12 de jun de 2017

A "comunicação no samba e no Carnaval de Porto Alegre" - Programa Nação - Fragmento 1



                                                                                                          Acervo de imagens do SETOR 1 -


       A partir desta postagem (Fragmento 1), abordarei inúmeros temas que fizeram parte da resenha "iluminada" e da roda de samba do Programa Nação, da TVE/RS, que foi ao ar no dia 09/06/2017 - sexta-feira.
          O programa foi capitaneado pela jornalista e apresentadora Fernanda Carvalho que com talento e percepção conseguiu transmitir toda a serenidade que os entrevistados necessitavam. Como mote principal conversaríamos sobre o SAMBA de Porto Alegre. Um pouco de tudo, da composição autoral, aos sambistas do passado, da nova geração, os redutos e locais próprios de fazer samba, seus diferentes espaços, as ferramentas de divulgação e resistencia, modelos de gestão, samba e "Academia", manifestações populares, entre outras coisas. Tudo "ritmado" por uma boa roda de samba. A produção e edição (com sensibilidade e maestria) ficou a cargo da jornalista Vera Cardozo e seu time de técnicos. 
         Os convidados do Armazém do seu Brasil eram o Nego Lom (Samba quente - representando a maior movimentação de samba no Centro da Cidade nos anos 80 e 90), o griô do samba Izolino Nascimento e o inquieto, provocador e "cheio de graça" como dizem os mais próximos, Carlinhos Delgado e seu cavaco. A banda principal "Os BRASILEIROS" formada pelo violonista Rogério Sete Cordas e nas percussões a "dupla de doidos do bem" Jovani do Oxalá e Carlos Henrique Buiu. Muitas pessoas perguntaram por onde andava o quarto componente, o músico e arranjador Silvinho Xavier?   Infelizmente, compromissos profissionais o afastaram da gravação. O mesmo ocorreu com algumas convidadas (Maria Helena Montier, Renata Pires e Maria do Carmo). 
       O local da gravação não poderia ser outro pela beleza e acolhimento que recebemos. Estou falando do Quintal Tia Acácia (Comendador Caminha, 310 - Parque Moinhos de Vento) dos parceiros Alessandro Silva e Mário Machado.
            Iniciei nossa conversa relembrando o Folhetim do Zaire, um simpático fanzine distribuído num bar da extinta Galeria Pio XII, no Centro de Porto Alegre. A responsabilidade da edição e distribuição era do saudoso Moura do cavaco, conhecido e folclórico sambista e cavaquinista de nossa Cidade.
E como era a tal ferramenta de comunicação? Um pouco diferente dos atuais blogs que oferecem informações sobre samba e Carnaval de forma mais ágil, num formato mais jornalístico. Atualmente, circulam mais de um com destaque para o "Setor 1", do Israel Ávila, por sua trajetória e por reconhecimento fora do RS, inclusive. No passado existiram outros dois: o Samblog e o BATICUMBUM (da Alice Mendes e da Thais Freitas). Este último me oportunizou a honraria de ser um colunista diferente por lá. Através de minha coluna "Na arquibancada" - expressava a opinião de um folião, torcedor e pesquisador da Cultura Popular sob uma ótica diferente.
             Com todo o respeito que os blogs merecem a FORÇA MAIOR do "Folhetim do Zaire" estava na forma de expressão aplicada. Através de uma linguagem direta, sem rodeios, o fanzine divulga o trabalho de grupos e artistas, denunciava situações, ironizava e tornava exposto "o vacilão" da ocasião. Tudo acontecendo de uma forma muito franca. Possivelmente, esta era uma das razões que levava seus leitores acotovelarem-se na busca do exemplar inédito.
            O Armazém do seu Brasil busca difundir, provocar reflexão, divertir seus leitores, mantendo a proximidade com o povo do samba. Obviamente, sem a coragem e ousadia que a proposta do FOLHETIM do ZAIRE oferecia.
Então...acredito que conseguimos através do Programa Nação, reverenciar um tempo, uma pessoa, um veículo de comunicação e toda uma geração de sambistas de Porto Alegre. 
         Valeu, MOURA do cavaco. De onde estiveres possa ter ouvido o negão Izolino, o Lom, o Carlinhos e os Brasileiros entoarem sambas na tua direção e de tantos outros que já passaram.

Edinho Silva

Em tempo: Tenho um exemplar (presente de um amigo) datado de dezembro de 1995. Neste número o editor registra o aniversário do Bedeu (04 de dezembro) e uma estória do Djalma do Pandeiro (imperdível). 

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