 1



Posentão...

Conheci o artista, filósofo da vida, agente cultural e pensador moderno Ramon Alejandro, um dos artistas plásticos do Atelie 1 - parceiro do Armazém há pouco mais de 3 anos. Através de um conhecido cheguei até ao Ateliê e ao artista para a produção de uma obra de arte que homenageava um professor da UFRGS, homenageado numa de muitas atividades que fazíamos no trabalho.
Em todas as vezes em que visitava o espaço de arte, SEMPRE FUI ACOLHIDO com um bom papo, um chimarrão, biscoitos e muita resenha sobre a negritude latino americana. O "carinha" que foi Secretário de Cultura de São Leopoldo, temista de escola de samba e responsável pela (talvez) única oportunidade em que a Academia, através do Instituto de Artes da UFRGS aproximou-se da Cultura Popular (no caso o Carnaval de Porto Alegre e a escola de Samba Bambas da Orgia) de fato.
Juntamente com seus parceiros, Titi, Michele e Rafa Braz acolheu por duas oportunidades nosso Sarau do seu Brasil. Situações marcantes.
E por fim, retratou a imagem da acadêmica de Pedagogia, Vitória Santana da Silva, filho de um amigo. RECOMENDO COM LETRAS GARRAFAIS a visita à EXPOSIÇÃO que inicia amanhã.
Lá estarão retratadas a Vitória, a Maria, a Helena e todas as mulheres negras representadas pelos pincéis do artista.
Meu CARINHO, ABRAÇO e APLAUSOS...TU e a força que o Ateliê 1 representa no cenário de arte de Porto Alegre estão de parabéns.

E o texto abaixo?? Não mexi em nada...Respeito as obras e a produção textual...
"as duas maneiras de perder-se são: por segregação, sendo enquadrado na particularidade, ou por diluição no universal”.   Aimé Césaire

 Porto Alegre, o ano é 2017, quase 130 anos passados da lei que extinguiu a escravidão no Brasil.

O ano é 2017 e não há como fugir ao debate sobre a opressão que nós, mulheres negras, ainda sofremos; não há como negar que nossas vidas são negligenciadas e que sim, democracia racial é um mito, pois o racismo silencia, subestima, mata.

O ano é 2017. Reivindicamos e conquistamos espaços, não nos calamos diante da violência, lutamos diariamente para afirmar nossa identidade, lutamos para combater o escárnio disfarçado de elogio que nos acompanha desde a idade mais tenra. Lutamos pa...ra defender nosso lugar de fala!
Mas e o lugar de escuta?

Poderá a arte subverter a lógica da hegemonia? Ser esse espaço de escuta, de visibilidade e de compreensão. Essa é uma pergunta que não pretendemos responder, mas sim tê-la como norte para apresentar ao público a exposição NOME PRÓPRIO.

O conjunto de 13 telas traz retratos de mulheres que dispuseram uma narrativa própria ao olhar do artista e que por tal particularidade, não se condiciona ao imaginário ou à expectativa do mesmo. Em sua obra, Alejandro parte da estética do Muralismo Latinoamericano, os grandes retratos redimensionam o olhar, trazem à tona para o espectador uma visão que tanto nas artes quanto no cotidiano, parecem estar destinadas à invisibilidade.

NOME PRÓPRIO é um registro que tem por desejo enaltecer a potência das possibilidades múltiplas, na contramão da visão simbólica construída e culturalmente sedimentada no Brasil sobre as mulheres negras, visão que ainda nos atribui uma perspectiva meramente utilitária, descartando a humanidade em nossas vivências.

A exposição dá continuidade ao trabalho de Alejandro Ruíz, artista que tem como tema recorrente a cultura afrodescendente no Uruguai e Brasil, países esses onde iniciou suas atividades na militância e nas artes, respectivamente, tendo contribuído com o Carnaval de Porto Alegre aproximando a Academia da Arte Popular e Semana da Consciência Negra.

Convite feito! Visita ansiosamente aguardada.
Aline Gonçalves, curadora.
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EXPOSIÇÃO NOME PRÓPRIO
Local: Centro Cultural CEEE Erico Verissimo
(Rua dos Andradas, 1223 - Porto Alegre, Rio Grande do Sul)
Abertura: 07 de Novembro de 2017
Término: 15 de dezembro de 2017