16 de fev de 2011

A mulher maravilha do samba




Zé Pretim nos conta que outro dia conheceu a bela e charmosa Renata Geyer, como é conhecida na alta sociedade portoalegrense. Pois a moça tem uma história bastante curiosa no mundo do samba. Uma verdadeira "Mulher maravilha", literalmente.
Quando está na companhia do namorado e de seus colegas universitários (cursa Psicologia na PUC/RS) pode ser considerada uma verdadeira princesa. Calçando sandália de grife, salto 15, bolsa Louis Vuilton, jeans do Hercovitch, perfumes de paris e bebericando um champanhe gringo. Bastou o relógio marcar um determinado horário da noite, começa a história de Cinderela às avessas. Inventa uma desculpa (geralmente é prova) e voa para casa trocar sua roupa e apanhar seu instrumento. Calça seu jeans surrado, seu Adidas, um cinto combinando com a bata preferida, apanha seu pandeiro e se joga na roda de samba. Muitas vezes chegou completamente maquiada no pagode (ou esqueceu ou não deu tempo de mudar a imagem).
A discrição é seu ponto forte (nada de orkut, fotos ou qualquer outra situação que comprometa sua imagem). Batuca e dança muito enquanto está na roda de samba. Em seguida corre para casa tomar um bom banho e prepara-se para as aulas que iniciam no período da tarde. Segundo ELA, ainda não está preparada para revelar sua paixão pelo samba e por todas as coisas legais que teve acesso.
             Zé Pretim empolga-se e afirma que sua amiga é uma guria bacana. "Com ela não tem lê-lê demais, nem grife no pagode. Ela gosta mesmo é de samba lá do alto do morro, ou daquele tiozinho que quase não sabe lê, mas quando compõe escreve com a alma" - afirma ele. A Renatinha Percussão, como é conhecida na roda de samba, arranca suspiros da galera quando descansa seu pandeiro e entra no terreiro para sambar. Crítica, não aprecia muito, embora respeite, a nova geração que baixa sambas da internet e se acha os tais de resgate do Geraldo Pereira, Cartola, Zé Keti, Pixinguinha. Fã do seu dindo de samba, Zeca do surdo, aliás, contundente como ele. Seu negócio é sambar mesmo que anônima e sem combater o preconceito de algumas classes sociais e alguns roqueiros espalhados por este mundão.
           Zé Pretim tá aguardando uma surpresa prometida pela amiga durante sua formatura. "Meu caro, Zé, o auditório vai tremer com a batucada que vou fazer, pode confiar". Seu padrinho na roda de samba, o Zeca do Surdo, emociona-se todo e chega sonhar acordado quando de terno de gala, a galera do Armazém transformará a colação de grau da médica Renata num grande baticumdum.  

Batucada do Armazém invadindo a Cidade Baixa



















Batucada do Armazém
     O que seria apenas uma reunião de amigos transformou-se num movimento popular de alegria, amizade e boa música. O tio João e o Zeca do Surdo quando tiveram a idéia de chamar alguns amigos para uma roda de samba não imaginavam a repercussão da ação cultural.
     Pois o Batucada do Armazém invadiu a Cidade Baixa - nas terças-feiras, no Sierra Maestra (Otávio Correa, 39), nas  quartas-feiras no Seu Samba (na Joaquim Nabuco, 383) e nas quintas-feiras, no Batukeria (na João Alfredo, 563).
Capitaneados pelo Volnei Neves e seu tantan, os violões do Rogério Sete Cordas e do Edmilson Campos, os pandeiros do Fábio Ananias, do Titi e do Vinicius, o cavaco do Roberto Nascimento, o rebolo e o repertório bem "roots Brasil" do Gilmar Dornelles e a participação de muita gente legal na condição de convidados especiais sacudiram a Cidade Baixa.
      Não fica de fora, reuna os amigos, a namorada e cai no samba também. Pode ser antes dos ensaios de Carnaval ou até mesmo para uma pausa nos sambas enredos.
Te esperamos por lá.

Edinho Silva, seu João do Brasil, Zeca do Surdo e os Amigos do Armazém

E o Natal aproxima as pessoas. Algumas...


    O Carlito Trovão nos conta que seu parceiro de samba, o Robson Tamborim aprontou uma das suas no último Natal na casa da nova namorada - a Taninha "Bom bocado". Pois Rô-rô, como é conhecido o moço, recebeu a tarefa de comprar no Centro da Cidade os enfeites da árvore de Natal da família da namorada (os piscas, os ursinhos, presentinhos, as tradicionais coisinhas que enfeitam o período natalino). Sua sogra, dona Marisa, recolheu uma grana com as tias e repassou ao moço para a tarefa. Não faria mais nada, apenas isso. Não se envolveria com as bebidas, com o churrasco, com a música, com a roupa nova, com o perú, com a sobremesa, seu compromisso era apenas com a produção da árvore de Natal e seus enfeites. Moleza, não? Não para o fanfarrão do Robson.
A galera repassou a grana no início do mês e o moço logo trouxe um enorme pinheiro para a sala da sogra (alguns até chegavam a desconfiar que ELE havia investido quase todo o dinheiro na árvore). Lentamente, ia trazendo os enfeites e a cada dia chegava  com alguma novidade. Assim foi pelos 20 dias que antecederam a grande noite. Exatamente, no dia 23 de dezembro o sogrão decidiu testar os piscas, pois os convidados e parentes da Taninha vindos de São Paulo e de cidades do Interior do Estado estavam prestes a chegar e seu Quidão, como era conhecido o comissário de polícia Euclides da Costa Neto, sogro do "Rô-rô" não queria ter surpresas, nem pagar o mico de alguma falha. "Pagar vale para cunhado é brabo!" - dizia ele. Ao acionar as lâmpadas verificou-se que o sistema estava em perfeitas condições. Maravilha, tudo redondinho. O genro Robson havia acertado "alguma coisa" nesta vida.
No dia 24/12, véspera do Natal, por volta das 15h, o "Rô-rô" chegou na casa da namorada vindo da festa da firma, embalado por uns etílicos e com um grande embrulho na mão. Trazia uma enorme e dourada estrela cadente. Segundo ELE, Natal é tempo de paz, de alegria e luz. A tal estrela simboliza tudo isso.
A sogra achou a iniciativa simpática mas sugeriu deixar para o próximo ano a instalação de tal objeto na árvore. Não quis realizar maiores comentários, mas até o Quidão já havia testado o funcionamento de tudo.
Robson não satisfeito com a negativa saiu sorrateiramente e apanhou uma escada na garagem do sogro. Enquanto a namorada Taninha concluía as sobremesas, a sogra temperava as saladas, as cunhadas organizavam as louças e talheres, o sogrão buscava as bebidas o cara resolveu SOZINHO e "ligeiramente adocicado" de caipirinhas decidiu colocar a tal estrela no alto da árvore, mais precisamente no último galho do pinheiro.
Aproximou a velha escada do pinheirão e foi subindo lentamente, degrau por degrau, até atingir o local escolhido. Não precisou um vento muito forte para a escada balançar e o malandro cair por cima das renas, dos fios, dos noéis, dos galhos e presentes alojados junto à árvore.
Com um barulho assustador, a turma que estava na cozinha veio correndo acudir o trapalhão e decorador de meia tigela. Pouco tempo depois, o Quidão chegou em casa com as bebidas. Enfurecido, lembrou o que seus avós diziam.."Quidinho, sempre que avistar uma estrela cadente faça 3 pedidos". Naquela ocasião, seu Euclides resolveu fazer apenas 2 (e em voz alta, ou melhor, aos berros). "Saia da minha frente, sr. Robson. Saiaaaaaaaaaaaa" - um dos pedidos e o outro "Tomara que esta guria arrume outro namorado, mas que nem chegue perto dos enfeites de Natal". Naquele ano, de 2009, a festa natalina foi celebrada com uma árvore emprestada do vizinho do 502.