7 de nov de 2011

Comércio íntimo


          A mulata Margarida, professora da rede pública de ensino, resolveu aumentar sua renda revendendo moda íntima de alto padrão entre suas amigas. O negócio ia bem, mas precisava de um incremento maior e neste sentido seu companheiro, o  advogado  Inácio Dantas, funcionário do Tribunal de Contas foi convocado. No intervalo do almoço, iria mostrar às colegas de trabalho os caros produtos que sua mulher, a Margarida comercializava.  De segunda a sexta-feira, o moço era seriedade total, e nos finais de semana o moço era conhecido como Nanaio Tamborim, o percursionista do grupo de samba “Benditos do ritmo“.
         Pois, numa segunda-feira, pós-festa familiar, daquelas fortes, um pouco atrasado no horário o Nanaio apanhou a sacola das lingeries finas, sua pasta executiva e os sacos de lixos para depositar na lixeira do condomínio próxima à garagem. Perto das 12hs, reuniu as colegas e todos foram juntos ao estacionamento para conferir as calcinhas e soutiens importados que estavam guardados no porta-malas do carro. Deveriam estar, pensava ELE. Não estavam, pois haviam sido levadas pelo pessoal da coleta de lixo.
       Até  hoje, não se sabe se foi pressa, desatenção ou ressaca, mas o “percussionista” acabou jogando a sacola de grife no espaço reservado ao lixo do prédio e guardando no porta malas as sacolas de lixo. O Nanaio inverteu as encomendas e causou um rebuliço, seguido de um grande prejuízo. Levou uns 4 meses para reembolsar o fornecedor de calcinhas da Margarida e a moça abandonou as vendas domiciliares completamente. Nunca mais vendeu nada, garante tia Cenira. 

Um super herói da minha vida

            
          Dona Morena nos conta uma historinha vivenciada pela Karina Remelexo, a passista da escola de samba da Comunidade da Zona Sul de Porto Alegre. Num sábado de um verão escaldante a morena anunciou a seu companheiro, o Zézão, que iria participar de um chá de fraldas na casa de uma amiga no final da tarde. O evento contaria com a participação exclusiva de mulheres, nenhum homem poderia estar presente.
             Por manter uma relação de vanguarda, o casal Karina e Zézão, lidava bem com estas coisas. Ela iria para o chá de fraldas e ELE iria jogar futebol com os amigos e depois perto das 22h, estariam juntos para jantar e participar de uma roda de samba “bem pegada”, como costumavam dizer.
            O chá de fraldas na realidade, tratava-se de uma despedida de solteira, com espumantes, luzes coloridas, amigas desinibidas e muita euforia no ar. A preta Karina, chegou cedo no evento e posicionou-se bem próxima ao palco e era uma das mais entusiasmadas da festa que iniciaria às 18h. Exatamente, depois de 45 minutos de festa, ingressou no ambiente 3 homens musculosos, dançantes e fantasiados. Um bombeiro, índio e um super herói mascarado. Aos poucos, para delírio das amigas e convidadas da festa os artistas iam tirando suas roupas e exibindo seus corpos esculturais cobertos de óleos especiais. A Karina era só empolgação, esfregava as mãos nos corpos suados e já havia jogado para bem longe a culpa da “mentirinha ao marido”.
            O índio já havia jogado seu cocar longe, o bombeiro estava só de sunga e o super herói não tirava a máscara de jeito nenhum. A  Karina um pouco desconfiada, com aquele mistério  e inibição, aproximou-se do moço e olhando bem de pertinho, foi percebendo algo familiar no striper. O mais assediado da festa tinha alguma coisa que lembrava o Zézão, seu marido.  Depois de 90 minutos de pura sedução os moços foram retirando-se da sala mantendo o anonimato.
           Ao chegar em casa Karina encontrou o marido  tomando banho e logo perguntou ao Zézão como havia sido o jogo. Recebeu como resposta que a partida disputada foi bastante difícil, cheia de choques, gols e muitas emoções. Desconfiada, ELA rumou à área de serviço e vasculhou a bolsa esportiva e lá encontrou o par de tênis, o uniforme do futebol e uma estranha vestimenta de personagem infantil. Era uma fantasia de super herói (a mesma vista na despedida de solteira). Algum tempo depois, no intervalo da roda de samba, angustiada, Karina pergunta: “Zê, tu fazes isso há muito tempo? Todos os finais de semana, por exemplo??”.      O cara respirou fundo e respondeu imediatamente: “E você, minha linda, costuma frequentar locais animados por estes profissionais?”. Silêncio no ar. Depois de um beijo apaixonado o casal decidiu nunca mais falar no assunto e andar juntos por todos os cantos possíveis. Chá de fraldas? Jamais. E futebol? Só pela tv.                    Embora pessoas modernas não se pode correr riscos. 

6 de nov de 2011

Batucando com os filhos

              
             
                    Registro  o novo trabalho do cantor Martinho da Vila  "Lambendo as Crias", recém-lançado em CD e DVD, quando o sambista reúne seus filhos para registrar composições inéditas e algumas já consagradas pelo público brasileiro. Dos oito filhos do cantor, cinco são músicos (Mart'nália, Juju Ferreira, Analimar Ventapane, Maíra Freitas e Tunico Ferreira). A concepção e produção do trabalho foi o ponto alto, pois as gravações aconteciam quando as agendas dos filhos estavam livres. E assim foi surgindo, uma maravilhosa “colcha de retalhos” com cheiro de família. O próximo e mais desafiador passo é reunir a turma e colocar o show na estrada – comenta o sambista de Vila Isabel.

 Estas emoções familiares foram vivenciadas  na festa de comemoração de um ano de existência da Batucada do Armazém, no dia 01/11/2011. O  cavaquinista do nosso movimento, o compositor e sambista Roberto Nascimento levou para a roda de samba seu filho Vitor Nascimento – o Vitinho, diretor de harmonia da União da Vila do Iapi e integrante do grupo musical Louca Sedução. E na noite da comemoração  a dupla e os demais integrantes do grupo foram responsáveis por bons momentos de sambas legais.
Por fim, parafraseando Martinho (no sucesso Casa de Bamba) “"Na minha casa todo mundo é bamba, todo mundo bebe, todo mundo samba", e lá também se lambe as crias.
Edinho Silva