23 de dez. de 2016

Sérgio Peixoto - Um olhar generoso na direção do Carnaval e da Cultura Popular no RS

    O internacional bailarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus cumprimentando o pesquisador Sérgio Peixoto - arquivo pessoal do CETE

         Posentão...

           Tristeza pouca é bobagem!! Num tempo em que, ações políticas de todas as origens e esferas, sejam elas nacionais, estaduais e municipais, chegam  afrontando e ameaçando a todos que apreciam, lutam e vibram com Cultura Popular e todas as manifestações próximas a ela, principalmente em terras gaúchas, nos chega a triste notícia da "passagem" do Sérgio Peixoto. Aplicado pesquisador, incansável estudioso, temista de grife, polêmico, generoso, e fundamentalmente, um artista inquieto e ousado.
       Estivemos juntos em algumas oportunidades, onde prevalecia o tratamento cordial entre professor e aluno. Sujeito educado, de personalidade forte, amado por muitos, questionados por outros tantos, mas nunca tímido na disposição em ajudar a quem necessitasse.
Em 2011, nas minhas "maluquices" em propor reflexões e conversas sobre Cultura Popular, Gente, Samba e Carnaval, através de um dos muitos projetos que idealizei cheguei até o Sérgio Peixoto que conversaria com os meus convidados sobre Temas Enredo, Gestão e coisas do Carnaval. Mais ou menos 40 minutos antes do horário combinado, "o cara" chegou ao local. Trazia sob o braço um radinho onde acompanhava uma partida do seu time do coração (Gremio futebol Portoalegrense). Sem roteiros específicos conversamos sobre os mais diversos temas que envolva Carnaval e samba. Falou de costureiras e profissionais de barracão, de como nascia e se desenvolvia um tema enredo, profissionais e artistas do mundo carnavalesco. Desfiles em Porto Alegre, no RS e no Brasil. Um verdadeiro arquivo sobre a temática.
          Passou um tempo, reencontrei no Sambagé, em programa de rádio comandado pelo jornalista Alex Bagé, onde dividia a bancada com o Renato Araújo e outros convidados. Novas aulas sobre o assunto. Tudo sempre com muita paciência e disposição do professor.
           Mais adiante, convidou-me a acompanhar suas ações e do CETE - grupo montado para discutir e estudar Carnaval. O famoso CETE - Centro de Estudos de Temas Enredos, cuja composição era de artistas populares, pesquisadores, carnavalescos, anônimos e simpatizantes do samba e do Carnaval. 
SEMPRE fui acolhido pelo Sérgio Peixoto e por seus parceiros de estudos com muitas honrarias. Quero acreditar que foi pela simpatia das pessoas, mas principalmente por ter sido apresentado pela "cabeça mestre" do grupo.
          Falar do Varal do samba, mostra e exposição de camisetas de Escolas de Samba de Porto Alegre e do Brasil, assim como, as ousadas ações que envolviam diferentes religiões e pessoas como o CETE propôs nas Igrejas das Dores e no ano seguinte na do Rosário certamente necessitaria mais algumas "meia dúzia" de postagens.Todas as experiências sempre foram muito gratificantes.
         Ao conseguir a classificação de dois trabalhos em Concurso Cultural da Fundação Edison Carneiro, do RJ pude compartilhar a mesma honraria que meus parceiros do CETE. Eu não consegui as primeiras colocações, mas ser indicado ao lado de trabalhos como o desenvolvido pelo CETE foi gratificante.
        Ouvir o Sérgio Peixoto falar sobre as antigas agremiações e carnavalescos do passado também era muito esclarecedor e empolgante. Uma garrafa de café e dois pacotes de biscoito era pouco para ilustrar o papo.
      Por fim, registro nosso último contato breve nas escadarias da Igreja das Dores, quando conversava e aprendia um pouco mais sobre Porto Alegre com o também artista plástico e profissional das artes populares Guaraci Feijó, ao passar por mim, com os olhos marejados de emoção, o querido Sérgio Peixoto, me abraçou, dizendo "MUITO OBRIGADO, por estar aqui também". Ouvir um comentário de alguém que se mostrava incansável em agregar coisas populares com as acadêmicas, de tantos serviços prestados à Porto Alegre batalhando pela Cultura Popular é uma medalha dourada. 
          Siga em paz, meu amigo...Se encontrares o seu Vicente Rao e tantos outros que marcaram seus espaços no mundo carnavalesco e sambista, diga a ELES sem timidez que, tu SEMPRE BUSCOU ETERNIZAR A MEMÓRIA DELES.
A Cultura popular e o Carnaval de Porto Alegre um pouco mais triste. E eu também!!!  

Edinho silva

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