28 de nov de 2015

Afinal, qual é o Dia Nacional do Samba?


              imagem extraída do site: http://www.bahia.ws/samba-de-roda/
           

                 Nos últimos 10 anos já escrevi muita coisa sobre o tema. Os registros que encontrei falam que nasceu na Bahia, outros dizem que nasceu no Rio de Janeiro. Alguns falam que o primeiro samba foi “Pelo telefone”, uma composição de Donga. Enfim, discutir quem pode ser considerado o “pai da criança” nos momentos difíceis que a cultura popular enfrenta é mero detalhe. Num momento em que, as rádios pelo Brasil “preservaram” nosso querido samba, dando espaço a outros ritmos, frutos dos interesses do mercado(?) e do show bussines – este monstro silencioso que nos engole e entende como normal a apropriação do patrimônio cultural alheio devemos PROMOVER CADA VEZ mais toda e qualquer iniciativa na direção da preservação e exaltação deste legítimo  elo de ligação que atravessa fronteiras ligando Oiapoque ao Chui. Falei demais?? Acho que não. Sabemos identificar quais as regiões brasileiras cultuam o vanerão, o xote, o forró, a moda de viola, axé, o sertanejo. Porém, é o samba que desembarca com a mesma força em todas as rodoviárias do Brasil. Atravessando os tempos com os formatos tradicionais e clássicos (Monarcos, Cartolas, Adonirans, Geraldos, Ranchão, Lupicinio Rodrigues, Serginho Meriti, Wilson Ney e tantos outros brasileiros) até mesmo os criativos compositores da “nova” geração como Arlindo Cruz, Moisés Marques, Rodrigo Maranhão, Leandros e tantos outros.   
            Não conheço “de perto” a cena sambista, mas a de Porto Alegre acompanho bem. Reconheço ainda, que cada Estado e Região tem sua forma peculiar de tratar sua Cultura. O mesmo ocorrendo com as ações de entretenimento e demais manifestações populares. E nossa aldeia e tribo também tem suas particularidades. Se alguém organiza um samba na calçada, por exemplo, logo o público se movimenta. Em pouco tempo surgirão vozes para inibir tal iniciativa. Imediatamente, todos se dispersam para uma nova roda de samba. Se “caiu uma”, daqui há pouco haverá outra. Tá certo, isso?? Tá errado, pois não há nenhum esforço COLETIVO de resistência. Se um sambista novo aparece no pedaço, sempre surgirão críticos com a famosa pergunta: “Este cara de pau é um dos nossos??” Ora, se o samba deve ser agregador, independente da cor do cabelo e da pele, da marca do instrumento, da afinação “da cantoria”. Se o movimento é dito popular, que assim seja mantido. SEM DONO, sem regras, sem os pecados capitais à frente. Basta ser tolerante com teu próximo, se te instrumento e não sabe tocar?? Procura aprender, pois assim não atrapalha. Vai ficar de fora?? Claro que não. Vá estudar, compartilhar conhecimento com quem chegou antes no pedaço. Na maior humildade, tem muita gente boa espalhada pela Cidade que divide seus conhecimentos na maior camaradagem. Enquanto isso, acompanha na palma da mão e vai treinando para exibir seu aprendizado.
            É feio carregar o instrumento sem saber tocar?? Claro que não. Chato mesmo é não ter a nobreza de buscar conhecimento. É ruim não saber cantar uma dúzia de sambas?? Claro que não. Condenável mesmo é NUNCA ter ouvido falar nos mais populares. Constrangedor é conhecer toda a obra do Noel Rosa e nunca ter ouvido um samba do Nelson Rufino ou do Toninho Geraes.
            E o dia de samba lá do início do texto?? Na minha opinião deve ser como todos os outros dias. Dia da Consciência Negra, da Mulher, do pai, da mãe, do Marceneiro, do São Jorge, da Criança, da OXUM, da bandeira, do Músico, do Xangô e tantos outros. Tirando o apelo comercial das comemorações, devemos celebrar todos os dias uma coisa: a VIDA. E o samba?? Também. Afinal, representa um belo ingrediente para torná-la mais leve. #tododiaédesamba
            Quando os iluminados Sereno, Adilson Gavião e Robson Guimarães compuseram “A batucada dos nossos tantans”, samba imortalizado na voz do grupo Fundo de Quintal,  que dentre muitas expressões destaco  “...É bonito de se ver, o samba correr, pro lado de lá, fronteira não há, pra nos impedir, você não samba mas tem que aplaudir...” ratifico minha relação com “o moço”.

Edinho Silva

No próximo dia 02/112/2015, quarta-feira, estaremos no Porto Boteco Alegre (av. Érico Veríssimo, 627 - Menino Deus), a partir das 19h30min conversando e SAMBANDO com convidados especiais. Gravação do programa Armazém do seu Brasil e depois uma roda de samba com o grupo Seu Samba.