30 de jan de 2013



Estimados amigos do Armazém:

O final de semana de todos nós foi marcado por aflições, lágrimas, tristezas  e de reflexões. Identificar responsáveis ou culpados pela tragédia de Santa Maria não minimizará a dor das pessoas. O que de fato nos revolta, a mim e o Zeca do surdo - o polêmico do Armazém, é o maldito pecado chamado GANÂNCIA. Sim, a enlouquecida e podre disposição de arrecadar dinheiro a qualquer preço. Assim os promotores de festas superlotam os ambientes, os artistas apresentam-se em mais de um local, os valores cobrados pelo ingressos disparam, seguranças destreinados e mal remunerados são contratados, comes e bebes são "batizados" e com seus valores cobrados nas alturas, manobristas cobrando estacionamentos que não existem, truculência no tratamento oferecido em algumas situações na relação cliente-prestadores de serviço, maior investimento em flyer e nenhum investimento em medidas de segurança. Tudo em nome do "vil metal".
No caso caso da casa noturna de Santa Maria, a banda comprou artefato impróprio para não gastar muito e produzir um efeito de pirotecnia. Os donos da casa não gastaram seus recursos para as alterações no layout e nos equipamentos de segurança. Muito menos em treinamento aos seus prestadores de serviço (seguranças, atendentes e demais funcionários). Quanto menor o investimento, maior o lucro final.
Eta, gente triste...estes gananciosos.
O nosso Armazém do seu Brasil de todos os domingos não foi ao ar no último dia 28/01, mas ao preparar o recomeço de nossas vidas orando pelos que partiram e pelos entes queridos que ficaram com a saudade anuncio que no próximo dia 03/02/2013, das 13h às 14h,  no www.radioestacaoweb.com mais uma edição inédita do programa de rádio WEB que cresce a cada semana. 
Minha solidariedade e orações às familias, aos amigos e a todos que sensibilizaram-se com a tragédia. O resto é piada de mal gosto e humor barato.

Edinho Silva

Abaixo o texto do Fabrício Carpinejar, poeta gaúchoPublicado na capa do Globo do dia (28/01/2012).

 Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu?
TRAGÉDIA EM SANTA MARIA
Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. / A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. / Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. / A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. / As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. / Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa. / Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. / Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. / Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência. / Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. / Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. / Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? / O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. / A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados. / Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro. / Mais de duzentos e trinta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos. / Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. / As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. /Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu. /As palavras perderam o sentido.

29 de jan de 2013

Homenagem às Velhas Guardas do Brasil



O dr. Totonho, consultor cultural do Armazém do seu Brasil recomenda a "fita". Segundo ele, o filme "é Romantismo e sensibilidade aos 4 ventos", diz o moço.
Eu também assisti. De fato é muito bom, mesmo.

Edinho Silva



 
"O Mistério do Samba" mostra beleza das coisas simples
MIGUEL ARCANJO PRADO da Folha Online

       O documentário "O Mistério do Samba" apresenta-se como um retrato simples e poético da Velha Guarda da Portela. Dirigido por Lula Buarque de Hollanda (sobrinho de Chico Buarque) e Carolina Jabor (filha de Arnaldo Jabor), a obra foi produzida pela cantora e compositora Marisa Monte.
        Durante seus 88 minutos, o longa faz com que a platéia adentre pela porta da frente no cotidiano da comunidade da agremiação carnavalesca da Portela, uma das mais tradicionais do Carnaval e do samba carioca, em Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio.
Enquanto os personagens surgem com seus casos pitorescos e histórias de sambas do passado, um clima de melancolia fica no ar.
       "Não sei se a palavra é melancolia, mas é fato que eles são saudosos. O cara é da Velha Guarda da Portela: ele é velho, tem uma estrada de vida longa, sofrida, cheia de dificuldades e de decepções. Tem sofrimento, sim, até pela proximidade da morte, que deve mexer muito com eles; mas, sem tristeza não tem samba bom", diz Carolina Jabor, uma das diretoras do filme.
        O filme foi feito em dez anos, desde 1998, quando Marisa Monte resolveu resgatar sambas esquecidos para seu disco "Tudo Azul". Até o chamado da cantora amiga, os dois diretores sequer freqüentavam ocasionalmente a quadra da escola azul e branca. O contato começou com o pessoal da Velha Guarda, através da Marisa, para depois passarmos a freqüentar a Portela e Oswaldo Cruz. 
 
Fonte: Extraido da Folha de São Paulo - 27/08/2008 - 11h01